Com base em dados de toda a população adulta do país, a pesquisa apontou incidência geral de câncer 12% maior entre homens com DM2 e 22% entre as mulheres com DM2 em comparação às pessoas sem a doença no período mais recente (2010 a 2022). No período anterior (1996 a 2009), as diferenças correspondentes foram de 9% e 15%.
“Nossos resultados reforçam a crescente incidência de câncer entre pessoas com diabetes tipo 2 e destacam a necessidade de priorizar a prevenção e a detecção precoce do câncer como parte do cuidado a longo prazo do diabetes. Isso é especialmente importante para os cânceres comuns relacionados com a obesidade , como o câncer colorretal e o câncer da mama pós-menopausa, para os quais já existem programas de rastreio em muitos países”, disse Tinne Laurberg, do Centro de Diabetes Steno Aarhus, Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, que liderou a pesquisa.
Ainda segundo o estudo, na última década, o câncer tornou-se a principal causa de morte entre pessoas com diabetes tipo 2 na Dinamarca e em outros países de alta renda.
“Vários estudos já apontavam para essa associação [entre câncer e diabetes], mas não identificavam quais os tipos específicos de câncer, não havia separação por sexo e nem dados de tendência em longo prazo”, explica Fernando Valente, endocrinologista e coordenador do Departamento de Educação em Diabetes e Campanhas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que também acompanhou o congresso.
Qual a relação entre câncer e diabetes?
A ligação entre o diabetes tipo 2 e o câncer ocorre por mecanismos diretos e indiretos . Segundo Valente, os indiretos são os fatores de risco compartilhados entre as duas doenças, como obesidade, sedentarismo, tabagismo e envelhecimento .
“Mas o DM2 também aumenta diretamente o risco de câncer por diversos meios: pela inflamação crônica de baixo grau, pela elevação crônica do açúcar no sangue (hiperglicemia) e pelo excesso de produção de insulina compensatória à resistência à insulina . A insulina é um hormônio anabólico, isto é, é um mensageiro químico para a célula crescer, multiplicar e armazenar energia. Esse efeito é desejável e funciona muito bem quando pensamos em uma célula muscular, mas não para uma célula maligna escondida. Além disso, pessoas com diabetes são menos rastreadas para câncer em comparação às sem diabetes”, explica.
Além disso, pessoas com diabetes têm um risco maior de morte por quase todos os tipos de câncer . De acordo com o especialista, as associações mais comuns são com câncer de fígado , pâncreas , rim , colorretal e mama (principalmente após os 50 anos). “Também existe associação do DM2 com o câncer de pulmão , que é um câncer não relacionado à obesidade.”
Como rastrear e reduzir o risco de câncer em pacientes com DM2
Segundo o endocrinologista, é fundamental identificar precocemente o câncer atentando-se tanto para os possíveis sintomas relacionados aos cânceres como para a realização sistemática de exames de rastreamento de cânceres nessa população , como mamografia , colonoscopia , ultrassom de abdômen e exames ginecológicos e urológicos.
Para reduzir o risco da doença, as orientações incluem:
não fumar ;
praticar atividade física;
manter uma alimentação saudável;
tratar o excesso de peso;
atingir e manter valores de glicose próximos do normal;
fazer visitas regulares ao médico.
“ O tipo de medicamento também importa : medicamentos que tratem o diabetes e também a obesidade têm potencial para reduzir o risco de cânceres”, conclui Valente.
A jornalista viajou para o evento a convite da Novo Nordisk.
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