ZAIN JAAFAR / AFP
O Exército da Jordânia afirmou que atacou, nesta segunda-feira (26), "organizações terroristas" na vizinha Síria, em retaliação a um atentado jihadista mortal contra uma igreja na semana passada, poucas horas depois de as autoridades prenderem três suspeitos do ataque.
A instituição militar informou que aeronaves da Força Aérea haviam "destruído várias posições terroristas" e matado e ferido "numerosos integrantes" de grupos ligados aos autores do ataque contra a igreja.
O ataque mortal sem precedentes da semana passada contra uma igreja greco-ortodoxa deixou nove mortos e 25 feridos. As forças de segurança da Jordânia prenderam três suspeitos nesta segunda-feira.
A Síria informou que o número de mortos nos ataques desta segunda-feira no sul do país havia subido para oito, ante um balanço anterior de cinco vítimas fatais.
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"Os hospitais da província de Daraa receberam oito vítimas, incluindo um idoso e três crianças", além de quatro feridos, informaram as autoridades sanitárias.
O governo sírio afirmou nesta segunda-feira que a Jordânia "não realizou nenhuma coordenação prévia" antes de lançar os ataques mortais em retaliação a um atentado jihadista fatal contra uma igreja, informou a agência estatal de notícias SANA.
A SANA citou o Ministério das Relações Exteriores da Síria, que afirmou ter comunicado à Jordânia sua "completa ressalva quanto à realização de operações em território sírio sem coordenação prévia".
O ministério acrescentou que a "comunicação e a coordenação" com a Jordânia estavam em andamento "para lidar com as repercussões deste incidente de uma maneira que preserve a segurança e a soberania do território sírio".
O rei Abdullah II afirmou que havia "prometido que os terroristas não escapariam da Justiça e que nenhum defensor de ideologias obscurantistas que dividem os jordanianos seria tolerado", escreveu em uma nova publicação na rede social X.
Ataques contra locais de culto na Jordânia são incomuns. Em 2016, um ataque na cidade de Karak teve como alvos um centro de segurança e patrulhas policiais e deixou dez mortos.
Segundo o balanço mais recente das autoridades, nove pessoas morreram e 25 ficaram feridas no ataque contra cristãos do reino, cometido na sexta-feira por homens armados na aldeia de Hamud, no sul do país, durante uma procissão fúnebre.
A província de Karak, onde fica Hamud, abriga uma importante comunidade cristã no reino, de maioria muçulmana.
Os agressores invadiram o complexo da Igreja Greco-Ortodoxa de São Jorge antes de abrir fogo contra um cortejo fúnebre, segundo a polícia.
Os três suspeitos, classificados como "terroristas", foram detidos em uma casa abandonada na província de Karak, onde haviam se entrincheirado.
"Dois são irmãos e o terceiro é cunhado deles. Todos seguem a ideologia takfirista (islamismo extremista)", informou o diretor de Segurança Pública, Abdullah Maaytah, durante uma entrevista coletiva.
Segundo o responsável pela segurança, os suspeitos ficaram feridos durante as trocas de tiros com as forças de segurança no momento da prisão e foram hospitalizados. Armas e "uma grande quantidade de munição" foram apreendidas na residência, acrescentou.
"Prendemos os assassinos, estamos avaliando todas as circunstâncias que levam os jovens ao extremismo e responsabilizaremos todos aqueles cujo envolvimento for comprovado", afirmou o ministro do Interior, Mazen Al Faraya, na rede social X.
Segundo ele, "nada indica que eles tenham mantido contatos com o exterior ou colaborado com partes estrangeiras".
O rei Abdullah II, que se encontrou com vítimas após o ataque, afirmou no sábado, durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, que "a segurança e a proteção dos jordanianos são uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada".
O primeiro-ministro jordaniano, Jafar Hassan, decretou três dias de luto nacional a partir de sexta-feira, com bandeiras hasteadas a meio mastro em instituições governamentais e públicas.

