João Gabriel Leitão/g1 RR

O professor William Douglas de Souza Barbosa, de 40 anos, é suspeito de ameaçar agredir uma estudante indígena da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. Segundo a denúncia, as ameaças começaram após ela removê-lo de um grupo no WhatsApp.

Ele atua na rede pública estadual. Procurado pelo g1, o professor negou ter cometido ameaças e disse que não falou "qualquer palavra por mau intenção". Disse ainda que havia ingerido bebida alcoólica e "aí gerou isso, mas jamais ameacei ela".

A estudante, que preferiu não se identificar na reportagem, registrou um boletim de ocorrência contra o homem no Plantão Central II, por ameaça e injúria cometida contra funcionário público. A Polícia Civil investiga.

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Em nota, a Polícia Civil disse o caso foi encaminhado ao 2º Distrito Policial, que dará continuidade às investigações. Disse também que os envolvidos estão sendo ouvidos, e diligências seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias e apurar a autoria e a materialidade do crime.

A estudante afirma que removeu o suspeito do grupo por ele insistir em divulgar mensagens eleitorais, apesar dos avisos de que as publicações desrespeitavam as regras do espaço acadêmico. Após a remoção, ela conta que ele enviou mensagens privadas com xingamentos e ameaças de agressão física, além de afirmar que conhecia a rotina dela e que iria ao campus para confrontá-la.

"Meu medo maior é esse [que ele cumpra as ameaças], porque querendo ou não, ele sabe onde eu estou, onde é o instituto. Aqui é acesso livre e entra quem quer na hora que quer", disse a aluna.

Entrada da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, onde fica o Instituto Insikiran.

João Gabriel Leitão/g1 RR/Arquivo

O suspeito é ex-aluno formado em Licenciatura Intercultural, mesmo curso da estudante, vinculado ao Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena (Insikiran), da UFRR.

Em nota, a UFRR informou que o Instituto Insikiran está ciente do caso mas que até o momento não há registro de denúncia formal sobre o ocorrido em quaisquer dos canais oficiais da universidade. Afirmou ainda que o suspeito é egresso do curso e não possuí vínculo acadêmico atual com a instituição.

"Dessa forma, eventuais providências institucionais deverão considerar as competências e os limites de atuação da UFRR. A UFRR reafirma seu compromisso com o respeito aos povos indígenas e com a promoção de um ambiente universitário seguro e respeitoso", ressaltou.

Procurada, a Secretaria de Educação e Desporto (Seed), onde o professor está lotado, informou que ainda não há registro de denúncia sobre o caso nos sistemas de apuração da pasta. Afirmou também que não há Processo Administrativo Disciplinar instaurado nem reclamação registrada no Gabinete ou na plataforma Fala.BR.

Disse ainda que está à disposição para adotar as providências cabíveis, “dentro de suas competências, caso os fatos sejam formalmente comunicados, garantindo a devida apuração”.

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Ameaças e xingamentos

A estudante contou que as ameaças começaram em 26 de setembro, por celular, depois que ela retirou o homem de um grupo acadêmico no WhatsApp. A decisão ocorreu após o suspeito divulgar mensagens eleitorais.

O grupo era usado para compartilhar comunicados de interesse acadêmico. Segundo a estudante, como uma das administradoras, ela avisou que as publicações desrespeitavam as regras e apagou o conteúdo pelo menos três vezes.

No entanto, o homem insistiu em enviar mensagens de campanha, e a jovem o retirou do grupo. Em seguida, ele passou a enviar mensagens privadas com palavrões e ofensas relacionadas à função acadêmica dela.

Nas mensagens, segundo a estudante, o homem afirmou conhecer a rotina dela e disse que iria ao campus da universidade, em Boa Vista, para confrontá-la. Ele também condicionou o fim das ameaças à reinclusão no grupo.

Estudante da UFRR recebeu mensagens pelo WhatsApp.

Cerca de três dias depois, a estudante tentou conversar com o homem para explicar por que o retirou do grupo e pedir que ele não repetisse as ofensas. Na ocasião, ele pediu desculpas e disse não pensar que "iria gerar algum conflito".

Em outubro, o homem questionou por que ainda não havia sido readmitido no grupo. A estudante respondeu que o espaço passaria a aceitar apenas alunos com matrícula ativa. Depois disso, segundo ela, ele voltou a enviar áudios com ameaças de agressão, inclusive mensagens temporárias.

A estudante relatou que o homem a ofendeu nos áudios e a chamou de “put*” e “vagabunda”. Além disso, disse que a mataria "de porrada" por ser "muito arrogante".

"Foram [ameaças de] agressões físicas, que se me ver vai quebrar a minha cara de porrada, vai me mostrar quem era ele", contou a estudante.

A jovem bloqueou o homem no aplicativo, mas, segundo ela, ele conseguiu outro número de celular para continuar as intimidações. Depois disso, ela registrou o boletim de ocorrência sobre o caso.

A estudante contou que precisou mudar a rotina após as ameaças. Antes, ela costumava sair e se divertir, mas agora toma cuidado com os lugares que frequenta por medo de que o homem cumpra as ameaças.

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