A empresa também apresentou o HTML-in-Canvas, tecnologia que permite inserir páginas interativas da web em ambientes 2D e 3D. Enquanto o WebAI aposta no processamento local, a segunda novidade abre novas possibilidades para experiências digitais, especialmente em jogos.

Com o processamento local, as informações podem permanecer no dispositivo, dependendo do funcionamento da aplicação. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

WebAI leva a inteligência artificial para o computador

O WebAI permite gerar textos, classificar conteúdos e identificar relações entre informações diretamente no navegador . Para os desenvolvedores, isso significa criar ferramentas com inteligência artificial sem precisar manter uma infraestrutura própria ou pagar por cada solicitação enviada a serviços externos.

Como o processamento ocorre no dispositivo, as informações manipuladas pelos modelos podem permanecer no computador. A tecnologia utiliza modelos de pesos abertos, que permitem acesso aos parâmetros e possibilidades de adaptação conforme as condições de suas licenças. A implementação da Opera não depende de um único fornecedor.

“Grande parte do que as pessoas querem fazer com IA não precisa de um data center . Seu laptop já consegue fazer isso, sem enviar seus dados para lugar nenhum”, afirmou Krystian Kolondra, vice-presidente executivo de navegadores e IA da Opera.

Na prática, extensões baseadas nessa tecnologia podem oferecer recursos como:

Agrupar abas por assunto ou finalidade.

Identificar títulos sensacionalistas antes de o usuário abrir uma página.

Destacar oportunidades de emprego relevantes durante a navegação.

Aproximar visualmente frases semelhantes de um artigo, criando composições animadas.

A última possibilidade já aparece em uma extensão de demonstração disponibilizada pela empresa.

Quem pode usar o WebAI

O recurso está disponível como prévia experimental no Opera One e precisa ser ativado pelo usuário. Os modelos só são baixados após essa autorização, e permissões específicas permitem escolher quais sites podem acessar a IA local.

A versão atual funciona em computadores com Windows de 64 bits e processadores Intel ou AMD, além de Macs com chips Apple Silicon. A Opera pretende levar a tecnologia ao Opera GX, voltado ao público gamer, e ao Opera Neon, que utiliza agentes de IA para executar tarefas.

Há uma limitação importante: a velocidade depende do hardware, já que os modelos são executados no próprio dispositivo. A empresa também planeja disponibilizar novos modelos otimizados para diferentes computadores.

Após a estreia no Opera One, os recursos de processamento local chegarão em breve aos navegadores GX e Neon. – Imagem: Koshiro K/Shutterstock

HTML-in-Canvas coloca páginas da web em ambientes 3D

A outra novidade permite inserir páginas reais em cenários bidimensionais e tridimensionais. Menus, botões e formulários continuam funcionando e podem acompanhar os movimentos do ambiente. Para desenvolver essas experiências, os programadores podem utilizar HTML e CSS, tecnologias já conhecidas no desenvolvimento web.

“Você pode pegar uma página real da web e jogá-la em um mundo 3D, e tudo continua funcionando: botões, texto, menus, tudo”, explicou Maciej Kocemba, diretor de produto do Opera GX.

A Opera apresentou duas demonstrações da tecnologia. No Webpage Bulldozer, elementos de uma página se transformam em objetos físicos. Já o Gamer Room simula uma sala tridimensional com páginas interativas exibidas nas telas.

As demonstrações do HTML-in-Canvas funcionam nos navegadores da Opera sem configuração adicional. O WebAI, por sua vez, continua em fase de testes e depende de ativação manual.

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