# França testa arma a laser contra drones em seu maior porta-aviões; tecnologia promete neutralizar ameaças em segundos sem gastar mísseis; entenda

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/mais/mundo/franca-testa-arma-a-laser-contra-drones-em-seu-maior-porta-avioes-tecnologia-promete-neutralizar-ameacas-em-segundos-sem-gastar-misseis-entenda/)
- Publicado em: 2026-10-27T10:43:01.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1382256-franca-testa-arma-a-laser-contra-drones-em-seu-maior-porta-avioes-tecnologia

> A informação foi reunida pelo site especializado Opex360, que situa o ensaio três anos depois do teste bem-sucedido do HELMA-P na fragata de defesa aérea Forbin. Imagem criada com Inteligência Artificial

O feixe de energia dirigida instalado a bordo do porta-aviões Charles de Gaulle, o maior navio de combate da Marinha francesa, foi acionado em testes de luta antidrone durante a missão La Fayette 26, que se encerrou em 11 de julho depois de 166 dias no mar.

Entre 4 e 8 de junho, em uma escale do navio, uma equipe mista de militares e técnicos operou o sistema laser antidrone e registrou o desempenho da arma de energia dirigida contra ameaças aéreas de pequeno porte, conforme o magazine oficial Cols Bleus da Marinha nacional.

A informação foi reunida pelo site especializado Opex360, que situa o ensaio três anos depois do teste bem-sucedido do HELMA-P na fragata de defesa aérea Forbin. O episódio não é um experimento isolado. Em junho de 2023, a Marinha francesa anunciou que a fragata Forbin havia testado com êxito o sistema laser HELMA-P no âmbito do programa L2AD, sigla para Laser de luta antidrone.

Desenvolvido pela CILAS, a Compagnie industrielle des lasers, a partir de 2017, o HELMA-P (High Energy Laser for Multiple Applications, Power) é uma arma de energia dirigida que, associada a sensores de detecção e de seguimento, neutraliza drones aéreos de classe I e ameaças assimétricas ao alterar a estrutura do alvo em poucos segundos.

Já avaliado em terra em 2020 e 2021, o conjunto mostrou-se preciso no mar a bordo do Forbin, segundo o Ministério das Armadas da França, que apontou a continuidade do desenvolvimento do protótipo com vistas à integração futura nos navios da frota. O mesmo tipo de capacidade foi empregado na segurança dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o que reforça o caráter operacional e não apenas experimental da tecnologia.

Como o laser naval derruba o drone sem munição convencional

Uma arma a laser de alta energia não dispara projétil. Ela concentra luz coerente em um ponto do alvo até que o material aqueça, deforme, queime ou falhe.

No caso de drones de classe I, em geral veículos leves de asas rotativas ou fixas usados para reconhecimento, carga explosiva improvisada ou saturação de sensores, o feixe pode fundir componentes da estrutura, danificar a hélice, cegar a câmera ou interromper a eletrônica de voo.

O tempo de engajamento citado pelas autoridades francesas é da ordem de segundos quando o rastreio está estável e a atmosfera permite a propagação do feixe.

A vantagem tática que a Marinha francesa destaca é o custo por tiro: depois de instalado e alimentado pela energia do navio, cada disparo custa uma fração do preço de um míssil de defesa de ponto ou de uma salva de canhão de precisão, o que permite “durar” e “usar o adversário” em cenários de enxame, em que dezenas de drones baratos tentam saturar a defesa.

Para funcionar no convés de um porta-aviões, o sistema precisa de estabilização contra o balanço do casco, de sensores que detectem e classifiquem o contato aéreo de baixa assinatura, de um seguidor óptico ou radar que mantenha o feixe no ponto frágil do drone e de uma fonte de energia elétrica robusta.

O Charles de Gaulle, porta-aviões nuclear francês com catapultas e convés de voo completo, oferece exatamente essa base energética e de comando. O teste durante a missão La Fayette 26, portanto, não apenas valida o hardware laser: valida a cadeia completa de detecção, decisão e engajamento em ambiente marítimo real, com interferência de sal, umidade, vibração e tráfego aéreo próprio da aviação embarcada.

