O valor representa crescimento de 43% em relação ao ano anterior e um recorde para a pessoa mais rica do país. Os dados são da edição de 2026 da lista anual do Instituto de Pesquisa Hurun, divulgada nesta terça-feira (27).

Segundo Rupert Hoogewerf, presidente do instituto, quase toda a expansão da fortuna de Zhang está relacionada à IA. A ByteDance, que também controla a plataforma chinesa Douyin, vem ampliando sua atuação no setor, com destaque para o assistente de IA Doubao, apontado pela Hurun como o mais utilizado da China.

O resultado ilustra como a corrida pela IA está movimentando fortunas para além das empresas especializadas em chips e modelos de linguagem. Companhias que já possuem grandes bases de usuários também podem aproveitar sua estrutura para distribuir novas ferramentas e conquistar espaço nesse mercado.

IA impulsiona bilionários chineses

A lista de 2026 mostra que o avanço da IA está acompanhado de mudança no perfil dos grandes patrimônios chineses;

De acordo com a Hurun, cerca de 160 pessoas incluídas no ranking — aproximadamente uma em cada dez — construíram suas fortunas no setor de IA. Semicondutores e robótica também aparecem entre as áreas que impulsionaram os ganhos;

O fundador da startup DeepSeek, Liang Wenfeng, estreou na lista na sétima posição, com patrimônio estimado em US$ 41,7 bilhões (cerca de R$ 225 bilhões). Já Chen Tianshi, presidente da fabricante de chips de IA Cambricon, entrou no grupo dos dez mais ricos, com US$ 30,5 bilhões (cerca de R$ 165 bilhões);

O movimento acompanha a expansão de empresas chinesas que desenvolvem modelos de IA, fabricam componentes para processamento ou investem em robótica. Para a Hurun, o resultado evidencia uma economia em duas velocidades: enquanto os setores ligados à IA e aos semicondutores avançam, segmentos tradicionais enfrentam dificuldades.

Quem são os mais ricos da China?

Embora Zhang Yiming tenha recuperado a liderança, outros empresários conhecidos também aparecem entre os primeiros colocados.

O segundo lugar ficou com Zhong Shanshan, magnata da água engarrafada, cuja fortuna foi estimada em US$ 61 bilhões (cerca de R$ 329 bilhões), uma queda de 23% em um ano.

Na terceira posição está Robin Zeng, presidente da CATL, fabricante de baterias para veículos elétricos, com patrimônio de US$ 57,3 bilhões (cerca de R$ 309 bilhões). Pony Ma, cofundador da Tencent, caiu para o quarto lugar, com US$ 51,5 bilhões (cerca de R$ 278 bilhões).

Outro destaque negativo foi Lei Jun, presidente da Xiaomi. Sua fortuna caiu pela metade, para US$ 25,1 bilhões (cerca de R$ 135 bilhões), segundo o levantamento.

A diferença entre os resultados reflete o desempenho desigual das empresas e dos setores em que esses empresários atuam. Enquanto negócios ligados à IA, aos chips e à robótica ganharam força, empresas de consumo e do mercado imobiliário perderam valor.

Zhang Yiming – Imagem: reprodução/redes sociais

Mercado imobiliário perde espaço no ranking

A lista também expõe as dificuldades enfrentadas pelo setor imobiliário chinês, pressionado por crise que se prolonga há anos e afeta a demanda interna.

Segundo Hoogewerf, pela primeira vez desde o início do levantamento, nenhum incorporador imobiliário da China continental aparece entre os cem primeiros colocados. Os nomes do setor imobiliário que permanecem no topo do ranking estão ligados a famílias proprietárias de imóveis em Hong Kong.

O consumo também perdeu força. Com clientes reduzindo gastos, pequenos empresários enfrentam dificuldades, em contraste com as companhias beneficiadas pelo apoio chinês a tecnologias, como IA e veículos elétricos.

Apesar desse cenário desigual, a economia chinesa cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionada pelas exportações. A meta oficial de crescimento para o ano está entre 4,5% e 5%.

China registra recorde de grandes fortunas

A edição de 2026 da lista da Hurun identificou 1.529 pessoas com patrimônio superior a 5 bilhões de yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 740 milhões (cerca de R$ 4 bilhões). O número representa alta de 6,6% em relação ao ano anterior e supera o recorde anterior, registrado em 2021.

O total de bilionários em dólares chegou a 1.176, aumento de 155 pessoas em um ano — quantidade superior à registrada nos Estados Unidos, segundo o instituto.

A lista considera as fortunas estimadas até 1º de setembro de 2026, com ajustes para mudanças relevantes ocorridas até a publicação. O levantamento é produzido anualmente desde 1999 e está em sua 28ª edição.

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