# Ex-presidente de comunidade espírita pedia favores sexuais a mulheres em troca de cestas básicas, diz ex-integrante

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/10/28/ex-presidente-de-comunidade-espirita-pedia-favores-sexuais-a-mulheres-em-troca-de-cestas-basicas-diz-ex-integrante.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-28T10:45:25.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1398865-ex-presidente-de-comunidade-espirita-pedia-favores-sexuais-a-mulheres-em-troca

> Ex-presidente de centro espírita é investigado por exigir favores sexuais em Goiânia

O ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, de Goiânia, Moacir Mendanha Castelo Branco, de 72 anos, pedia favores sexuais a mulheres em troca de cestas básicas, segundo um ex-integrante da comunidade. O líder religioso é investigado por suspeita de violência sexual e foi alvo de uma operação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

A defesa do suspeito não foi localizada. A TV Anhanguera ligou para Moacir nesta terça-feira (28), mas ele não atendeu a emissora.

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A ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (28). Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao líder espiritual, inclusive na sede da comunidade espírita, que está fechada temporariamente.

Ex-presidente de comunidade espírita pedia favores sexuais a mulheres em troca de cestas básicas, diz ex-integrante

Segundo o MP-GO, há indícios de que Moacir explorou a vulnerabilidade sexual de pessoas usando a entrega de cestas básicas. De acordo com o ex-integrante, o líder espiritual centralizava esse serviço e fazia com que todas as mulheres assistidas tivessem que falar com ele, por telefone.

"Ele ligava para essas mulheres, às vezes, tarde da noite e chegava assediando. Ele oferecia a cesta em troca de favores sexuais, principalmente quando ele percebia que a pessoa tinha vulnerabilidade social. Pedia fotos íntimas, dentre muitas outras coisas", afirmou.

Em áudios obtidos pela TV Anhanguera, que teriam sido enviados por Moacir a uma das vítimas, o líder espiritual tem falas de cunho sexual.

"Você é a coisinha linda do Moacir. Você me entende. Meu tesãozinho, meu amor. Viu, meu bem? Quero você, o seu corpo, tudo. Eu sou esquisito mesmo. Eu sou daqueles fechadão, esquisito. Mas eu te quero, eu te amo", disse Moacir.

Em contrapartida, uma frequentadora que estava em uma reunião realizada em maio no centro espírita, disse que "nunca ouviu ou soube de nada a respeito de Moacir, e que ele a ajuda sempre com cestas básicas".

Outro presente no encontro disse que "o presidente precisa ter muita cautela, evitando situações que possam ensejar escândalos envolvendo frequentadores da comunidade".

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A operação foi realizada nesta terça-feira (27). Segundo o Ministério Público, a investigação começou após a denúncia de uma integrante da comunidade espírita.

Ainda segundo o órgão, a suspeita é de que Moacir tenha usado sua posição de autoridade na comunidade e a fé das mulheres para submetê-las a condutas que, a princípio, configuram crimes contra a dignidade sexual, entre eles o crime de violação sexual mediante fraude.

A operação contra o investigado foi realizada pela Procuradoria-Geral de Justiça, em parceria com a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).

"As diligências do Navita indicam que outras mulheres podem ter sido vitimadas no mesmo contexto institucional", informou o MP.

O investigado não foi preso, mas a Justiça determinou que ele deve cumprir medidas cautelares com a proibição de frequentar a sede da entidade a a obrigação de comparecer mensalmente em juízo. Também houve a quebra do sigilo de dados telemáticos do investigado também foi autorizada.

A diretoria do centro formalizou o afastamento de Moacir junto à Federação Espírita de Goiás em julho (leia a nota n íntegra ao fim do texto). A unidade onde os fatos ocorreram, no Jardim Guanabara, encerrou as atividades e o imóvel passou a ser gerido por um novo grupo religioso, com alteração de fachada e nome.

Segundo o Ministério Público, o ex-presidente do centro espírita estaria articulando a abertura de um novo centro religioso em Santa Helena de Goiás, a cerca de 210 km de Goiânia. "Isso reforçou o receio de que ele volte a usar a liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade", afirmou.

O MP-GO ressaltou que qualquer pessoa que tenha sido uma possível vítima do líder espiritual ou que tenha qualquer informação sobre os crimes investigados pode entrar em contato por telefone, e-mail ou presencialmente.

Telefone: (62) 3243-5119

Atendimento presencial: Edifício-sede do MPGO, Sala T-22, Ala B

Nota da comunidade na íntegra

A Federação Espírita do Estado de Goiás (FEEGO), diante das graves notícias recentemente veiculadas sobre denúncias de possível violência sexual atribuída ao ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, do Jardim Guanabara, em Goiânia, vem a público manifestar sua profunda preocupação e prestar os seguintes esclarecimentos:

A FEEGO manifesta respeito e solidariedade às pessoas que possam ter sido atingidas pelos fatos relatados. Denúncias dessa natureza exigem sensibilidade, escuta respeitosa, acolhimento e rigorosa preservação da intimidade e da dignidade das pessoas envolvidas. É fundamental que qualquer pessoa que relate ter sofrido violência encontre um ambiente seguro, livre de constrangimento, discriminação, exposição ou silenciamento.A FEEGO orienta que qualquer pessoa que tenha sofrido ou presenciado situação de violência procure os órgãos competentes para registrar os fatos e buscar orientação, assistência e proteção. Entre os canais disponíveis estão a Polícia Civil, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), o Ministério Público do Estado de Goiás, o Disque 100 (Direitos Humanos) e o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em situação de emergência, deve-se acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

A FEEGO repudia de forma firme e inequívoca qualquer tipo de violência sexual, abuso de confiança, constrangimento ou violação da dignidade humana. A Federação reafirma seu compromisso de orientar as instituições espíritas associadas na promoção de ambientes seguros, pautados pelo acolhimento, responsabilidade, transparência e respeito incondicional ao ser humano.

A fé deve ser instrumento de amparo, jamais de sofrimento.

Desde que tomou conhecimento dos fatos noticiados, a FEEGO vem acompanhando a situação no âmbito de suas atribuições federativas. Registra, ainda, que em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 5 de julho de 2026, os associados da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo deliberaram pela destituição de seu então presidente, que não exerce mais funções de direção na entidade, atualmente sob nova administração.

A FEEGO reconhece e respeita a atuação do Ministério Público do Estado de Goiás e das demais autoridades competentes, colocando-se à disposição para colaborar com os esclarecimentos necessários, nos limites de suas atribuições e da lei. Defende a apuração rigorosa dos fatos, com a proteção da intimidade e da dignidade das pessoas eventualmente atingidas e a observância do devido processo legal, da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa. Eventuais responsabilidades deverão ser apuradas e definidas pelas autoridades competentes, na forma da lei.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/10/28/ex-presidente-de-comunidade-espirita-pedia-favores-sexuais-a-mulheres-em-troca-de-cestas-basicas-diz-ex-integrante.ghtml

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