Do Forbin ao Charles de Gaulle: a linha do tempo da L2AD

A sequência pública começa com avaliações em terra em 2020 e 2021, passa pelo ensaio no mar a bordo da fragata de defesa aérea Forbin em 2023 e chega ao porta-aviões em 2026, no trecho de junho da missão La Fayette 26. O intervalo de três anos entre o Forbin e o Charles de Gaulle indica amadurecimento de integração, não reinvenção do conceito.

O Ministério das Armadas já havia dito, após o Forbin, que os resultados abriam caminho para o protótipo seguir rumo à integração nos edifícios de superfície. O magazine Cols Bleus, na página 29 da cobertura da missão, confirma que o laser antidrone esteve a bordo do porta-aviões e foi exercitado na escale de 4 a 8 de junho.

A equipe envolvida misturava militares do centro técnico responsável pelo programa e tripulação do navio, o que é o padrão quando se quer medir tanto a eficácia do feixe quanto a carga de trabalho da guarnição e a convivência com as demais armas e sensores do navio.

Por que a Marinha francesa prioriza energia dirigida contra drones

Drones de baixo custo mudaram o cálculo da defesa de ponto. Um míssil de interceptação pode custar ordens de magnitude a mais do que o drone que ele abate. Em campanhas prolongadas, o estoque de mísseis acaba antes da vontade do adversário de lançar novas ondas.

O laser inverte parte dessa conta: a “munição” é eletricidade gerada a bordo, e o limite passa a ser o resfriamento, a disponibilidade de energia e a clareza atmosférica. Em mar aberto, com horizonte livre e menos obstáculos urbanos, o feixe encontra condições relativamente favoráveis, embora chuva, névoa e aerossóis marinhos ainda degradem a potência no alvo.

Por isso os testes em fragata e em porta-aviões importam: eles medem o desempenho onde a Marinha realmente opera, não só no polígono terrestre. O HELMA-P foi desenhado para múltiplas aplicações de potência, o que explica o nome completo High Energy Laser for Multiple Applications, Power.

Além de drones, o discurso oficial francês menciona ameaças assimétricas, o que na prática naval inclui embarcações rápidas, sensores expostos e, em alguns conceitos, a cegueira temporária de ópticos hostis dentro das regras de engajamento.

A neutralização por alteração estrutural em segundos é o efeito letal ou incapacitante buscado contra o drone: não basta iluminar, é preciso degradar a capacidade de voo ou de missão.

O que o teste no porta-aviões muda na defesa de ponto

Um porta-aviões é o centro de um grupo de combate. Sua defesa depende de caças, de escoltas com mísseis e canhões, de guerra eletrônica e de procedimentos de controle de espaço aéreo. Introduzir um laser antidrone no convés acrescenta uma camada de resposta imediata e de baixo custo marginal contra contatos pequenos que por vezes escapam ao engajamento cinético clássico ou que não justificam gastar um míssil.

O fato de o ensaio ter ocorrido em escale, com equipe mista, sugere fase de integração e de medição, ainda não o anúncio de capacidade plena de combate permanente. Ainda assim, a escolha do Charles de Gaulle como plataforma de teste envia um sinal industrial e operacional: a Marinha francesa trata a luta antidrone a laser como assunto de primeira linha, não como acessório de navio secundário.

A missão La Fayette 26, com 166 dias no mar e término em 11 de julho, oferece o pano de fundo de uma comissão longa, na qual tripulação e sistemas são submetidos a desgaste real. Encaixar a janela de 4 a 8 de junho para o laser antidrone dentro dessa comissão mostra planejamento: não foi um “tiro de oportunidade” isolado, e sim um item de programa encaixado na agenda do navio.

O relato do Cols Bleus, vehicle oficial, e a leitura do Opex360 fecham o circuito de fonte primária militar e de imprensa especializada de defesa.

Custo por tiro, duração do combate e enxames

O objetivo declarado de reduzir o custo por tiro liga-se diretamente à capacidade de “durar”. Em um cenário de saturação, a defesa que depende só de mísseis caros esgota o paiol. A defesa que combina canhão, mísseis e laser pode escalonar a resposta: o laser para o drone barato e próximo, o canhão para o que resiste ou voa em geometria desfavorável ao feixe, o míssil para o vetor mais rápido ou mais distante.

