Embora reconheça que o cenário fiscal atual é mais desafiador do que em 2022, o banco afirma que a experiência histórica sugere que os investidores costumam se adaptar gradualmente ao novo ambiente político e econômico.
Segundo os estrategistas liderados por Emy Shayo Cherman, o mercado normalmente passa por um período inicial de aversão ao risco após eventos considerados choques, mas acaba construindo uma tese de investimento capaz de recolocar o foco nos fundamentos das empresas e no cenário global. O banco lembra que isso ocorreu após a eleição de 2022, quando houve aceitação das escolhas para a equipe econômica e acomodação das expectativas em relação à condução da política macroeconômica.
Desta vez, porém, o JPMorgan alerta que a situação fiscal é mais frágil e a economia dá sinais de desaceleração, diferentemente do período de recuperação pós-pandemia observado há quatro anos. Ainda assim, os estrategistas afirmam que, com o tempo, os ativos brasileiros tendem a se reconectar aos fundamentos, enquanto o cenário internacional também exercerá papel relevante na formação da próxima narrativa para o mercado.
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O banco também recorreu a episódios de estresse registrados desde o início dos anos 2000 para avaliar o comportamento dos ativos brasileiros. Em média, o Ibovespa recua 17,5% em eventos de choque, mas costuma recuperar os níveis anteriores em cerca de 123 dias. Já o MSCI Brazil apresenta quedas médias de 25,2%, enquanto o real e os juros tendem a levar mais tempo para se normalizar.
As ações preferidas
Em meio à volatilidade, o JPMorgan recomenda uma postura mais defensiva, priorizando empresas com fundamentos considerados resilientes, balanços sólidos, receitas dolarizadas ou atreladas à inflação e menor dependência do ciclo doméstico.
Entre os principais nomes destacados pelo banco estão Smart Fit ( SMFT3 ), RD Saúde ( RADL3 ), Rede D’Or ( RDOR3 ), Hypera ( HYPE3 ), BradSaúde ( SAUD3 ), Eneva ( ENEV3 ), Sabesp ( SBSP3 ), Itaú ( ITUB4 ), BTG Pactual ( BPAC11 ), Santander Brasil ( SANB11 ) e Afya. Também estão na lista Totvs ( TOTS3 ), Suzano ( SUZB3 ), Gerdau ( GGBR4 ) e Vale ( VALE3 ).
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Apesar da cautela com o desempenho agregado dos ativos brasileiros, o banco ressalta que algumas empresas podem apresentar desempenho relativo superior nos próximos meses
Já a Vale aparece entre as preferidas devido aos benefícios da depreciação do real, à sólida produção de minério de ferro, à redução de custos e à diminuição das incertezas relacionadas ao caso Mariana.
As menos preferidas
Por outro lado, o JPMorgan evita ações classificadas como de “longa duração” e companhias mais expostas ao ciclo doméstico, que tendem a sofrer mais em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
Entre as ações com recomendação equivalente a venda ou abaixo do mercado estão Magazine Luiza ( MGLU3 ), Pague Menos ( PGMN3 ), Assaí ( ASAI3 ), Azul ( AZUL3 ) e Cyrela ( CYRE3 ).
Na visão do banco, essas companhias apresentam maior sensibilidade ao custo de capital, às condições de consumo doméstico ou a revisões de expectativas, fatores que podem continuar pressionando o desempenho dos papéis caso o cenário de juros elevados e incertezas fiscais persista.
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