Fezes de morcegos nas salas, ratos, janelas quebradas e estruturas tomadas por cupins. Essa é a situação de um prédio onde funcionam uma escola municipal e estadual na comunidade ribeirinha Caicubi, no Baixo Rio Branco, em Caracaraí, no sul de Roraima, segundo denúncia de moradores.

Em razão das condições da unidade, alunos estão sem aulas presenciais tanto na escola municipal Celestino da Luz, quanto na estadual José Bonifácio. Juntas, as unidades atendem a 149 estudantes.

Segundo o líder comunitário, Júlio Araújo, o espaço atende 78 crianças da prefeitura de Caracaraí e também 72 estudantes da rede estadual, que funciona em um espaço anexo.

Os alunos estão sem ir à unidade desde agosto. Desde então, estudam em casa com apostilas impressas, entregues pelos professores ou que os pais buscam na unidade.

"O prédio sofre com invasão de ratos na área da merenda, banheiros sem funcionamento, piso danificado, rachaduras, goteiras, telhado quebrado, madeiras de suporte rachadas, falta de iluminação", descreveu o líder comunitário.

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Em nota, a Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed) informou que o prédio pertence à rede municipal, é compartilhado e que a reforma é de "responsabilidade do município". Sobre a infestação de ratos, afirmou que já solicitou à gestão municipal a dedetização e a limpeza do local.

Já a prefeitura de Caracaraí informou que sabia dos problemas estruturais da escola e que trabalha para solucioná-los e garantir o retorno das aulas presenciais o mais rápido possível. Enquanto isso, os alunos recebem atividades apostiladas e são acompanhados pelos professores, que permanecem na comunidade.

Segundo o líder comunitário, os moradores solicitaram reparos à prefeitura e ao governo, mas os dois órgãos atribuem um ao outro a responsabilidade pela manutenção do local.

A estrutura da escola é dividida em dois blocos. No primeiro, funciona a escola municipal, que atende alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Já o segundo bloco é estadual, com estudantes matriculados do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

Caicubi fica localizada às margens do Rio Branco, uma região em que o acesso só é possível por meio fluvial ou de avião.

'Parece uma casa abandonada'

Uma moradora da comunidade, que preferiu não se identificar, disse que está preocupada com futuro da neta, de 6 anos, e com os demais alunos. Na avaliação dela, o ensino remoto por meio apenas de apostilas não garante aprendizado.

"A escola parece uma casa abandonada, simplesmente. Não tem estrutura física nenhuma pra receber as crianças. Como é que eu vou levar uma criança para estudar numa escola que não tem nem um ventilador, nem uma lâmpada funcionando na sala de aula?", disse a avó de uma aluna de 6 anos.

Ainda de acordo com a denúncia, as salas não têm climatização nem iluminação adequadas, pois lâmpadas e ventiladores de parede estão quebrados.

Segundo o relato da moradora, a copa da escola foi tomada por ratos, que destruíram os alimentos da merenda escolar fornecidos pelas redes municipal e estadual. Os moradores também relataram casos frequentes de vômito, diarreia e dores abdominais entre as crianças, além de alergias provocadas pelo contato com fezes de morcego.

"Quando você chega na escola, o mau cheiro é horrível, de cocô, de mijo de rato. Quando você coloca o pé na entrada, já sente, é horrível... A gente se sente lesado, porque sabe que recursos tem. A educação e a saúde têm recurso próprio, então não era para essa escola estar dessa forma", questionou.

Escola Celestino da Luz, na comunidade ribeirinha Caicubi, no Baixo Rio Branco

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