# Irmãos Alexander são condenados a 30 anos de prisão, cada um, após serem considerados culpados de tráfico sexua

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/28/irmaos-alexander-sao-condenados-a-30-anos-de-prisao-cada-um-apos-serem-considerados-culpados-de-trafico-sexua.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-28T12:25:13.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1400045-irmaos-alexander-sao-condenados-a-30-anos-de-prisao-cada-um-apos-serem

> Os irmãos Alon Alexander , Oren Alexander e Tal Alexander, corretores de imóveis de luxo, em um desenho que retrata a cena do tribunal.

Os três irmãos Alexander foram condenados por usar seu estilo de vida luxuoso para drogar e estuprar dezenas de mulheres e sentenciados a 30 anos de prisão cada um, nesta terça-feira (27). Durante a audiência, uma das vítimas descreveu o ataque como uma "eternidade de terror". A juíza classificou o comportamento dos irmãos como vergonhoso, degenerado e monstruoso.

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Tal, Oren e Alon Alexander — conhecidos coletivamente como Irmãos Alexander — permaneceram impassíveis enquanto a juíza federal Valerie E. Caproni anunciava a sentença, que foi inferior à prisão perpétua pedida pelos promotores federais. Algumas das 11 mulheres que falaram durante a audiência choraram na galeria do tribunal de Manhattan.

"Seu comportamento foi monstruoso", disse Caproni aos irmãos. Ela os comparou ao personagem Dr. Jekyll e Mr. Hyde ao confrontar a condenação por tráfico sexual, em março, com as alegações dos irmãos de que ser pais e maridos os transformou, afastando-os do comportamento de festas e de perseguição a mulheres que tinham na juventude.

"É difícil para mim acreditar que os réus simplesmente mudaram de comportamento assim", disse a juíza. Ela acrescentou que "é difícil acreditar que o casamento os transformaria de predadores sexuais em cavalheiros exemplares".

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Muitas das mulheres presentes no tribunal lotado aparentaram estar decepcionadas com as sentenças, que permitirão aos irmãos sair da prisão por volta da idade em que a maioria dos americanos começa a se aposentar.

Os irmãos estão presos sem direito a fiança desde as prisões, em 2024. Cada um também terá de pagar pelo menos US$ 300 mil em multas. Oren Alexander foi condenado ainda a pagar outros US$ 50 mil por produzir material de abuso sexual infantil ao gravar um vídeo que, segundo os promotores, mostrava ele estuprando uma garota de 17 anos.

Embora os irmãos — os gêmeos Oren e Alon, de 39 anos, e Tal Alexander, de 40 — tenham demonstrado arrependimento pela forma como trataram e enxergavam as mulheres, todos negaram ter drogado ou estuprado alguém.

"Isso é inteiramente mentira, e todos vocês sabem disso", disse Caproni. Ela acrescentou que esperava que eles algum dia sentissem "profunda vergonha de si mesmos".

Para algumas das mulheres que falaram no tribunal, nenhum período de prisão será capaz de reparar os danos que, segundo elas, foram causados. Emocionadas, elas descreveram como as agressões roubaram sua inocência, deixaram-nas atormentadas por pesadelos e com medo de homens.

"Foi preciso uma noite, apenas algumas horas, um convite para destruir completamente a garota que eu era", disse uma das mulheres, usando um pseudônimo para proteger sua identidade, enquanto estava diante de um púlpito a poucos metros dos irmãos.

Lexi Zettle fala com a imprensa após a conclusão da audiência de sentença de Alon Alexander, Oren Alexander e Tal Alexander.

Irmãos se defendem

Nenhum dos irmãos testemunhou durante o julgamento, mas os três falaram antes de receber a sentença.

Oren Alexander disse que ele e os irmãos chegaram à vida adulta no auge da cultura de relacionamentos casuais e do programa de rádio hipersexualizado de Howard Stern. Ao olhar para o passado como pai, afirmou lamentar muitas das coisas que disse sobre mulheres naquela época. No entanto, insistiu que eles nunca infringiram a lei.

"Meus irmãos e eu nunca drogamos ou estupramos ninguém. Nunca traficamos ninguém para fins sexuais e nunca conspiramos para machucar ninguém", disse Oren Alexander, lendo um texto preparado.

Emocionado, Tal Alexander pediu a Caproni que "entendesse como é difícil estar aqui" e expressar "arrependimento genuíno por algo que eu não fiz".

"Nos últimos dois anos, perdi tudo o que amava, tudo pelo que trabalhei", disse Tal Alexander. "Sinto como se uma bomba atômica tivesse caído sobre minha vida e destruído tudo em seu caminho."

Alon Alexander disse que também mudou e reconheceu que ter uma esposa e uma filha não justifica as mensagens que escreveu depreciando mulheres ou as ocasiões em que se gabou para outras pessoas sobre relações sexuais.

