“A Justiça Eleitoral, ao declarar vitorioso o presidente Lula, fez o reconhecimento do resultado das urnas. E os que perdem ou os que ganham precisam estar preparados para resistir a qualquer investigação. Ora, se ele justificou a saída do Brasil por conta de um início de perseguição de um ministro do Supremo, os órgãos do Judiciário existem para corrigir injustiças, como fizeram com o Lula. O juiz de primeiro grau condenou o Lula; o Supremo anulou a condenação. Portanto, era isso que se esperava de um cara que foi quase eleito presidente da República no 1º turno. […] Portanto, não acho isso uma atitude compatível com alguém que pretendia ser presidente de um país do tamanho do Brasil” , afirmou Guimarães.
O senador saiu do país entre 2ª e 3ª feira (26 e 27.out).
Apesar de não ter sido condenado pela Justiça, Flávio é investigado em 2 inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal . Um deles, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes , apura possível lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, enquanto outro investiga o financiamento do filme “Dark Horse” , a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Sua “fuga” veio depois que, na 2ª feira (26.out), a Polícia Federal intimou Flávio a entregar seus passaportes , por determinação de Moraes. O prazo terminava às 12h desta 3ª feira.
TRUMP E MILEI
Ainda durante a entrevista, Guimarães comentou sobre o reconhecimento e os parabéns recebidos por Lula por outros líderes de Estado tanto da América Latina quanto do resto do mundo, inclusive os de direita.
Segundo o ministro, os únicos presidentes de relevância internacional que não ligaram para o petista foram o argentino Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) e o norte-americano Donald Trump (Partido Republicano).
“Tem 2 chefes de Estado que não ligaram para reconhecer a vitória do Lula: o argentino Javier Milei —de quem não se espera nada também, né? Difícil ele fazer qualquer declaração e reconhecimento— e o 2º é o presidente dos Estados Unidos, o Trump. […] a nossa expectativa é que ele, a curto prazo, possa declarar o reconhecimento das eleições, porque todos os chefes de Estado de importância no mundo já ligaram para o Lula. Todos da América Latina —impressionante, até os que têm uma configuração mais à direita […] acho lamentável que tenha algum chefe de Estado que não tenha ligado para o presidente para fazer o reconhecimento público do significado dessa eleição no Brasil” .
MINISTRO DA FAZENDA
Por último, ao ser perguntado sobre qual perfil o governo Lula procuraria para ocupar o cargo de ministro da Fazenda, Guimarães disse acreditar que a pessoa deva ter um equilíbrio entre “o fiscal e o social” , assim como foi, em sua opinião, a gestão de Fernando Haddad (PT-SP).
“Nem pode ser, na minha humilde opinião, nem um cara que só se preocupa com o fiscal, nem um cara que só se preocupa com o social. Tem que trabalhar as duas coisas, como o Haddad trabalhou no passado” , completou.

