Nos dias 22 e 23 de outubro (4ª e 6ª feiras passadas), Lula e Flávio marcaram 50% dos votos válidos cada um. Em 24 de outubro, último dia em que o tracking foi realizado, véspera do 2º turno, a pontuação foi de 51% de Flávio contra 49% de Lula –com margem de erro de 2,3 pontos percentuais.

Pelo tracking do PoderData , Lula poderia ter até, no limite máximo, 51,3% dos votos válidos –nas urnas, ele registrou 51,79% . E no caso de Flávio, sua pontuação, no limite mínimo, poderia ter sido de 48,7% –nas urnas, foi de 48,21%. Para ler todos os resultados, clique aqui .

“O resultado do tracking diário do PoderData ficou muito próximo ao que mostraram as urnas em 25 de outubro. Mas mais do que isso: 3 dias antes do 2º turno, todos os assinantes desse serviço souberam que a eleição estava absolutamente empatada, em 50% para cada um dos candidatos. Ou seja, com uma margem e erro de 2,3 pontos percentuais no tracking, tudo estava completamente indefinido. E o resultado ficou exatamente dentro do que mostravam os estudos diários” , explica Mateus Netzel, coordenador das Pesquisas do PoderData .

O tracking eleitoral é uma forma dinâmica de acompanhar uma campanha. São levantamentos de intenção de votos feitos a cada 24 horas e com uma média móvel que capta a tendência de maneira precisa. Em geral, são 700 a 1.000 entrevistas por dia. A média é calculada a cada 3 dias. Quando entram os dados do 4º dia, a coleta mais antiga é descartada e são considerados os 3 dias mais recentes.

Por razões operacionais e financeiras, nenhuma empresa de pesquisas registra esses levantamentos na Justiça Eleitoral –e, portanto, fica proibida a sua divulgação antes da conclusão da eleição.

No Brasil, em anos eleitorais, a lei obriga qualquer empresa a registrar no Tribunal Superior Eleitoral –com 5 dias de antecedência à data de divulgação– todas as pesquisas cujos resultados serão publicados. Há custos e muita burocracia para fazer o registro. É necessário, por exemplo, ter a assessoria de um escritório de advocacia e pagar taxas para conselhos de estatísticos nos Estados (uma guilda que ganha dinheiro sem fazer nada nem muito menos ajudar a conferir mais qualidade a pesquisas de opinião).

“Imagine quanto custaria um sistema de pesquisas diárias, do tipo tracking? Seria necessário registrar pesquisas todos os dias, com todos os custos envolvidos. É uma pena que seja assim, pois os custos inviabilizam do ponto de vista financeiro os meios de comunicação de publicar esses levantamentos. Mas empresas sérias fazem trackings e oferecem o serviço para grandes empresas que têm interesse no acompanhamento do processo eleitoral. Só que o público em geral não tem acesso. A lei que leva a essa situação talvez devesse ser revisitada pelo Congresso, porque nada garante que uma pesquisa registrada no TSE seja melhor ou pior do que uma não registrada. Aliás, muitas empresas sem muita qualificação podem registrar um levantamento no TSE e maquiar os resultados, que são inescrutáveis” , explica Mateus Netzel.

Mesmo as pesquisas registradas no TSE têm dificuldades para serem realizadas. “Em disputas com 10 ou 15 candidatos, a maioria em geral desses políticos é desconhecida. Mas a lei obriga empresas de pesquisa a incluir todos em levantamentos de intenção de voto. Isso mais confunde do que esclarece os eleitores entrevistados. Se uma pesquisa listar só os nomes dos candidatos principais e colocar uma opção ‘outros’, isso pode resultar em multa e invalidação do levantamento” , declara Netzel.