# Objetivo do Lula 4 é ser Lula 1, mas precisa desarmar bomba fiscal, diz Silvia Matos

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/ajuste-fiscal-governo-lula-fgv/)
- Publicado em: 2026-10-27T19:12:36.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1389017-objetivo-do-lula-4-e-ser-lula-1-mas-precisa-desarmar-bomba-fiscal-diz-silvia

> O resultado das urnas deu ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a continuidade de governo, mas com o sinal de que a política econômica está em xeque. A disputa acirrada e os votos direcionados ao adversário dão o recado de que…

Na análise da economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE na FGV , Lula terá que ser muito pragmático e buscar nomes para os ministérios que tragam confiança ao mercado.

&#8220;O objetivo do Lula 4 é ser Lula 1. Não precisa inventar nada&#8221;, afirma, se referindo à gestão de Lula entre 2003 e 2006, quando houve o compromisso de responsabilidade fiscal já no período de transição. &#8220;Ficou claro que a vitória do PT não é uma vitória endossando a política econômica do PT. Metade da população faz uma avaliação muito ruim da economia&#8221;, afirma Matos.

Em entrevista, a economista traçou um panorama dos desafios da nova gestão. Para ela, o governo eleito precisará promover um severo ajuste de rota para escapar de uma recessão e de uma crise de popularidade, formando uma equipe econômica técnica, autônoma e com forte capacidade de diálogo.

Desaceleração e inflação

A economia nacional está, atualmente, em um ciclo de desaceleração da atividade, inflação em alta e taxas de juros elevadas.

Segundo a economista da FGV, o governo assumirá uma herança fiscal difícil, agravada pelos esforços de gastos realizados durante o período eleitoral.

O Brasil lida hoje com um orçamento público extremamente rígido, em que os gastos obrigatórios consomem a maior parte dos recursos, além de ter uma dívida elevada e um Congresso Nacional dividido e propenso ao populismo fiscal, que, segundo ela, tornou-se &#8220;ecumênico&#8221; ao unir esquerda e direita na busca por fatias do orçamento.

&#8220;O Congresso, apesar de ser de direita, tem se mostrado com uma capacidade enorme de fazer populismo fiscal, que está sendo ecumênico. É de esquerda e de direita. E isso está levando a uma falta de espaço para orçamento público&#8221;, diz.

Preços pressionados pelo contexto internacional

Esse cenário interno já complexo esbarra em um contexto internacional altamente desfavorável.

O mundo enfrenta um momento de incerteza econômica significativa, com taxas de juros reais muito elevadas em diversos países, além dos conflitos geopolíticos que elevam os custos de matérias-primas.

Essa conjuntura externa pressiona a inflação no Brasil e cria uma barreira enorme para que o Banco Central consiga reduzir a taxa básica de juros, a Selic.

Com o câmbio e os juros subindo, a pressão recai inteiramente sobre a necessidade de estabilização das contas públicas internas.

Para evitar que a economia entre em colapso, Silvia Matos destaca a urgência de uma mudança de rumo na política fiscal , aproximando-se da ortodoxia.

O país vive o que ela classifica como uma &#8220;bomba fiscal&#8221; prestes a estourar, o que exige a criação de regras rigorosas capazes de gerar superávits primários consistentes ao longo do tempo.

&#8220;A gente precisa ter uma ponte para o futuro. E hoje o que a gente tem? A gente não tem essa ponte para o futuro, a gente só tem uma bomba fiscal que está estourando&#8221;, avalia.

Revisar gastos antes de cortar

Para a economista, o ajuste fiscal não deve ser feito de forma cega, mas sim com revisão da qualidade dos gastos.

Ela avalia que o Estado brasileiro encontra-se fragilizado pelas constantes pressões de grupos de interesse, concedendo benefícios e isenções tributárias para setores que não precisam desse apoio público.

&#8220;O Brasil resolveu ter um estado de bem-estar para todo mundo antes de ter dinheiro&#8221;, afirma a economista, criticando as isenções concedidas à elite e os gastos fora do teto.

