O dióxido de carbono (CO₂) chegou a 426,8 partes por milhão, enquanto o metano e o óxido nitroso também atingiram máximas históricas. A OMM prevê que a concentração de CO₂ continuará aumentando em 2026.

A OMM prevê que a concentração de CO₂ continuará aumentando em 2026, impulsionada pelo uso de combustíveis fósseis. – Imagem: PitukTV/Shutterstock

CO₂ se acumula em ritmo acelerado

Em 2025, a concentração média global de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão (ppm), equivalente a 153% do nível registrado em 1750, antes da industrialização. Isso significa que aproximadamente 427 de cada milhão de moléculas presentes no ar eram de CO₂.

O aumento em relação a 2024 foi de 2,8 ppm. Embora menor que no ano anterior, o avanço mantém a concentração em níveis elevados. Desde a década de 1960, o ritmo de crescimento do gás na atmosfera triplicou: passou de uma média de 0,8 ppm por ano naquele período para 2,4 ppm anuais entre 2011 e 2020. Em 2004, quando a OMM começou a publicar seu boletim sobre gases de efeito estufa, a concentração global era de 377,5 ppm.

“Mais um ano, mais um novo recorde. Os gases de efeito estufa estão retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, fornecendo energia para fenômenos meteorológicos mais extremos e aumentando os riscos para nossas economias e sociedades”, afirmou Ko Barrett, vice-secretária-geral da OMM.

Metano e óxido nitroso também atingem recordes

O metano alcançou 1.948 partes por bilhão (ppb) em 2025, equivalente a 267% do nível pré-industrial. Cerca de 65% das emissões desse gás têm origem em atividades humanas, e ele responde por aproximadamente 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração.

Entre as principais fontes de metano estão:

Criação de gado;

Cultivo de arroz;

Exploração de combustíveis fósseis;

Queima de vegetação.

O óxido nitroso também atingiu uma marca inédita: 339,1 ppb, concentração 26% superior à registrada em 1750. O gás é liberado por processos naturais e por atividades humanas, especialmente pelo uso de fertilizantes na agricultura, pela queima de vegetação e por determinados processos industriais.

A OMM alerta que o aumento contínuo de poluentes eleva a retenção de calor e alimenta eventos extremos. – Imagem: Pelizzeri/Shuttrestock

Oceanos e florestas podem absorver menos carbono

Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que o efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração aumentou 56% entre 1990 e 2025. O CO₂ respondeu por aproximadamente 81% desse crescimento.

Cerca de metade do dióxido de carbono emitido anualmente permanece na atmosfera. O restante é absorvido pelos oceanos e pelos ecossistemas terrestres, como as florestas. Essa capacidade varia conforme as condições climáticas.

A OMM atribui o crescimento mais moderado da concentração de CO₂ entre 2024 e 2025 à recuperação da absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à redução das emissões provocadas por incêndios florestais. Nos dois anos anteriores, o El Niño favoreceu condições mais secas, prejudicando a vegetação e contribuindo para a ocorrência de incêndios.

“O crescimento mais moderado entre 2024 e 2025 reflete a recuperação da capacidade de absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e a redução das emissões provocadas por incêndios em 2025, após o forte El Niño de 2023 e 2024”, explicou Oksana Tarasova, cientista da OMM.

A especialista ressaltou, porém, que a desaceleração não significa uma redução do carbono acumulado na atmosfera. “Um aumento anual de 2,8 ppm ainda representa uma quantidade significativa de carbono adicionada à atmosfera pela queima de combustíveis fósseis”, afirmou.

A OMM prevê que a concentração de CO₂ continuará aumentando em 2026, impulsionada pelo uso de combustíveis fósseis e pela possibilidade de um El Niño intenso. A agência também alerta que as mudanças climáticas podem reduzir a capacidade dos oceanos de absorver o gás, fazendo com que uma parcela maior permaneça na atmosfera.

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