Ana Carolina Fernandes/Estadão Conteúdo e Charles Vieira/Divulgação
Se o estado de Minas Gerais é famoso por sempre votar em quem vence a eleição para presidente, o Rio Grande do Sul é conhecido por ser "do contra": os gaúchos votaram majoritariamente no candidato derrotado em sete das nove eleições presidenciais desde a redemocratização.
Em apenas dois pleitos nacionais a maioria dos gaúchos votou no concorrente que acabou eleito presidente. Em 2002, para o primeiro mandato de Lula (PT), e, em 2018, o estado ajudou a eleger Jair Bolsonaro então no antigo PSL.
Nesta eleição, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Lula no RS, tendo 57,84% dos votos válidos, ante 42,16% do adversário.
A tradição remonta a primeira eleição presidencial após a Constituinte de 1988. No ano seguinte, o Brasil viveu uma pulverização de candidaturas. No Rio Grande do Sul, uma se destacou.
Flávio Bolsonaro não reconhece derrota nas urnas
Leonel Brizola, que havia sido governador do estado teve ampla vantagem entre o eleitorado gaúcho. Ele conquistou 62,66% dos votos válidos na unidade federativa, ou 3.262.925 votos no total.
Mas Brizola não avançou ao 2º turno, que foi disputado entre Fernando Collor de Mello (PRN) e Lula (PT).
O Rio Grande do Sul foi uma das quatro unidades federativas onde Lula teve a maior votação na primeira eleição presidencial do petista: 68,72% contra 31,28% dos votos válidos. À época, Collor foi eleito presidente em 1989.
A situação se repetiu quando a maior parte do eleitorado gaúcho votou novamente por Lula em 1994 e 1998, em Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, em José Serra (PSDB) em 2010, em Aécio Neves (PSDB) em 2014, em Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e em Flávio Bolsonaro (PL) em 2026.
Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro tem virada em 19 cidades do RS
Apoiadores de Lula celebram na cidade mais bolsonarista do país, onde Flávio teve 90,56% dos votos
Governador eleito do RS, Zucco fala em 'interferências abusivas' após vitória de Lula
Eleições para presidente no RS
Lula (PT): 68,72% (3.366.795 votos)
Fernando Collor de Mello (PRN): 31,28% (1.532.824 votos)
Lula (PT): 33,48% (1.610.379 votos)
Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 29,57% (1.422.390 votos)
Leonel Brizola (PDT): 15,10% (726.445 votos)
Eneas Carneiro (Prona): 9,36% (450.153 votos)
Esperidião Amin Filho (PPR): 8,19% (393.752 votos)
Orestes Quércia (PMDB): 3,73% (179.210 votos)
Lula (PT): 49,04% (2.460.551 votos)
Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 40,59% (2.036.805 votos)
Ciro Gomes (PPS): 10,51% (708.279 votos)
Lula (PT): 55,84% (3.297.354 votos)
José Serra (PSDB): 44,16% (2.608.109 votos)
Geraldo Alckmin (PSDB): 55,35% (3.485.916 votos)
Lula (PT): 44,65% (2.811.658 votos)
José Serra (PSDB): 50,94% (3.237.207 votos)
Dilma Rousseff (PT): 49,06% (3.117.761 votos)
Aécio Neves (PSDB): 53,53% (3.452.455 votos)
Dilma Rousseff (PT): 46,47% (2.997.360 votos)
Jair Bolsonaro (PSL): 63,24% (3.893.737 votos)
Fernando Haddad (PT): 36,76% (2.263.171 votos)
Jair Bolsonaro (PL): 56,35% (3.733.185 votos)
Lula (PT): 43,65% (2.891.851 votos)
Flávio Bolsonaro (PL): 57,84% (3.874.378 votos)
Lula (PT): 42,16% (2.824.552 votos)
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Lula foi o candidato mais votado no RS em 1989, mas perdeu a eleição, assim como Flávio Bolsonaro em 2026
Ana Carolina Fernandes/Estadão Conteúdo e Charles Vieira/Divulgação
VÍDEOS: Tudo sobre o RS

