O levantamento considera apenas a série histórica do Tesouro Direto , com dados desde dezembro de 2004. O mercado moderno de títulos públicos no país se estruturou a partir da criação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), em 1964, e das Letras do Tesouro Nacional (LTN), em 1970. Períodos anteriores à série, como a crise cambial de 1999 e a eleição de 2002, não fazem parte da comparação.

Em momentos de forte volatilidade, é comum que o Tesouro Nacional cancele leilões e recompre títulos, e que o Banco Central atue no mercado de câmbio. Essas medidas foram adotadas em vários dos episódios da lista, que se diferenciam, sobretudo, pelos fatores que desencadearam cada movimento.

O critério compara a taxa de abertura de cada dia com a do pregão anterior, considerando o prefixado com maior alta. Por isso, quando o evento ocorre à tarde ou à noite, seu efeito aparece na série na manhã seguinte. Veja os dez dias, do menor para o maior avanço.

Posição Data Episódio Maior alta dos prefixados no dia (pontos percentuais) 1 26/10/2026 Reeleição de Lula 2,88 2 12/03/2020 Pandemia de Covid-19 2,06 3 23/10/2008 Crise financeira global 1,88 4 18/05/2017 Joesley Day 1,86 5 19/03/2020 Pandemia de Covid-19 1,48 6 16/08/2007 Crise das hipotecas 1,13 7 29/10/2021 Precatórios e Selic 0,99 8 19/12/2024 Pressão fiscal e câmbio 0,97 9 11/11/2016 Eleição de Donald Trump 0,78 10 11/11/2022 Discurso na transição 0,76

Critério: variação entre as taxas de abertura de dois pregões consecutivos, considerando o prefixado com maior alta no dia e apenas títulos com mais de um ano até o vencimento. Fonte: série histórica do Tesouro Direto, com dados desde dezembro de 2004.

Nesses episódios, os títulos de prazo mais longo tendem a registrar as maiores perdas na marcação a mercado , já que a alta dos juros afeta mais os papéis com vencimento distante. A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada no momento da compra.

Nos títulos atrelados à inflação , a maior alta da série ocorreu em 12 de março de 2020, de 1,62 ponto, seguida por esta segunda-feira, com 1,34 ponto, e pelo Joesley Day, com 1,02 ponto.

Relembre cada um dos episódios:

10º lugar – 11/11/2022, discurso na transição (0,76 ponto)

O dado reflete o pregão de 10 de novembro, quando o presidente eleito Lula, em discurso a parlamentares aliados em Brasília, questionou a prioridade dada ao controle das contas públicas. “Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal neste país?”, disse. Após a fala, o Ibovespa fechou em queda de 3,35%. Em dezembro, o Congresso aprovou a PEC da Transição, que ampliou os gastos fora do teto.

9º lugar – 11/11/2016, eleição de Donald Trump (0,78 ponto)

A vitória de Trump nos Estados Unidos elevou as expectativas de inflação e de juros no país e provocou alta das taxas globais. No Brasil, o dólar chegou a R$ 3,42 em 10 de novembro, o maior nível desde junho daquele ano. Segundo a ANBIMA, os títulos atrelados à inflação com prazo acima de cinco anos acumularam perda de 4,8% no mês até aquela data. Nos dias seguintes, o Tesouro cancelou leilões de prefixados e anunciou recompra de títulos.

8º lugar – 19/12/2024, receio com tramitação com pacote de corte de gastos (0,97 ponto)

O dado reflete o período entre as manhãs de 18 e 19 de dezembro. A preocupação com a trajetória das contas públicas vinha levando o dólar a sucessivos recordes, e em 18 de dezembro a moeda fechou a R$ 6,26. Em 19 de dezembro, a moeda chegou a R$ 6,30, e o Banco Central vendeu US$ 8 bilhões no mercado à vista, maior intervenção do tipo desde 1999. Por trás do caso estavam as preocupações dos investidores com o cenário fiscal brasileiro, à medida que o governo tentava avançar com suas medidas de contenção de gastos no Congresso, que acabou sendo aprovado com alterações no apagar das luzes daquele ano.

