O bloco lidera a contagem geral de assentos contra a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ( Likud , direita), mas seu partido tem uma pequena vantagem individual sobre o Yashar, legenda liderada por Gadi Eisenkot , ex-chefe militar e adversário de Netanyahu.

Por ora, a composição do 26º Knesset (o Parlamento israelense) permanece em aberto. O resultado oficial definitivo só deve ser divulgado a partir de 5ª feira (29.out), iniciando um ciclo de negociações para a formação da maioria parlamentar de ao menos 61 das 120 cadeiras.

As sondagens iniciais sinalizam que os 2 partidos de maioria árabe —o Ra’am e o Joint List— podem conquistar juntos de 17 a 18 assentos, o maior resultado da história das legendas árabes no país.

A alta participação eleitoral desse grupo gerou reação de Netanyahu, que fez declarações ao longo do dia com o objetivo de mobilizar sua base conservadora.

O partido Likud chegou a solicitar a extensão do horário de votação ao Comitê Eleitoral Central , mas o pedido foi negado. As autoridades eleitorais declararam que não foram registradas irregularidades que justificassem a decisão.

A projeção dos partidos árabes traz também impasses para a oposição. Eisenkot e aliados hesitam em firmar parcerias formais de governo com o Ra’am ou com a Joint List depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. Sem o apoio direto da bancada árabe, a vantagem do bloco de oposição em relação à coalizão governista cai.

PROPOSTAS E BLOCOS

Nas eleições nacionais de Israel, os cidadãos votam exclusivamente em partidos (e não em candidatos específicos) para eleger os 120 membros do Knesset. O pleito é o 1º no país desde os ataques de 7 de outubro e o início da guerra em Gaza.

A partir do resultado dessa votação, o presidente, que atua como chefe de Estado, realiza consultas com os partidos eleitos para identificar qual líder político tem a maior probabilidade de formar uma coalizão majoritária de no mínimo 61 deputados.

Esse líder assume o cargo de primeiro-ministro e torna-se o chefe de Governo assim que sua coalizão e plataforma política forem oficialmente aprovadas pelo Knesset.

Os 2 blocos apresentaram projetos contrastantes ao eleitorado:

coalizão de Netanyahu – liderada pelo Likud , reúne legendas ultraortodoxas de direita, como o Shas , o United Torah Judaism, o Otzma Yehudit e a Religious Zionist Party. A chapa propõe o avanço da reforma judicial, maior influência religiosa no Estado e a consolidação do controle israelense na Cisjordânia e em Gaza;

bloco de oposição – liderado por Gadi Eisenkot , conta com o apoio de legendas como Yashar!, Beyachad, The Democrats e Yisrael Beyteinu. O grupo reúne origens ideológicas diversas e defende a criação de uma comissão independente para investigar os eventos de 7 de outubro de 2023, a restauração das relações diplomáticas internacionais de Israel e o combate à violência extremista na Cisjordânia.