Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,51%, a 175.710,05 pontos, mas chegou a 178.526,08 pontos na máxima do dia. Na mínima, marcou 175.130,23 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 72,23 bilhões.

Na segunda-feira, o Ibovespa caiu quase 14%, na maior queda desde 2020, após a reeleição de Lula contrariar expectativas no mercado de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível agenda mais favorável a um ajuste fiscal.

Levantamento da Elos Ayta apurou que as empresas listadas na B3 perderam um valor de mercado consolidado de R$ 734 bilhões na véspera.

Ibovespa tem nova baixa após tombo da véspera; dólar perde 1%, a R$ 5,35

Índices nos EUA fecha no azul, na véspera da decisão sobre juros pelo Fed

Agentes financeiros atribuíram o movimento de segunda-feira ao desmonte de posições que apostavam na vitória de Flávio, não necessariamente a fundamentos, mas apontaram aumento de incertezas sobre as perspectivas fiscais do país.

Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira mais cedo que reafirmou a Lula a necessidade de dar uma sinalização propositiva ao mercado e que o governo já tem medidas prontas para apresentação, incluindo a que permite a busca do centro da meta fiscal.

A declaração não foi suficiente para uma melhora mais sólida, com investidores preferindo esperar para ver os planos para o quarto mandato de Lula.

De acordo com o analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, a performance do Ibovespa nesta sessão mostra que o ambiente segue volátil e marcado por incertezas.

“O foco dos investidores agora se desloca da eleição para a condução da política econômica. O mercado aguarda, sobretudo, a definição do nome para o Ministério da Fazenda e algum sinal concreto do governo de compromisso com o equilíbrio das contas públicas”, afirmou.

Na visão de Villela, enquanto essa sinalização não vier, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada, com os preços bastante sensíveis a cada notícia vinda de Brasília.

• VALE ON ( VALE3 ) recuou 2,14%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,9%. Também no radar está o balanço da mineradora do terceiro trimestre, previsto para quinta-feira, após o fechamento do mercado.

• PETROBRAS PN ( PETR4 ) caiu 2,02%, com a fraqueza do petróleo no exterior também no radar. O barril do Brent fechou em queda de 1,8%, a US$ 113,88. O Goldman Sachs prevê que a Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) deverá manter os preços do diesel vendido a distribuidoras inalterados até o fim do ano, após o governo brasileiro ter decidido prorrogar por mais 30 dias os subsídios ao combustível.

• BANCO DO BRASIL ON ( BBAS3 ) fechou em queda de 0,52%, sem conseguir sustentar o sinal positivo que apresentou em parte da sessão, chegando a uma alta de 4,8% no melhor momento. Na véspera, o papel encerrou o dia com um tombo de mais de 29%. BRADESCO PN ( BBDC4 ) terminou com decréscimo de 1,38%, ITAÚ UNIBANCO PN ( ITUB4 ) perdeu 1,22% e SANTANDER BRASIL UNIT ( SANB11 ) caiu 1,63%. BTG PACTUAL UNIT ( BPAC11 ) subiu 0,42%. O Citi rebaixou as ações do Banco do Brasil ( BBAS3 ) para venda e do Bradesco ( BBDC4 ) para neutra, enquanto manteve Itaú ( ITUB4 ) e BTG Pactual ( BPAC11 ) com recomendação de compra.

Após tombo na véspera, Magalu, Hapvida e construtoras lideram recuperação na Bolsa

O movimento ocorre um dia após uma forte correção dessas companhias na B3

• B3 ON ( B3SA3 ) avançou 2,19%, em sessão de ajustes, embora tenha arrefecido em relação à máxima do dia (+4,71%). Na véspera, a ação fechou com um tombo superior a 36,28%, após afundar quase 50% no pior momento.

• MAGAZINE LUIZA ON ( MGLU3 ) saltou 8,49%, em dia de correção, após afundar mais de 58% na segunda-feira.

• TENDA ON ( TEND3 ) subiu 10,2%, também em movimento de ajuste, assim como DIRECIONAL ON ( DIRR3 ), que fechou com elevação de 5,35%, endossadas ainda por relatório do JPMorgan, que elevou a recomendação de ambos os papéis para overweight . CURY ON ( CURY3 ), que também teve upgrade , avançou 3,55%. Na contramão, MRV&CO ON ( MRVE3 ) recuou 5,71%, CYRELA ON ( CYRE3 ) caiu 3,16% e EZTEC ON ( EZTC3 ), que não faz parte do Ibovespa, perdeu 6,25%. O JPMorgan manteve MRV&Co ( MRVE3 ) com recomendação neutra, mesma classificação que agora estabeleceu para Cyrela ( CYRE3 ) e Eztec ( EZTC3 ), que eram overweight .

• GERDAU PN ( GGBR4 ) caiu 2,75%, em pregão negativo no setor siderúrgico, com investidores também analisando o balanço da companhia no terceiro trimestre, que mostrou lucro líquido ajustado de R$ 1,52 bilhão, alta de 39,7% ano a ano. O vice-presidente financeiro do grupo, Rafael Japur, disse nesta terça-feira que a principal operação da Gerdau ( GGBR4 ), a América do Norte, deve ter volumes de venda menores no quarto trimestre, mas margem de lucro operacional estável na comparação trimestral.

• BRASKEM PNA ( BRKM5 ), que não faz parte do Ibovespa, disparou 16,35%, também recuperando-se de fortes perdas na véspera. No sábado, a petroquímica informou que, após diversas reuniões com seus principais acionistas e investidores, nenhuma das propostas relacionadas ao plano de recuperação extrajudicial foi aceita e as partes ainda não chegaram a um acordo quanto aos termos de uma reestruturação de dívidas da ordem de US$ 10,9 bilhões. No entanto, afirmou que as negociações foram prorrogadas até 30 de outubro.

The post Ibovespa tem queda modesta em dia de acomodação após tombo; incertezas persistem appeared first on InfoMoney .