Lula (PT) ficou com dois de cada três votos a mais registrados no 2º turno da eleição presidencial na região de Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP). O levantamento do g1 compara os resultados do 1º turno, em 4 de outubro, com os do 2º turno, no domingo (25).
Somadas as 66 cidades da área de cobertura, os dois candidatos tiveram juntos 192.865 votos a mais do que no 1º turno. Lula ganhou 128.100 e Flávio Bolsonaro (PL), 64.765. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio venceu na região, com 59,27% dos votos válidos, contra 40,73% de Lula. Mesmo assim, a vantagem do candidato do PL caiu de 326.360 para 263.025 votos. Lula foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos no país.
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Para o cientista político João Augusto do Carmo, o 2º turno levou mais eleitores às urnas porque a disputa deixou de girar só em torno de propostas.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputaram o 2º turno da eleição à Presidência da República
Charles Vieira e Ricardo Stuckert/ Flickr dos candidatos
“A eleição no segundo turno deixou de ser apenas uma disputa de projeto político, de propostas ou ideias para se transformar numa escolha de ideais, de identidade do povo brasileiro e de valores sociais e humanos”, afirma.
Por que mais gente votou
Para João Augusto do Carmo, a diferença entre os turnos tem a ver com a forma como o eleitor processa informação. No 1º turno, segundo ele, o número maior de candidatos leva o eleitor a optar pelo caminho mais simples.
“No primeiro turno, muito mais candidatos, uma quantidade gigantesca de informações. O eleitor acaba escolhendo aquele candidato com o qual ele já tinha alguma afinidade”, diz.
De onde vieram os votos a mais do segundo turno em Ribeirão Preto e Franca, SP
O cientista político cita a neurociência para explicar esse comportamento. “O cérebro é assim, ele vai nos fazer optar sempre por aquilo que é mais fácil e simples, para economizar energia.”
No 2º turno, ainda segundo ele, a disputa com dois candidatos e o fluxo constante de notícias, principalmente nas redes sociais, mudaram o peso da escolha. “É como uma final de campeonato, algo que se torna muito importante”, compara.
Decisão envolve crenças e valores
Ele avalia que, quando a decisão passa a envolver crenças e valores, o eleitor tende a participar mais. “As pessoas enxergaram um momento para dizer o que pensam mais sobre a vida do que sobre a própria política.”
O especialista também atribui parte do aumento da participação à campanha de rua do PT no 2º turno. Na avaliação dele, o partido apostou em uma vitória no 1º turno e fez menos manifestações populares nessa etapa. Segundo ele, a mobilização mudou no 2º turno, com participação da juventude.
Os dados do TSE usados neste levantamento não trazem o voto por faixa etária. Por isso, não é possível confirmar com esses números o peso de jovens ou idosos no aumento do comparecimento.
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