Segundo os estrategistas liderados por Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o país pode enfrentar uma combinação mais desafiadora de câmbio depreciado, juros elevados e desaceleração econômica, em um ambiente que exigiria um reequilíbrio fiscal considerado improvável pelo banco.

Diante desse cenário, a instituição espera uma redução do apetite por risco dos investidores, com impacto negativo sobre as avaliações das ações brasileiras.

Apesar da redução da exposição ao mercado brasileiro, o Morgan Stanley evitou uma recomendação underweight para o país. A justificativa é que o peso das exportadoras e dos grandes bancos no mercado acionário brasileiro tende a limitar uma deterioração mais acentuada dos lucros corporativos.

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Os estrategistas destacam que a principal preocupação passa a ser a trajetória das contas públicas

“Neste momento, preferimos a face externa do mercado brasileiro, cujos motores de crescimento estão mais ligados aos preços das commodities do que à política doméstica”, afirmaram os estrategistas.

Rotação para exportadoras

Como reflexo dessa visão, o banco promoveu uma ampla rotação em sua carteira. O Morgan Stanley aumentou a exposição a empresas exportadoras e mais beneficiadas por um real potencialmente mais fraco, elevando posições em Vale ( VALE3 ), Embraer ( EMBJ3 ) e JBS (JBSS3), além de recolocar Suzano ( SUZB3 ) na carteira modelo.

A Suzano foi a principal inclusão do relatório, com a empresa sendo adicionada para ampliar a exposição a companhias que geram caixa em dólar após o resultado inesperado das eleições brasileiras.

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Na composição atual da carteira latino-americana, o Morgan Stanley atribui peso relevante a Petrobras ( PETR4 ), Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Vale ( VALE3 ), Embraer ( EMBJ3 ), Suzano ( SUZB3 ) e JBS (BDR: JBSS32 ), mantendo viés favorável para companhias exportadoras e ligadas a commodities.

A instituição, por outro lado, reduziu posições em empresas consideradas mais sensíveis à dinâmica dos juros e ao crescimento da economia doméstica. Entre os cortes estão B3 ( B3SA3 ), BTG Pactual ( BPAC11 ), XP (XP), Nubank ( ROXO34 ), Mercado Livre ( MELI34 ) e Sabesp ( SBSP3 ).

O banco argumenta que um ambiente de juros “mais altos por mais tempo” e de atividade econômica mais fraca tende a dificultar o desempenho dessas companhias, especialmente aquelas ligadas ao mercado de capitais, crédito e consumo.

Entre as reduções mais expressivas na carteira estão justamente B3, BTG Pactual, XP e Nubank, refletindo a avaliação de que o cenário pós-eleição deve ser menos favorável para empresas dependentes da expansão do mercado financeiro e da queda dos juros.

Chile e Argentina ganham preferência

No âmbito regional, o Morgan Stanley passou a enxergar melhores oportunidades em outros mercados latino-americanos. O banco tem recomendação overweight para Chile e Argentina, citando menor risco político no caso chileno e perspectivas favoráveis para investimentos e crescimento dos lucros corporativos.

No setorial, as maiores preferências da instituição seguem concentradas em materiais básicos, energia e imobiliário, segmentos que devem continuar se beneficiando do ambiente global para commodities e da busca por ativos com receitas dolarizadas.

Na avaliação dos estrategistas, a combinação de incertezas fiscais domésticas e cenário externo ainda favorável reforça uma estratégia mais seletiva no Brasil, privilegiando exportadoras e empresas menos dependentes do ciclo econômico local.

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