Nikolas Ferreira vira alvo em Minas Gerais

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tornou-se um dos principais focos de questionamento dentro da legenda. Escalado pela coordenação nacional para atuar como cabo eleitoral em viagens pelo país, sobretudo em estados do Nordeste onde Lula havia liderado no primeiro turno, o parlamentar foi acusado por lideranças mineiras de ter negligenciado a articulação em seu próprio estado natal.

Minas Gerais foi o único estado brasileiro a registrar uma virada entre os turnos. No primeiro turno, Flávio liderava na região; contudo, entre as duas etapas, Lula acrescentou 1,1 milhão de votos ao seu desempenho local e venceu no estado por uma margem de 109 mil votos. Aliados e dirigentes partidários avaliam que o PT percebeu a ausência de Nikolas em Minas e intensificou a presença no território. Além disso, integrantes do PL apontam que o deputado e seus aliados estariam mais focados na consolidação de um projeto político próprio para o futuro do que na campanha presidencial de Flávio.

Vídeo no Nordeste e o rótulo de “Carla Zambelli”

Outro ponto de forte desgaste atribuído a Nikolas foi a publicação da peça publicitária intitulada “O Nordeste que foi esquecido”, gravada no município de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Inicialmente apresentada pelo deputado como um dos materiais mais importantes de sua trajetória, a gravação gerou grande repercussão negativa após o vazamento de imagens dos bastidores.

Os registros informais expuseram a equipe de produção orientando o enquadramento e a conduta dos moradores entrevistados, desencadeando acusações de encenação e manipulação. O episódio provocou reação de lideranças nordestinas e foi comparado por políticos de oposição e da situação ao caso envolvendo a deputada Carla Zambelli na eleição de 2022, sendo classificado por governadores da região como um “tiro no pé” que estimulou o eleitorado local a votar em Lula. Na apuração final do Nordeste, Lula ampliou sua votação em quase 3 milhões de votos, enquanto Flávio somou cerca de 398 mil.

“Salto alto”, divisão de ministérios e acúmulo de investigações

As críticas internas também recaem sobre a conduta do próprio candidato. Integrantes do Centrão e aliados do comitê relataram que a derrota já era antecipada nas semanas anteriores devido ao comportamento de “salto alto” de Flávio Bolsonaro, que discutia reservadamente a composição de ministérios e fazia promessas ao empresariado antes do encerramento da votação.

Aliados também observaram que Flávio realizou um segundo turno morno e defensivo, sem conseguir frear a repercussão do adversário. O acúmulo de investigações no STF e denúncias sobre movimentações financeiras foram apontados por interlocutores como fatores que dificultaram a conquista de eleitores indecisos. Além de Nikolas, nomes como a coordenadora econômica Daniella Marques – por declarações polêmicas sobre o Bolsa Família e uso de inteligência artificial, o influenciador Pablo Marçal e a entrada tardia do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo debate foram citados nas discussões sobre os erros da campanha.