No passado, foram formados governos minoritários — como os liderados por Yitzhak Rabin e Shimon Peres, em 1993 e 1996 — mesmo sem que os partidos de suas coalizões conseguissem essa maioria. Porém, neste ano a missão de obter o apoio de partidos fora da coalizão de governo ou oposição está mais complicada.

Embora a eleição seja crucial para remodelar o cenário político do país, tanto as preocupações de política interna como externa, a ausência de uma coalizão majoritária após a votação pode postergar a decisão para o ano que vem, quando seria realizada nova eleição.

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O atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que lidera o partido governista Likud, que se manter no cargo. Como essa será a primeira eleição de Israel desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, seria natural que a escolha se tornasse um referendo sobre atuação do chanceler durante a crise que motivou as guerras contra o Hamas em Gaza e contra o Hezbollah no Líbano.

Mas Netanyahu tem sofrido muito desgaste nos últimos anos, fustigado tanto pela oposição que o acusa de algum grau de responsabilização pelo ataques terroristas como pelo ultraortodoxos, que são contrários ao serviço militar obrigatório. O custo de vida mais alto por conta desse conflito e pela guerra contra o Irã também estão entrando nessa conta.

A principal força de oposição a Netanyahu é o partido Yashar, do general aposentado Gadi Eisenkot, que deve conseguir mais cadeiras nessa eleição, mas ainda abaixo dos 61 assentos necessários. Eisenkot é um estrategista militar condecorado que se aposentou em janeiro de 2019 após servir como chefe do Estado-Maior desde 2015.

O general Eisenkot passou quatro décadas nas FDI, ocupando cargos de comando na Brigada Golani, na Divisão Blindada Bashan, na Divisão da Judeia e Samaria, no Ramo de Operações das FDI e no Comando Norte.

Mesmo tendo participado do gabinete de guerra do primeiro-ministro na fase inicial da guerra contra o Hamas, ele divergiu e depois rompeu com Netanyahu por questões como a prioridade a ser dada na recuperação dos reféns do 7 de outubro e sobre a nova frente de combate no Líbano.

Assim, ambos os principais lados da disputa são contrários à criação de um Estado palestino. E isso fasta a possibilidade de partidos da minoria árabe em Israel – como o Ra’am e o Joint List – entrarem em alguma coalização.

Os principais atores do bloco Netanyahu incluem o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit; Aryeh Deri , o líder do partido religioso ultraortodoxo Shas; e o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, da lista conjunta Sionismo Religioso-Zehut, da linha nacionalista libertária.

No bloco anti-Netanyahu, além de Eisenkot estão o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, do Bennett 2026 e o líder da oposição Yair Lapid, do partido centrista liberal Yesh Atid. A esse grupo, podem seu unir ainda Yair Golan, ex-vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), dos Democratas; e o ex-ministro das Finanças Avigdor Liberman, do Yisrael Beiteinu, cuja base é em grande parte secular e historicamente de língua russa.

Para o think tank Council on Foreign Relations (CFR), o resultado da eleição é difícil de prever, tanto porque há divisões dentro da coalizão de Netanyahu no atual Knesset como pelo fato de o bloco de oposição não ter ainda concordado em um nome de consenso para suceder ao primeiro-ministro.

Israel é conhecido por negociações de coalizão prolongadas, e não há razão para acreditar que esta eleição será diferente. Pequenos partidos podem surgir como grandes atores em certas circunstâncias. Entre eles estão o Amcha Yisrael, liderado pelo general aposentado das FDI Ofer Winter, e a lista conjunta de centro-direita Reservistas-Economia, liderada por Yoaz Hendel e Yaron Zelekha.

O CFR diz que há três saída para essa confusão matemática: seria um governo rotativo, com Eisenkot e Netanyahu trocando de lugar após um tempo acordado; uma coalizão com partidos árabes; ou uma união de forças com partidos ultraortodoxos.

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