Antes, quando a busca na internet era por palavra-chave, o interessado em saber mais sobre determinado modelo em que estava interessado, um SUV médio, por exemplo, deveria pesquisar “ SUV médio ” ou o nome do modelo pretendido e analisar as informações fornecidas, vindas dos diferentes produtores de conteúdo, de certo modo aleatórios. Agora, a pessoa pode contar com o suporte da IA, para receber informação apurada, conseguindo até fazer uma busca mais profunda e detalhada, segundo sua necessidade. Em vez de simplesmente pesquisar por “SUV médio”, é possível buscar algo como “SUV médio, com recursos ADAS , custando até R$ 250.000”. A IA apresentará as opções que existem no mercado, tomando o cuidado de consultar fontes com boa reputação na rede (e informando para o usuário quais são essas fontes).

Segundo Lara Guedes, head de mobilidade e entretenimento do Google, a IA mudou a jornada do consumidor de carros, que passou a decidir com mais consciência e segurança. E, ao contrário do que muitos imaginavam, não encurtou o tempo de tomada de decisão. Na verdade, a IA ampliou a pesquisa, e muito, de acordo com a especialista.

“Existia muito burburinho nessa direção”, diz Lara. “Falavam: ‘Agora com a IA, o cara pensou e, em uma semana, decidiu comprar o carro’”. “Não é verdade.” Pelo menos, por enquanto, a IA não dá a resposta pronta para o usuário.

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O que acontece é que entre a primeira consulta e o fechamento do negócio, o consumidor está pesquisando mais e aprofundando o seu conhecimento a respeito do carro desejado, antes de decidir, procurar o modelo em uma concessionária ou em um classificado.

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Lara menciona um exemplo real de um comprador que perguntou à Gemini, a IA do Google, “qual o hatch com muita tecnologia, até R$ 120.000, eu consigo comprar?” e com o nome de um carro identificado pela IA, seguiu a pesquisa sobre esse carro no site da montadora, onde ficou sabendo de uma nova tecnologia que o modelo trazia e ele não conhecia. Com essa informação, o comprador decidiu pesquisar sobre a nova tecnologia em outro site, descobrindo que o recurso também era oferecido por um hatch de outra marca. Voltou à IA e pediu um comparativo entre vários modelos do mesmo segmento. E a pesquisa seguiu até o cliente se dar por satisfeito.

A base de dados confiáveis das IAs inclui publicações especializadas, artigos científicos, portais de notícias e livros digitalizados, entre outras fontes. Informações divulgadas por canais considerados de alta autoridade, como portais acadêmicos, ganham maior peso estatístico do que blogs pessoais, por exemplo. Páginas que trazem conteúdos duplicados e conteúdos reconhecidamente falsos são automaticamente desconsideradas.

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Como as plataformas aceitam todos os conteúdos independentemente da reputação desses criadores, a IA é uma ferramenta importante nas pesquisas. Se no dia a dia, não faz sentido pedir o auxílio das IAs para tudo, sabendo como as IAs agem, os internautas podem se precaver, escolhendo fontes confiáveis de consulta, quando for necessário.

Fora isso, no caso da compra do carro, ainda vale a boa e velha consulta aos amigos que acompanham o mercado, parentes que possuem carros de mesmo modelo e marca e fontes de consulta que o interessado reconheça como confiável.