O movimento ocorreu no 1º pregão depois do 2º turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25.out), quando Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL). A reação negativa dos investidores provocou uma queda de 13,88% no Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), que encerrou o dia aos 176.608,23 pontos. O dólar avançou 8,21%, cotado a R$ 5,4029.

O levantamento de 77 ativos mostra que a pressão vendedora não ficou restrita a um segmento específico. Das empresas analisadas, 72 registraram perdas e 5 apresentaram valorização.

Entre as maiores quedas, além do Magazine Luiza, destacaram-se Hapvida (HAPV3), com recuo de 54,1%; Cosan (CSAN3), de 46,3%; Cyrela (CYRE3), de 44,7%; e Dasa (DASA3), de 44,2%.

As perdas também foram expressivas entre empresas ligadas ao consumo doméstico e dependentes de financiamento, segmentos particularmente sensíveis às expectativas sobre a trajetória dos juros.

VAREJO E CONSTRUÇÃO

O varejo concentrou algumas das maiores desvalorizações do pregão. O Assaí Atacadista (ASAI3) caiu 43,4%, enquanto o Grupo Casas Bahia (BHIA3) perdeu 38,1%.

As ações da Lojas Renner (LREN3) recuaram 33,8%, as do Grupo Mateus (GMAT3) caíram 30,1% e as da Americanas (AMER3) perderam 26,2%.

O setor imobiliário também registrou perdas generalizadas. A Cyrela recuou 44,7%, a EZTEC caiu 41% e a Even (EVEN3) perdeu 36,3%. Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11), administradoras de shopping centers, registraram quedas de 25,2% e 24,5%, respectivamente.

A pressão sobre esses segmentos ocorre em um ambiente de elevação dos juros futuros, que encarece o crédito, reduz a capacidade de financiamento das famílias e afeta as expectativas de consumo e investimento.

SAÚDE, EDUCAÇÃO E BANCOS

As empresas de saúde estiveram entre as mais penalizadas. A Hapvida perdeu 54,1% de seu valor de mercado por ação, enquanto a Dasa caiu 44,2%. A Rede D’Or (RDOR3) recuou 21,3%.

Na educação, todas as empresas listadas no levantamento apresentaram desvalorização. A Ânima Educação (ANIM3) caiu 42,8%, a Ser Educacional (SEER3) perdeu 38,1%, a Cogna (COGN3) recuou 37,4% e a YDUQS (YDUQ3) registrou queda de 35,6%.

O setor financeiro também foi atingido. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 29,6%, enquanto o BTG Pactual (BPAC11) perdeu 23,9% e o Bradesco (BBDC4) recuou 21,3%.

O Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 13,6% e o Santander Brasil (SANB11), 5,01%. A própria B3 (B3SA3), responsável pela infraestrutura do mercado de capitais brasileiro, registrou desvalorização de 35,9%.

ENERGIA, INDÚSTRIA E COMMODITIES

A onda de vendas também alcançou empresas de energia elétrica, petróleo, siderurgia e saneamento.

Entre as companhias elétricas, a Energisa (ENGI11) caiu 31%, a Equatorial Energia (EQTL3) perdeu 30% e a Eneva (ENEV3) recuou 16,9%.

A Petrobras (PETR4) registrou queda de 8,38%, enquanto a PRIO (PRIO3) perdeu 4,03%. Na siderurgia, a CSN (CSNA3) caiu 18,2% e a Usiminas (USIM5) recuou 11,7%.

As empresas de saneamento também apresentaram perdas, com recuos de 23,1% na Copasa (CSMG3), 20,8% na Sabesp (SBSP3) e 16,8% na Sanepar (SAPR11).

Apesar da predominância de quedas, algumas empresas conseguiram escapar da pressão vendedora. A Suzano (SUZB3) subiu 9,15%, a JBS (JBSS32) avançou 7,57%, a Klabin (KLBN11) ganhou 3,73%, a Vale (VALE3) valorizou 3,26% e a Bradespar (BRAP4) teve alta de 1,05%.

O desempenho dessas companhias mostra que a reação negativa não foi uniforme. Empresas exportadoras ou com receitas vinculadas ao dólar podem se beneficiar da desvalorização do real, embora outros fatores também influenciem as cotações.