Operação de saída e comunicação ao governo norte-americano
A saída do país foi estruturada de última hora por um grupo restrito de interlocutores no Brasil e nos Estados Unidos para evitar o vazamento das informações. Enquanto apoiadores em solo brasileiro atuaram na operacionalização da saída, a rede de contatos nos EUA auxiliou na garantia de entrada em território americano, tendo inclusive comunicado previamente o governo de Donald Trump sobre a chegada do senador.
Em solo norte-americano, a previsão é de que Flávio desembarque pelo estado da Flórida, onde deverá ser recebido por apoiadores bolsonaristas e encontrar seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Conselhos ignorados e mal-estar entre aliados
A decisão de viajar ocorreu na contramão das orientações prestadas por seus próprios aliados de campanha. Em reunião realizada na tarde de segunda-feira (26) em Brasília, o parlamentar havia sido aconselhado a permanecer no Brasil para não prejudicar a imagem da oposição e a focar na liderança do grupo político no Congresso Nacional. Na ocasião, ele gravou um vídeo prometendo organizar a bancada oposicionista no Senado e na Câmara.
A concretização da viagem gerou desgaste entre correligionários, sendo classificada por integrantes do seu entorno como “inaceitável”. Diante da necessidade de reorganização da oposição após a derrota eleitoral, aliados expressaram preocupação com o futuro da articulação do grupo, avaliando que “o barco fica sem capitão”.
Cancelamento de passaportes e investigações da PF
Após o término do prazo fixado pelo STF para a entrega voluntária dos documentos de viagem, a Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro nos sistemas de migração. Antes da confirmação da ida aos EUA, o governo brasileiro havia acionado autoridades da Argentina para checar relatos de que o senador teria cruzado a fronteira em um voo privado.
No STF, Flávio responde a dois inquéritos conduzidos pela Polícia Federal: um apura o financiamento do filme Dark Horse com recursos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro; o outro investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento em parceria com o advogado Willer Tomaz. O parlamentar nega qualquer irregularidade.