Essa lógica de camadas é a mesma que marinhas de vários países estudam desde que enxames de drones passaram a aparecer em conflitos recentes e em exercícios. A França, ao testar HELMA-P no Forbin e um sistema laser antidrone no Charles de Gaulle, documenta publicamente que o caminho da energia dirigida saiu do laboratório e entrou no convés.

Sensores, rastreio e o segundo de verdade do engajamento

O laser só é eficaz se o sistema de detecção e de seguimento entregar um ponto de mira estável. Drones de classe I voam baixo, mudam de direção com rapidez e podem ser lançados de terra, de lancha ou de outra aeronave.

O conjunto francês associa o emissor a dispositivos de detecção e de tracking justamente para não desperdiçar potência em um feixe que “dança” fora do alvo. Em mar, o movimento do navio exige estabilização inercial e correção contínua. Nos testes de 2020 e 2021 em terra, essa variável era menor; no Forbin e no Charles de Gaulle, ela é central.

O êxito anunciado no Forbin (“tão performático quanto preciso”) e a repetição do conceito no porta-aviões indicam que a cadeia sensor-laser sobreviveu à transição para o ambiente naval. A presença do sistema nos Jogos de Paris 2024 acrescenta um capítulo terrestre e de segurança de grande evento.

Ali, o problema era proteger estádios e espaços urbanos de drones não autorizados sem recorrer a tiros cinéticos sobre áreas povoadas. O laser, quando empregado com regras estritas e setores de tiro controlados, oferece uma opção de neutralização com menor risco de queda de estilhaços de míssil.

A experiência olímpica e a experiência naval alimentam-se mutuamente: a mesma família de tecnologia HELMA-P aparece nos dois mundos, o que reduz risco industrial e acelera aprendizado de doutrina.

Implicações para frotas que enfrentam o mesmo tipo de ameaça

Marinhas que operam em litorais movimentados, em greves de soberania ou em proteção de infraestruturas no mar observam com atenção qualquer demonstração de laser antidrone a bordo de navio de alto valor. O porta-aviões é o ativo mais simbólico e mais caro de uma esquadra; provar que se pode defendê-lo com energia dirigida contra drones baratos é provar que a assimetria de custo pode ser combatida.

Países com porta-aviões ou com navios-aeródromo em projeto, e também países com fragatas de defesa aérea, acompanham a curva de maturação do HELMA-P e de sistemas equivalentes de outros fabricantes europeus, americanos, israelenses e asiáticos.

O dado francês que importa para esse público é concreto: teste em fragata em 2023, uso em grande evento em 2024, teste em porta-aviões na missão La Fayette 26 com janela em junho e comissão encerrada em 11 de julho após 166 dias no mar.

O que a indústria de lasers militares entrega hoje

A CILAS, responsável pelo desenvolvimento do HELMA-P desde 2017, representa o elo industrial francês entre pesquisa de laser de alta energia e produto militar embarcável.

Armas a laser de dezenas de quilowatts já não são ficção de laboratório; o desafio passou a ser empacotar o emissor, o apontamento, o resfriamento e a segurança de operação em um contêiner ou em um afuste compatível com o convés. Cada quilo e cada quilowatt contam.

No porta-aviões, a energia nuclear de bordo remove parte da restrição elétrica que aflige navios menores a diesel, o que torna o Charles de Gaulle uma plataforma de teste especialmente conveniente. Em fragatas, a gestão de energia é mais apertada e por isso o êxito no Forbin foi celebrado como prova de que o sistema também cabe em escolta.

A reportagem de defesa que circula na França sublinha ainda o caráter de programa L2AD: não se trata de um gadget isolado, e sim de uma linha de luta antidrone com laser como elemento central. Isso implica doutrina de uso, treinamento de operadores, manutenção, estoque de peças ópticas e regras de engajamento claras para não iluminar aeronaves amigas ou plataformas civis.