7º lugar – 29/10/2021, precatórios e Selic (0,99 ponto)

O dado reflete o pregão de 28 de outubro, marcado por incertezas em torno da PEC dos precatórios e da extensão do auxílio social. Na mesma semana, o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto, para 7,75% ao ano, ajuste considerado insuficiente por parte do mercado para ancorar as expectativas de inflação. O Tesouro Direto suspendeu as negociações três vezes naquele dia, e o Prefixado 2024 atingiu 12,34% ao ano, maior taxa já paga pelo título. A Selic chegaria a 13,75% em 2022.

6º lugar – 16/08/2007, crise das hipotecas (1,13 ponto)

O dado capta a piora entre 15 e 16 de agosto, quando a crise das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, as chamadas subprime, se espalhou para outros mercados, e a Countrywide, maior financiadora de imóveis do país, precisou recorrer a US$ 11,5 bilhões em linhas de crédito. No Brasil, o Ibovespa chegou a cair cerca de 8% durante o pregão de 16 de agosto e fechou em queda de 2,58%, enquanto o dólar subiu 3,15%. A crise se aprofundaria no ano seguinte.

5º lugar – 19/03/2020, pandemia de Covid-19 (1,48 ponto)

O dado reflete o período entre as manhãs de 18 e 19 de março. No dia 18, a Bolsa acionou o sexto circuit breaker do mês, e o dólar passou de R$ 5,14. No mesmo dia, o governo pediu ao Congresso o reconhecimento de estado de calamidade pública, e, à noite, o Copom cortou a Selic para 3,75% ao ano. Nos meses seguintes, o Banco Central reduziu a taxa a 2% ao ano.

4º lugar – 18/05/2017, Joesley Day (1,86 ponto)

Na noite anterior, veio a público a gravação de uma conversa entre o então presidente Michel Temer e Joesley Batista, dono da JBS, que, segundo a delação do empresário, sugeriria aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. No dia seguinte, o Ibovespa chegou a cair 10% e acionou o primeiro circuit breaker desde 2008, e o dólar subiu 8,15%, a maior alta diária desde 2003. Os contratos de juros futuros também atingiram o limite de oscilação. Temer concluiu o mandato, e a reforma da Previdência foi aprovada em 2019.

3º lugar – 23/10/2008, crise financeira global (1,88 ponto)

O dado reflete o pregão de 22 de outubro, cerca de um mês após a quebra do banco americano Lehman Brothers. Naquele dia, a Bolsa brasileira caiu mais de 10%, e o dólar subiu 6,15%, para R$ 2,38, mesmo após quatro intervenções do Banco Central no câmbio. O contrato de DI para janeiro de 2010 passou de 14,72% para 16,22%. A Selic estava em 13,75% ao ano, e o ciclo de cortes começou em 2009.

2º lugar – 12/03/2020, pandemia de Covid-19 (2,06 pontos)

O dado reflete o período entre as manhãs de 11 e 12 de março. No dia 11, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia, e a Bolsa acionou o segundo circuit breaker da semana e fechou em queda de 7,64%. No Brasil, também pesou a derrota do governo na votação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), com custo estimado em R$ 20 bilhões. À noite, os Estados Unidos anunciaram a suspensão de voos vindos da Europa. No dia 12, o Ibovespa caiu 14,78%, com dois circuit breakers, e o dólar chegou a R$ 5. No mesmo dia, o Tesouro e o Banco Central anunciaram leilões de compra e venda de títulos.

1º lugar – 26/10/2026, reeleição de Lula (2,88 pontos)

Desde o primeiro turno, os preços dos ativos refletiam a expectativa de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com o resultado do segundo turno, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de prefixados e de títulos atrelados à inflação da semana e anunciou duas operações de recompra. A plataforma do Tesouro Direto abriu às 12h13, e o Prefixado 2032 chegou a 15,78% ao ano. As taxas recuaram ao longo do dia, e o título fechou a 15,50%. Os próximos passos dependem da composição da equipe econômica e da agenda fiscal do novo mandato.

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