Machado, que havia deixado a Venezuela em dezembro após vencer o prêmio Nobel da Paz e passar meses escondida em meio à repressão do governo Maduro, chegou de surpresa ao país e seguiu de carro até a capital, Caracas, cumprimentando milhares de apoiadores ao longo do caminho.

"O espetáculo poderia ter sido evitado -- os aeroportos estão bem aqui", criticou em declarações na TV estatal nesta segunda-feira (26).

Delcy está no comando do país desde janeiro, depois que o ex-líder deposto, Nicolás Maduro, foi preso pelo governo Trump. Ela é apoiada por Washington e se reuniu com o presidente dos EUA pela primeira vez no mês passado, em Nova York.

Após as declarações mais inflamadas na TV, durante uma visita a um hospital militar em Caracas, ela diminuiu o tom. Afirmou que espera que as negociações com a oposição ofereçam espaço para que todas as vozes sejam ouvidas:

“Espero que o diálogo continue a proporcionar um espaço para a participação política e que aqueles que prejudicaram a Venezuela, aqueles que clamaram por sanções e agressão externa, sintam algum remorso e arrependimento. Espero que tanto o diálogo quanto o programa de coexistência democrática e paz possam proporcionar um espaço onde todas as vozes possam ser ouvidas, onde as vozes que buscam o bem do país possam ser ouvidas".

O retorno de Machado à Venezuela, após várias tentativas frustradas, corre o risco de prejudicar suas relações com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Washington afirmou que ela tem todo o direito de estar na Venezuela, mas elogiou Rodríguez e apoia um processo de negociação entre o governo de Rodríguez e grupos da oposição que não inclua o movimento Vente Venezuela, de Machado.

As negociações, que continuaram neste mês, visariam reformular o conselho eleitoral e o tribunal superior antes de eventuais eleições.