O teste no Charles de Gaulle, com equipe mista em escale, é exatamente o tipo de atividade em que esses procedimentos são ensaiados longe do holofote de um combate real, porém dentro da rotina de um navio em comissão.

No Brasil, a ameaça de drones e a defesa de superfície ganham outro peso

A Marinha do Brasil acompanha há anos a proliferação de drones comerciais e militares em teatros estrangeiros e o impacto disso sobre navios, plataformas de petróleo e instalações de terra. O litoral brasileiro, a Amazônia Azul e as áreas de exploração offshore concentram ativos fixos e móveis que podem ser filmados, perturbados ou atacados por veículos aéreos baratos.

Soluções cinéticas e de guerra eletrônica já fazem parte do debate de defesa de ponto; a energia dirigida entra na conversa internacional como complemento de baixo custo por engajamento. O caso francês oferece um marco observável, com datas, plataformas nomeadas e um fabricante identificado, sem que seja necessário importar a doutrina pronta.

Qualquer interesse brasileiro futuro em laser antidrone teria de passar por requisitos próprios de clima tropical, de salinidade, de energia disponível em fragatas e corvetas nacionais e de integração com os sensores já embarcados, além de regras de segurança para o tráfego aéreo civil denso perto de grandes cidades costeiras.

Estaleiros, centros de pesquisa e a base industrial de defesa no Brasil já lidam com optrônicos, radares de navegação e sistemas de controle de fogo. Um laser de alta energia exige degrau adicional de potência, de óptica de precisão e de refrigeração. O caminho francês, com anos de teste em terra antes do mar e com uso em evento de segurança antes da rotina de porta-aviões, ilustra a paciência técnica necessária.

Para o leitor brasileiro, o ponto prático é compreender que a “arma a laser” contra drone não é raio instantâneo de cinema: é um sistema de detecção, rastreio, potência e doutrina, medido em segundos de iluminação estável e em custo elétrico, não em estilhaço de ogiva.

Quando a Marinha francesa coloca esse sistema no Charles de Gaulle e registra o fato em seu magazine oficial, ela documenta que a luta antidrone de energia dirigida saiu da promessa e entrou na escala do maior navio da frota.

A conversão desse aprendizado em capacidade brasileira dependeria de decisões orçamentárias, de parcerias industriais e de prioridades de esquadra que não estão anunciadas neste episódio francês.

O que o episódio entrega, e o que esta reportagem registra, é o fato operacional: um sistema de arma a laser antidrone foi testado a bordo do porta-aviões Charles de Gaulle durante a missão La Fayette 26, em continuidade ao HELMA-P já experimentado na fragata Forbin e empregado no entorno dos Jogos de Paris 2024, com o objetivo explícito de baratear o tiro e sustentar a defesa diante de ameaças aéreas leves e numerosas.

Em um tabuleiro no qual drones de classe I custam pouco e mísseis custam muito, o feixe elétrico no convés deixa de ser curiosidade e passa a ser peça de planejamento naval, na França e no radar de quem observa de longe, inclusive no Brasil. O porta-aviões voltou da comissão de 166 dias com mais um item de experiência acumulada em luta antidrone. A fragata Forbin havia aberto o mar para o HELMA-P em 2023. O Charles de Gaulle repetiu a lógica em 2026, em escala de capital ship. Entre um e outro, os Jogos de Paris mostraram a face terrestre da mesma família tecnológica.

O fio condutor é o mesmo: detectar, seguir e depositar energia suficiente no drone para tirá-lo de ação em segundos, sem gastar um míssil a cada contato. Essa é a medida do que foi testado, do que foi dito pelas autoridades francesas e do que a imprensa especializada de defesa registrou.

Para frotas que ainda calibram a resposta a enxames e a voos hostis de baixo custo, o diário de bordo francês oferece datas, nomes de navios e um fabricante, e deixa o restante da corrida industrial e doutrinária em aberto, inclusive para quem defende costa, plataforma e esquadra em águas brasileiras.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/mais/mundo/franca-testa-arma-a-laser-contra-drones-em-seu-maior-porta-avioes-tecnologia-promete-neutralizar-ameacas-em-segundos-sem-gastar-misseis-entenda/

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