Visando a reta final da temporada do futebol brasileiro, a CBF promove nesta semana o 6º Seminário Arbitragem Pro na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Com a presença dos principais árbitros do país, o evento ainda recebe a visita dos italianos Massimo Busacca, diretor de arbitragem da Fifa, e Massimiliano Irrati, chefe de VAR da entidade que rege o futebol mundial.

— É muito importante. Para a gente, é motivo de orgulho, tenho certeza de que para os árbitros também. Fiz, sim, minha carreira sendo instruído pelo Busacca, não só eu, como todos os árbitros do mundo nos últimos 15 anos. Então, é importante contar com essa experiência, com esse profissionalismo, com essa capacidade de instrução, para que os nossos árbitros também possam aprender e aplicar no campo de jogo — afirma Sandro Meira Ricci, ex-árbitro Fifa e hoje presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

O evento também testa novas tecnologias, como softwares do VAR e a câmera que mostra o ponto de vista do árbitro, usada na Copa do Mundo de 2026. Já inserido o Campeonato Brasileiro, o impedimento semiautomático não está entre as ferramentas testadas no seminário.

Câmera que mostra o ponto de vista do árbitro é testada pela CBF

Além do teste de ferramentas, a CBF também promove avaliações físicas e técnicas da arbitragem. Um dos principais treinamentos é o de fadiga e tomada de decisão. Nele, os árbitros fazem exercícios no campo, estressam a musculação acompanhando lances reais de jogo e, na sequência, são chamados para uma tenda. No local, eles precisam assistir a um lance de falta e tomar uma decisão, como de aplicação de cartão amarelo ou vermelho. Um dos diretores de arbitragem comanda o processo e anota a escolha de cada um, para depois informar acertos e erros.

— A gente espera massificar essa parte do treinamento físico e do treinamento cognitivo. Treinamentos iguais a esse precisam ser rotineiros. A gente tem esse calendário de treinamentos presenciais na Granja, como ali. Pelo menos um treinamento por mês para os árbitros pró, além da rotina semanal, em que esses árbitros têm um encontro com os membros da comissão e com o gerente de saúde e performance. Então, é muito importante a gente continuar investindo não só na capacitação técnica, mas também no preparo físico — destaca Netto Góes, diretor de arbitragem da CBF.

Teste de tomada de decisão dos árbitros em evento da CBF

Góes também valoriza a necessidade de integrar a parte técnica e física com as tecnologias que a CBF tem buscado para o futebol nacional. No caso do teste de tomada de decisão, por exemplo, os dados físicos são armazenados e fazem parte da avaliação, em conjunto com os acertos e erros das escolhas do que fazer a cada lance.

— A gente tem dados de dentro de campo e dados dos árbitros de fora de campo. A ideia é que a gente consiga, por meio de um software, filtrar esses dados melhor, para tirar as análises essenciais, para que isso corrobore com o fortalecimento das designações, em que a gente pode escolher o árbitro certo para o jogo certo, e tudo isso dentro desse grande calendário do futebol brasileiro. Então, a tecnologia, junto com o preparo físico, com o treinamento e com a presença desses árbitros dentro dessa estrutura da CBF, vai ser fundamental para que os nossos objetivos sejam alcançados na temporada de 2027 — completa.

Netto Góes projeta novos objetivos da arbitragem da CBF

O Seminário vai até a sexta-feira, dia 30 de outubro. O grupo que participa do evento é formado por mais de 60 profissionais, entre árbitros centrais, assistentes, VAR e os convidados inseridos no quadro de arbitragem da CBF.