Suspeita de viagem para a Argentina e aviso ao ‘núcleo duro’

A suspeita de que o senador teria deixado o território nacional foi veiculada pela imprensa argentina. Interlocutores políticos também indicaram que ele pretendia seguir para Puerto Iguazú, na Argentina, de onde viajaria em um voo privado rumo aos Estados Unidos. Segundo apuração da Folha de São Paulo, apenas integrantes do “núcleo duro” do parlamentar e duas pessoas próximas haviam recebido essa informação, pegando a maior parte dos aliados de surpresa.

Apesar dos relatos, a assessoria do senador nega que ele tenha viajado ao exterior. Além disso, o Ministério da Segurança do governo da Argentina informou formalmente que não há registro de entrada ou de pedido de ingresso de Flávio Bolsonaro no país vizinho.

PF aciona autoridades argentinas e checa fronteiras

Diante dos boatos e da constatação de que não consta registro de passagem do parlamentar por postos regulares de controle migratório no Brasil, a Polícia Federal acionou as autoridades argentinas para verificar os registros de fronteira.

Com o esgotamento do prazo e o não comparecimento do senador, a PF oficiará o gabinete do ministro Alexandre de Moraes comunicando o descumprimento da ordem judicial e a efetivação das restrições aos passaportes nos sistemas internacionais de migração.

Defesa sem contato e pressão de aliados por respostas

A situação se agravou com a revelação de que os próprios advogados de Flávio Bolsonaro não conseguiram contato com o senador ao longo da manhã, o que impediu o cumprimento da entrega combinada dos documentos.

O “sumiço” do senador gerou incômodo e desgaste entre lideranças do Partido Liberal (PL). Aliados políticos passaram a cobrar publicamente que o parlamentar grave um vídeo ou publique uma nota oficial esclarecendo seu paradeiro, avaliando que a falta de respostas e as especulações de fuga trazem prejuízos à imagem do movimento político.

Investigações no STF

A ordem de retenção dos passaportes foi emitida no âmbito do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Além desse processo, Flávio Bolsonaro responde a outras frentes de investigação no Supremo Tribunal Federal, incluindo o inquérito do caso Dark Horse , que apura repasses de R$ 61 milhões para o financiamento de uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.