# Sono: o agente modificador das doenças neurodegenerativas

- Seção: Saúde
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/10/27/sono-o-agente-modificador-das-doencas-neurodegenerativas.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-27T06:30:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1379349-sono-o-agente-modificador-das-doencas-neurodegenerativas

> Chego à quarta e última coluna inspirada nas palestras a que assisti no XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia (Neuro 2026). O tema é um dos meus favoritos por estar intrinsecamente ligado ao envelhecimento ativo: o sono. Costumo dizer…

O sono funciona como um agente modificador das doenças neurodegenerativas; é quando dormimos que o cérebro repara danos e elimina neurotoxinas

daha3131053 para Pixabay

O médico recorreu à célebre máxima “Penso, logo existo”, criada pelo filósofo francês René Descartes, para sintetizar a importância do repouso: “Lembro, logo durmo”. E o que isso significa na prática? Na verdade, o sono é um poderoso agente modificador no curso das doenças neurodegenerativas.

Durante a vigília, ou seja, quando estamos acordados, a atividade cognitiva tem um custo molecular. O funcionamento sináptico gera microlesões genômicas, como as quebras na fita dupla de DNA, que demandam reparo especializado. O “conserto neuronal” se dá durante o sono, acompanhado por um processo fluido de depuração que bem poderíamos chamar de “lavagem noturna”. Enquanto estamos despertos, o espaço intersticial (entre as células) fica comprimido, acumulando resíduos metabólicos. No sono profundo, o sistema glinfático é ativado e esse espaço se expande, permitindo que o líquido cefalorraquidiano circule com mais facilidade, lavando e drenando as toxinas.

Quando ocorre a fragmentação do sono – típica em quadros de insônia ou na Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono – a remoção de agregados neurotóxicos, como beta-amiloide e tau hiperfosforilada, fica prejudicada. O desfecho a longo prazo é a elevação do risco de demências, notadamente a Doença de Alzheimer.

Instaura-se, então, um ciclo vicioso: o estresse oxidativo e o acúmulo proteico aceleram o dano neuronal e desorganizam ainda mais os centros reguladores do sono, perpetuando o declínio cognitivo. Na Doença de Parkinson, por exemplo, alterações expressivas no sono surgem comumente anos antes das primeiras manifestações motoras. Resumo da ópera: D-U-R-M-A-M!

Reportagem completa: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/10/27/sono-o-agente-modificador-das-doencas-neurodegenerativas.ghtml

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