A Polícia Civil do Rio vai investigar o vídeo em que um homem negro aparece sendo conduzido por uma corrente por um manifestante branco durante o ato de apoio ao senador Flávio Bolsonaro. A informação foi confirmada pela corporação nesta segunda-feira (26).

A filmagem foi feita na tarde de sábado (24), na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, em um ato relacionado às eleições. Flávio era candidato à Presidência da República, mas Lula (PT) foi reeleito.

A Polícia Civil disse que "o caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias dos fatos".

O Ministério da Igualdade Racial pediu ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio que investiguem um possível crime de racismo.

As imagens foram feitas pelo jornalista Raphaël Bernard e publicadas pela revista Fórum. No vídeo de Raphaël, o homem negro aparece com adesivos e inscrições relacionados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e segura um tridente.

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A poucos metros dele, atrás, o outro manifestante branco segura a corrente e grita ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"A primeira reação que eu tive foi de choque grande, porque a situação de um homem branco segurando um homem preto em correntes é muito explícita, né? Não tem contexto que possa justificar ou amenizar esse tipo de situação", justificou o jornalista.

Homem que aparece carregando homem negro acorrentado diz que cena foi 'sátira política'

O homem identificado como Carlos Martins, que aparece segurando uma corrente ligada a um homem negro durante o ato, afirmou que a cena foi uma sátira política e negou que tenha tido intenção racista.

"A intenção era simplesmente uma sátira. Eu posto nas minhas redes sociais há muitos anos, chamando o Lula de Satanás e capiroto. É uma característica que não é a primeira vez, e a gente quis mostrar aqui que o Lula era o Satanás caracterizado e que o Bolsonaro, que para a gente está numa prisão injusta, estava prendendo o Lula. Não passou de uma simples sátira, nenhuma intenção racista de nada", justificou Carlos Martins em um vídeo publicado nas redes sociais.

Homens que participaram do ato dizem que cena foi uma sátira política e negaram que tenha tido intenção racista

Carlos também pediu desculpas aos brasileiros que se sentiram ofendidos.

"Eu, há pouco tempo, publiquei que eu sempre fui contra o racismo. Eu falei até que o Lula era racista, que ele tinha chamado o negro de desdentado, que eu não pactuo com isso. A gente quer pedir desculpa a todos os cidadãos brasileiros que se sentiram ofendidos por isso. Não estamos aqui para desrespeitar qualquer ser humano brasileiro".

Homem negro aparece acorrentado em ato de apoio a Flávio Bolsonaro

A TV Globo apurou que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) analisa as imagens para definir quais medidas serão tomadas. A Polícia Civil do RJ disse que “não houve registro com essas características”.

O repórter Luís Adorno, do UOL, registrou outro momento da cena, em que o homem negro aparecia com uma máscara.

O ato ocorreu na véspera do 2º turno das eleições presidenciais, que ocorre neste domingo (25).

A manifestação na Barra da Tijuca marcou o encerramento da campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Apoiadores do candidato percorreram trechos da orla e participaram de uma mobilização na Praça do Ó.

Flávio Bolsonaro esteve acompanhado de aliados políticos, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL).

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