O partido terá 29 senadores a partir de 2027, a maior bancada da Casa legislativa.

De um lado, ala mais ideológica dos eleitos defende que tirar Alcolumbre da presidência do Senado é essencial para conseguir avançar com os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente Alexandre de Moraes

Outros quadros da legenda, no entanto, alertam para o risco de o partido perder uma eventual disputa e acabar sem espaço nas comissões e na Mesa Diretora do Senado.

Agora no g1

Em 2023, o próprio Rogério Marinho enfrentou o hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Rodrigo Pacheco, e foi derrotado por 49 votos a 32. A consequência foi o PL, mesmo tendo a segunda maior bancada, ficar sem o comando de nenhuma comissão e sem espaço na Mesa Diretora durante aquele biênio.

Pacheco foi reeleito presidente do Senado em 2023

Jefferson Rudy/Agência Senado

A bancada de senadores do PL deve se reunir na próxima quarta-feira (4) para definir se lançará ou não uma candidatura para concorrer contra Alcolumbre em fevereiro.

O senador Efraim Filho (PL-PB) defende que o partido tenha cautela e avalie bem o cenário antes de entrar numa disputa com Alcolumbre.

"Você tem que fazer essa avaliação de todos os cenários. Para ir e marcar posição, como foi no passado, tem que avaliar o desdobramento disso durante os dois anos. Essa é a hora de serenidade. Olhar, fazer conta e depois decidir a melhor estratégia", declarou Efraim.

Senador Efraim Filho (PL-PB), ao lado do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP)

Jonas Pereira/Agência Senado

Um outro parlamentar, ouvido sob sigilo pelo g1, foi na mesma linha de Efraim e alertou para o risco de o partido ficar com a maior bancada e uma oposição esvaziada.

"Tem que avaliar direitinho para não ter esse erro. Ficar sem nada é pior. Porque aí fica uma oposição grande no Senado, mas sem espaço, sem voz, sem nada. Vale a pena o risco?", questionou.

Impeachments são prioridades

Em outra frente, o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), argumenta que o partido tem que ir para o enfrentamento, principalmente após a decisão de Alexandre de Moraes para cancelar e confiscar os passaportes de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no último domingo (25).

"Quero que o espaço se exploda. É algo muito mais grave que estamos vivendo. É a democracia que está em jogo", afirmou o parlamentar.

Como mostrou o g1, Alcolumbre já vinha articulando sua continuidade na presidência do Senado independente de quem saísse vitorioso da eleição presidencial.

Uma das principais estratégias era justamente rachar os votos da bancada do PL. Uma das medidas seria entregar ao partido, na figura do vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), a relatoria do projeto de Lei Orçamentária de 2027.

A candidatura de Alcolumbre ganhou ainda mais força após a vitória de Lula no último domingo. Nesta terça-feira (27), a federação formada por União Brasil e PP declarou apoio à reeleição de Alcolumbre, movimento que pode ser seguido por outros partidos do chamado Centrão.