"A vida de festas da qual vocês ouviram falar e viram no tribunal terminou muito antes de o FBI bater à minha porta", disse Alon Alexander. "Seis anos antes da minha prisão, eu estava construindo uma vida diferente."

Os três irmãos destacaram sua fé judaica. Oren Alexander, usando uma quipá, disse que, mesmo com a pena mínima de 15 anos pedida pela defesa, perderia o bar mitzvá de seu filho.

Eles pediram a Caproni que os encaminhasse para a mesma prisão. Tal Alexander disse que isso diminuiria a dificuldade para os pais, ambos de 70 anos, que esperam visitá-los todos os fins de semana.

A juíza disse que deixaria a decisão para o Bureau of Prisons, órgão responsável pelo sistema prisional federal dos Estados Unidos. Ela concordou em recomendar que os irmãos fossem mantidos presos perto de Miami, onde cresceram e têm parentes, mas afirmou que, se dependesse dela, eles seriam enviados para unidades diferentes.

"Acredito que eles são e continuarão sendo más influências um para o outro", disse Caproni.

Medo de vítimas permanece

As acusadoras que falaram no tribunal — e outra cujo depoimento foi lido por um promotor — estão entre pelo menos 70 mulheres que, segundo os promotores, foram agredidas por um ou mais dos irmãos ao longo das últimas duas décadas, em locais luxuosos como os Hamptons e Aspen, no Colorado.

Lindsey Acree, artista e dona de uma galeria, testemunhou que foi estuprada por Tal Alexander e outro homem em uma casa nos Hamptons, em 2011, depois de tomar uma bebida que, segundo ela, a deixou paralisada. Ela abandonou o discurso que havia preparado e disse a Caproni que uma prisão perpétua não começaria a fazer justiça às mulheres cujas vidas foram irreparavelmente prejudicadas.

"Isso desperdiçou meu maldito tempo. Desperdiçou o seu tempo. Desperdiçou o tempo de todos nesta sala", disse Acree à juíza. Voltando-se para os irmãos, afirmou: "Por quê? Por vocês. Porque vocês fizeram coisas realmente perturbadoras."

"A maior questão é: por quê? Por que vocês fizeram isso?", perguntou Acree. "Não entendo a crueldade. Não entendo o ódio contra as mulheres."

Outra mulher, que testemunhou que Tal Alexander a estuprou em agosto de 2014, disse carregar "um funeral silencioso dentro de mim pela pessoa que eu poderia ter me tornado se isso não tivesse acontecido comigo".

"Cada segundo em que Tal me estuprou naquele chuveiro pareceu uma eternidade de terror", disse a mulher, que também usou um pseudônimo.

Outra mulher, ao falar sobre o estupro que sofreu nos Hamptons, afirmou: "O que parecia ser um lugar lindo se tornou, para mim, uma mansão de horror, uma mansão de segredos sombrios."

Estrelas do mercado imobiliário de Nova York

Oren e Tal Alexander já foram apelidados de "A Team" do mercado imobiliário por suas vendas de imóveis de alto padrão e por sua clientela de celebridades. Depois de baterem recordes de vendas na gigante do setor Douglas Elliman, eles abriram sua própria empresa. Alon Alexander administrava a empresa de segurança privada da família.

Os irmãos projetavam um estilo de vida exclusivo, com iates, jatos particulares e mansões à beira-mar em Miami. Mas os promotores disseram que eles começaram a agredir sexualmente mulheres já em 2001 ou 2002, quando ainda estavam no ensino médio, e, com o tempo, desenvolveram um padrão de drogar e estuprar mulheres que eram atraídas para viagens luxuosas com eles.

Antes do anúncio da sentença, a promotora federal Elizabeth Espinosa disse à juíza que a "insensibilidade, negligência e crueldade" dos irmãos justificavam uma pena de prisão perpétua, especialmente porque todas as vítimas teriam de conviver pelo resto da vida com a dor.

"As mulheres superaram todas as forças que diziam a elas que a culpa era delas, que deveriam ficar em silêncio e que ninguém acreditaria nelas", disse Espinosa. "Apesar dessa dor, tantas se apresentaram, e 11 mulheres testemunharam no julgamento."

Ao se dirigir a Caproni, Lexi Zettle disse que Tal Alexander já foi "um príncipe aos meus olhos", que dizia "você é minha garota" e prometia um romance de "conto de fadas" antes de começar a pressioná-la a fazer sexo com homens com quem ele fazia negócios.

"Eles me trataram como uma boneca de pano, como se eu fosse algo descartável", disse Zettle. Os irmãos Alexander, afirmou ela, "não são a A Team e não estão acima da lei".

Reportagem completa: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/28/irmaos-alexander-sao-condenados-a-30-anos-de-prisao-cada-um-apos-serem-considerados-culpados-de-trafico-sexua.ghtml

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