A pressão ocorre logo depois de uma sessão atípica no pós-segundo turno. Na segunda-feira (26), enquanto o Ibovespa sofreu uma forte queda e o dólar disparou, a Vale chegou a avançar mais de 7% durante o pregão , beneficiada pelo movimento do câmbio e pelo perfil exportador da companhia. A ação, porém, perdeu parte desse impulso e terminou o dia com alta de 4,01% .

O movimento perdeu força já na sessão seguinte. Nesta terça-feira (27), VALE3 voltou a cair com a fraqueza do minério de ferro , que atingiu o menor nível em mais de dois anos em Dalian. O movimento refletiu preocupações com a demanda por aço e com o aumento esperado da oferta da commodity no quarto trimestre.

Ao mesmo tempo, o papel chega a uma semana importante do ponto de vista fundamentalista. A Vale divulga os resultados do terceiro trimestre de 2026 em 29 de outubro , em um ambiente de preços mais pressionados para o minério e expectativas mais cautelosas para o setor de mineração e siderurgia.

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Apesar do cenário mais adverso de curto prazo, a Vale continua entre as ações de commodities destacadas pelo J.P. Morgan no pós-eleição . O banco avalia que um real mais fraco tende a favorecer companhias com receitas dolarizadas e manteve recomendação overweight para VALE3 , citando produção consistente, redução de custos e a resolução do acordo de Mariana como pontos positivos.

Nos gráficos, entretanto, a leitura ainda exige cautela. Tanto no diário quanto no semanal, VALE3 permanece abaixo das principais médias móveis e dentro de uma estrutura descendente. A região de R$ 61,40 ganha importância: uma reação a partir desse nível pode abrir espaço para repique, enquanto sua perda aumenta o risco de continuidade da queda.

Vale no curto prazo: mínima de R$ 61,40 vira ponto decisivo

No gráfico diário , a Vale mantém uma tendência de baixa bem definida , com formação de topos e fundos descendentes desde a máxima histórica de R$ 89,41 , registrada em fevereiro de 2026. O movimento vendedor ganhou força principalmente a partir de setembro e levou o papel recentemente à mínima anual de R$ 61,40 , região que passa a funcionar como suporte importante. Na última sessão, a ação recuou 2,14% , aos R$ 63,00 , devolvendo a alta registrada na segunda-feira.

A estrutura técnica continua frágil. VALE3 negocia abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, mantendo o viés negativo no curto prazo. O IFR (14) está em 32,06 pontos , próximo da região de sobrevenda, mas ainda sem sinalizar exaustão clara do fluxo vendedor. Esse cenário pode abrir espaço para algum repique técnico , principalmente se o preço encontrar acomodação entre R$ 61,40 e R$ 59,67 , mas, por enquanto, não há confirmação gráfica de reversão.

Se a ação perder R$ 61,40 , aumenta o risco de continuidade da queda, com suportes em R$ 59,67 , R$ 56,80 , R$ 52,71 , R$ 47,33 e, em uma extensão mais profunda, na região dos R$ 44,00 .

Para melhorar a leitura de curto prazo, o papel precisa recuperar inicialmente R$ 64,36 e R$ 67,25 ; acima dessas faixas, as próximas resistências ficam em R$ 69,84 , R$ 74,27 , R$ 77,35 , R$ 81,30 e R$ 83,35 .

Vale (VALE3) negocia perto da mínima anual de R$ 61,40 e abaixo das principais médias; IFR (14) em 32,06 se aproxima da região de sobrevenda.

Vale no médio prazo: pressão vendedora ainda domina

No gráfico semanal , a Vale também mantém uma estrutura claramente baixista no médio prazo. Desde a máxima histórica de R$ 89,41 , o papel passou a formar topos e fundos descendentes e segue pressionado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. Depois de três semanas consecutivas de baixa, a ação continua próxima da mínima recente em R$ 61,40 , região que concentra atenção dos investidores.

A configuração técnica ainda favorece os vendedores. As médias de 9 e 21 períodos estão inclinadas para baixo e aparecem próximas de R$ 68,33 e R$ 72,90 , respectivamente, enquanto o IFR (14) está em 34,30 pontos . O indicador ainda não entrou em sobrevenda, mas se aproxima dessa faixa. Com o preço afastado das médias, existe espaço para um eventual repique, principalmente se houver acomodação próximo de R$ 61,40 ou da média de 200 períodos, hoje na região de R$ 58,71 .

Se perder R$ 61,40 , a pressão vendedora pode ganhar força, colocando no radar R$ 58,71 , R$ 56,16 , R$ 47,33 e R$ 44,07 . Em uma deterioração mais profunda da estrutura, o gráfico ainda permite trabalhar com uma extensão em direção à região dos R$ 35,50 .

Para melhorar o cenário de médio prazo, VALE3 precisa inicialmente recuperar as médias em R$ 68,33 e R$ 72,90 . Acima delas, as próximas resistências aparecem em R$ 82,25 e, posteriormente, na máxima histórica de R$ 89,41 . Até que essas referências sejam retomadas, a leitura segue cautelosa e predominantemente baixista.

VALE3 mantém tendência de baixa no semanal e se aproxima da região de R$ 61,40/R$ 58,71; IFR (14) em 34,30 reforça a atenção para possível repique, ainda sem confirmação de reversão.

( Rodrigo Paz é analista técnico )

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