A novidade reforça a aposta da operadora na expansão da cobertura em regiões remotas e pode fortalecer sua posição competitiva no mercado brasileiro de telecomunicações.
A tecnologia, conhecida como Device-to-Device (D2D), funciona sem necessidade de antenas externas ou equipamentos adicionais, conectando aparelhos 4G e 5G diretamente à rede da Starlink. Inicialmente, o serviço permitirá o envio de mensagens de texto e áudio, uso de aplicativos de navegação e compartilhamento de localização, enquanto serviços de maior consumo de dados, como videochamadas e navegação ampla na internet, permanecerão limitados.
A Vivo informou que o serviço será oferecido gratuitamente por 12 meses para clientes pessoa física e por três meses para clientes corporativos, contemplando usuários de planos pós-pagos, Controle, Vivo Lite e pré-pagos com recargas acima de R$ 30.
Para o Goldman Sachs, a parceria é estrategicamente positiva para a operadora. Os analistas destacam que a Vivo já alcança cerca de 98% da população brasileira, mas a cobertura em áreas rurais, remotas e corredores logísticos ainda é limitada devido ao alto custo de implantação de infraestrutura terrestre. Com o acordo, a companhia poderá ampliar sua presença para virtualmente todo o território nacional sem necessidade de investimentos significativos adicionais.
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Segundo o banco, a iniciativa ajuda a reforçar o posicionamento premium da Vivo e pode contribuir para reduzir a evasão de clientes de maior valor, especialmente no segmento pós-pago. O Goldman também avalia que uma eventual aproximação estratégica com a Starlink pode colocar a operadora em posição privilegiada para futuras iniciativas da empresa de Elon Musk no Brasil, embora não espere impacto financeiro relevante no curto prazo.
A visão do Bradesco BBI segue a mesma linha, classificando o anúncio como positivo tanto para a Vivo quanto para o setor de telecomunicações, ressaltando que a companhia se torna a primeira grande operadora do país a lançar um serviço desse tipo. A avaliação é de que a solução poderá apoiar reajustes de preços e a migração dos clientes para planos de maior valor agregado no futuro.
O BBI também vê potencial para redução de investimentos em infraestrutura ao longo dos próximos anos, uma vez que a cobertura via satélite poderia diminuir a necessidade de expansão da rede móvel em regiões de baixa densidade populacional. Atualmente, a Vivo cobre aproximadamente 98% da população brasileira, mas apenas cerca de 15% do território nacional.
Apesar do otimismo com a parceria, os analistas ressaltam que a conectividade via satélite deve complementar, e não substituir, as redes móveis tradicionais. A corretora lembra que limitações regulatórias, escassez de espectro e o menor nível de receita por usuário no Brasil tornam pouco provável que a Starlink se transforme em uma concorrente direta das operadoras incumbentes no país.
Mesmo após destacar os benefícios estratégicos do acordo, o Goldman Sachs manteve recomendação de venda para as ações da Vivo, com preço-alvo de R$ 34 para os próximos 12 meses, o que representa potencial de valorização de cerca de 10,8% em relação ao fechamento de 26 de outubro.
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