# Pedreiro que trabalha desde os 11 anos se inspira em histórias contadas pela mãe e vira escritor

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/10/28/pedreiro-que-trabalha-desde-os-11-anos-se-inspira-em-historias-contadas-pela-mae-e-vira-escritor.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-28T10:25:36.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1398566-pedreiro-que-trabalha-desde-os-11-anos-se-inspira-em-historias-contadas-pela-mae

> Pedreiro de Cedral transforma memórias de infância em livros e publica três obras

Durante o dia, tijolos, massa e concreto fazem parte da rotina de Gildo Francisco de Sá, em Cedral (SP). À noite, depois do trabalho como pedreiro, ele troca o canteiro de obras pela cozinha de casa e transforma lembranças, contos populares e personagens imaginários em histórias no papel.

Gildo encontrou na literatura uma forma de registrar as histórias que escuta desde pequeno. Aos 11 anos, ele começou a trabalhar como ajudante de um tio, migrante do Norte do país. À TV TEM, contou que já publicou três livros infantis e aguarda pelo lançamento da quarta obra.

Pedreiro e escritor de Cedral (SP) incentiva a leitura às novas gerações

Em casa, a mãe dele encontrou nas histórias e na inventividade uma maneira de enfrentar a falta de recursos e proteger os filhos do frio e da fome. Ela costurava cobertas com retalhos de tecido e improvisava refeições com os ingredientes disponíveis.

"Para comer, muitas vezes ela fazia uma sopa juntando o que tinha, que chamávamos de 'sopa de entulho', ou inventava receitas criativas como o bolo 'quebra-bucha'. Para superar a realidade difícil, ela também contava histórias nos dias de pouca comida", contou Gildo.

Mesmo em uma época de dificuldades financeiras, o tio também reunia a família à noite para contar lendas e contos populares. Sem energia elétrica, as histórias eram narradas à luz de velas que, às vezes, até precisavam ser apagadas para economizar.

"Não tinha luz e a gente ficava sentado lá enquanto ele contava histórias à noite. Ele contava histórias folclóricas, de mula sem cabeça, de gente que virava Exu. Isso enchia a minha mente de imaginação", relembrou o autor.

'MUITO EDUCADA': jiboia vira 'inquilina' em sítio, ganha cantinho especial e passa a se chamar Margarida

TEM SOLUÇÃO: indústrias reaproveitam materiais e reduzem impactos ambientais no interior de S

Gilson de Sá começou a trabalhar aos 11 anos como pedreiro e hoje publica livros inspirados em histórias de sua infância

Criatividade em meio às dificuldades

As lembranças ficaram guardadas por décadas. A responsabilidade de trabalhar para sustentar a família fez com que ele guardasse todas as ideias na memória por cerca de 30 anos. A decisão de colocar os enredos no papel teve início há três anos.

"Passei a vida inteira juntando tudo na cabeça, aprendendo. Agora, estou só colocando no papel. Fiquei com medo de chegar a uma certa idade e perder tudo isso, por isso precisei escrever", explicou o escritor.

O pedreiro publicou três livros voltados ao público infantil: "A Aranha Invejosa", "Mãe Coruja" e uma terceira obra. O livro "Mãe Coruja" rendeu até um debate bem-humorado com a neta Cecília, que questionou o título após ler o desfecho da história ao lado do avô.

Produção literária e parceria em família

Família de pedreiro e escritor fala sobre talento para escrita do autor

Atualmente, Gildo aguarda o retorno da editora para o lançamento do quarto livro, o primeiro voltado ao público adulto. A obra é do gênero suspense, uma novidade na trajetória do escritor, que até agora publicou somente livros infantis.

E as histórias não param por aí: Gildo já tem outros projetos planejados, com títulos como Leléu, Galo Cacetete, O Boi do Padre e Dona Mariquinha, que ainda espera colocar no papel.

Na jornada literária, ele conta com a parceria da esposa, Rosângela Santos de Sá, com quem está casado há mais de 30 anos. Ela revisa os cadernos escritos por Gildo antes que os originais sejam enviados à editora.

"Talento ele tem. É um dom que ninguém pode negar. É muito difícil, mas o gosto da vitória vai ser ainda mais saboroso", destacou Rosângela.

Distante do propósito de ter fama ou enriquecer, Gildo define o sucesso na oportunidade de estimular o hábito da leitura e a imaginação entre os jovens.

"Trabalho para levar minhas histórias para essas crianças e para as minhas netas. Quero levar os livros para as escolas. Não vejo como disputa. Para mim, o sonho é compartilhar conhecimento e imaginação com eles", concluiu Gildo.

Initial plugin text

Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba

VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Reportagem completa: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/10/28/pedreiro-que-trabalha-desde-os-11-anos-se-inspira-em-historias-contadas-pela-mae-e-vira-escritor.ghtml

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.