Nesta segunda-feira, 26, o dispositivo foi acionado depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o quarto mandato.
Circuit breaker: por que a Bolsa não teve nova interrupção após cair mais de 15%?
Segundo informou a operadora da Bolsa, um novo circuit breaker será acionado caso ocorra uma nova oscilação de baixa de 20%
Esta foi a primeira vez que uma eleição presidencial causou o acionamento do mecanismo na história da B3. Até então, a última interrupção havia ocorrido em março de 2020, durante a crise financeira desencadeada pela pandemia de covid-19.
Lula conquistou a vitória com 51,8% dos votos válidos, contra 48 2% de Flávio Bolsonaro (PL), cujo partido elegeu 19 senadores no primeiro turno do pleito deste ano. O resultado da eleição presidencial contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam apostado em uma vitória da oposição e passaram a desfazer posições montadas nas semanas anteriores à votação.
O que é circuit breaker?
O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. Ele tem como referência a variação do Ibovespa principal índice do mercado brasileiro de ações. Segundo a B3, a suspensão desta segunda-feira atingiu a negociação de ativos à vista, de títulos de renda fixa privada e de opções referenciadas em ações, BDRs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50 Índice Small Cap e ETFs.
As negociações são suspensas por 30 minutos quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Após a retomada das negociações, se o índice atingir queda de 15% em relação ao fechamento anterior, os negócios são suspensos novamente, desta vez por uma hora. Se, após essa pausa, a queda chegar a 20%, a B3 pode determinar uma nova interrupção por período definido pela própria instituição.
O mecanismo considera a oscilação registrada durante a sessão, independentemente de qual seja o resultado ao final do dia. O Ibovespa chegou a despencar 10,47% nesta segunda, o suficiente para acionar o circuit breaker, mas recuperou parte das perdas e encerrou o pregão com queda de 8,8%.
Quando o circuit breaker foi acionado no Brasil?
A primeira vez que a B3 acionou o circuit breaker foi em 1997, durante a crise financeira na Ásia. Veja a seguir os diferentes momentos nos quais o mecanismo foi utilizado:
1997: Crise asiática
A turbulência iniciada em economias do Sudeste Asiático se espalhou pelos mercados internacionais e atingiu o Brasil. A Bolsa acionou o circuit breaker três vezes, em 28 de outubro, 7 de novembro e 17 de novembro.
1998: Crise russa
O colapso financeiro da Rússia provocou uma nova onda de aversão ao risco nos mercados emergentes. O mecanismo foi acionado cinco vezes ao longo do ano.
1999: Crise cambial brasileira
A mudança do regime cambial, que levou à adoção do câmbio flutuante, provocou forte instabilidade no mercado doméstico. Houve duas interrupções, em 13 e 14 de janeiro.
2008: Crise financeira global
A crise originada no mercado imobiliário americano, agravada pela quebra do Lehman Brothers, atingiu bolsas ao redor do mundo. No Brasil, o circuit breaker foi acionado seis vezes entre setembro e outubro.
2017: Joesley Day
A divulgação de uma gravação envolvendo Joesley Batista e Michel Temer abalou o governo e provocou uma queda de mais de 10% do Ibovespa durante o pregão de 18 de maio.
2020: Pandemia de covid-19
A combinação entre a disseminação do coronavírus, a queda dos preços internacionais do petróleo e as restrições à atividade econômica provocou seis acionamentos em apenas oito pregões de março. Dois ocorreram no mesmo dia, em 12 de março.
2026: Reeleição de Lula
Em 26 de outubro, a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro desencadeou uma forte liquidação de ativos brasileiros. A B3 interrompeu o pregão por 30 minutos, no primeiro acionamento do mecanismo desde a pandemia e no primeiro episódio associado diretamente ao resultado de uma eleição presidencial.
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