Como exemplo, cita a tentativa do ex-candidato Flávio Bolsonaro (PL) de reavivar programas como o Perse para áreas de entretenimento, o que considera &#8220;inaceitável&#8221; diante da carência de recursos para políticas públicas essenciais, como saúde e educação.

Para ela, o crescimento econômico sustentável só ocorrerá se o governo focar em investimentos que gerem resultados positivos reais — como infraestrutura, saneamento básico e educação —, abandonando a ilusão de que injetar dinheiro indiscriminadamente na economia, num momento de juros altos, trará prosperidade.

&#8220;O fiscal não foi feito para estimular a economia quando você tem juro alto. Se você não tem dinheiro, você não vai fazer política fiscal, política social, porque vai gerar mais demanda. E, com menos crescimento, arrecada menos&#8221;, afirma.

Acenos ao mercado: os nomes de peso para a economia

A credibilidade da nova gestão dependerá diretamente de quem estará no comando da equipe econômica.

O mercado exige um ministro que tenha poder de decisão, perfil reformista e ampla autonomia para barrar pressões políticas, nos moldes do que representaram Antonio Palocci e Henrique Meirelles no passado.

&#8220;Você não faz revolução, ministro não pode ser revolucionário.Tem que ser reformista, saber como comprar as brigas, que brigas e ser político e humilde também com as pessoas. Porque, se você for arrogante, você não vai conseguir”, diz.

Para acalmar os ânimos dos investidores e da sociedade, Silvia Matos aponta que o governo deveria se aproximar de lideranças de centro e centro-esquerda que já demonstraram na prática que é possível aliar responsabilidade fiscal e políticas sociais eficientes.

Entre eles, destaca a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin, fundamentada nas premissas de &#8220;previsibilidade, sustentabilidade e credibilidade&#8221;.

Entre os governadores, os nomes de Camilo Santana (PT-CE) e Rafael Fonteles (PT-PI) são elogiados por manterem as contas estaduais ajustadas enquanto promovem revoluções em áreas sociais, tecnológicas e educacionais, segundo Matos.

Outros nomes citados que trariam estabilidade e boa recepção incluem políticos moderados e com perfil de boa gestão, como Eduardo Paes (PSD-RJ), Eduardo Leite (PSD-RS), Paulo Hartung (PSD-ES), João Campos (PSB-PE) e o dirigente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que, por sua influência em prefeituras pelo país, poderia garantir sustentação política ao governo.

A entrada na OCDE como salvação institucional

O ajuste de contas, na avaliação de Silvia Matos, seria mais efetivo se houvesse regras e normas a serem seguidas para além de propostas de governo.

Ela defende que o Brasil precisa se apoiar em mecanismos externos para blindar o próprio orçamento contra as falhas políticas internas. A solução mais robusta para garantir a governança estrutural seria a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para entrar na OCDE, o país precisa seguir uma série de regras, que incluem áreas como economia, meio ambiente, ações anticorrupção, tributação e governança.

Isso colocaria o Brasil sob rigorosos procedimentos de avaliação, como os processos de &#8220;spending review&#8221; (revisão contínua de gastos baseada em evidências) e a criação de comissões de produtividade.

Além de proteger os recursos públicos contra interesses fisiológicos, a adesão ao bloco seria um selo de garantia para destravar a entrada de grandes fundos de investimento estrangeiros no país, que hoje esbarram na falta de segurança jurídica e fiscal do Brasil.

Transformar a gestão do orçamento em uma política de Estado, e não de governo, é, de acordo com a análise, a única rota sustentável para o sucesso financeiro e social desta nova gestão.

The post Objetivo do Lula 4 é ser Lula 1, mas precisa desarmar bomba fiscal, diz Silvia Matos appeared first on InfoMoney .

Reportagem completa: https://www.infomoney.com.br/economia/ajuste-fiscal-governo-lula-fgv/

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.