Os aliados do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do derrotado na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reagiram à fuga do senador aos Estados Unidos. Flávio pousou em Miami na manhã desta quarta-feira (28).
Entre os aliados de Flávio, a reação foi de defesa do senador e de críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Rogério Marinho classificou a determinação de entrega dos passaportes como "abuso e humilhação", enquanto o deputado eleito Lucas Pavanato acusou o Supremo de perseguição política. O senador eleito Deltan Dallagnol tratou a saída de Flávio como um "exílio político", e o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, questionou a decisão judicial tomada após a derrota nas urnas.
Já entre os aliados de Lula, a saída do país foi alvo de críticas e acusações de que Flávio estaria tentando escapar da Justiça brasileira. O ministro Guilherme Boulos classificou o senador como "covarde", enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin considerou a situação "ininteligível". Outros políticos lembraram que Flávio havia prometido permanecer no Brasil mesmo em caso de derrota nas urnas.
O g1 compilou abaixo as declarações feitas até o horário de publicação deste texto no Instagram, no x e em entrevistas. Os aliados listados são os que estavam ao lado de Lula e Flávio nos discursos deles logo após a divulgação do resultado do segundo turno, na noite de domingo (28).
Veja as reações abaixo:
O que disseram os aliados de Flávio
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Nikolas Ferreira (PL-MG) (2)
O deputado federal questionou a segurança dos opositores do governo ainda quando a saída de Flávio Bolsonaro ainda era incerta.
"Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?", escreveu.
Rogério Marinho (PL-RN) (3)
O senador, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, criticou a decisão judicial que determinou a entrega dos passaportes do senador.
"Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos. Minutos depois do resultado, foi obrigado a entregar seus passaportes, mesmo com o principal argumento do inquérito já derrubado. Isso é abuso e humilhação."
Marinho também criticou o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a oposição continuará se mobilizando.
"Quem representa dezenas de milhões de brasileiros não merece mais uma arbitrariedade de Alexandre de Moraes. A oposição não vai se calar, e a nossa luta continua!"
Bia Kicis (PL-DF) (5)
A deputada federal republicou o vídeo de Rogério Marinho em que o senador critica a determinação de entrega dos passaportes e defende Flávio Bolsonaro.
Deltan Dallagnol (Novo) (7)
O senador publicou um vídeo em que afirmou que a saída de Flávio Bolsonaro teria sido organizada com a ajuda de aliados no Brasil e nos Estados Unidos, com conhecimento do governo de Donald Trump.
Na gravação, Dallagnol mencionou relatos divulgados pela imprensa e uma publicação do investidor mexicano Simon Levy para sustentar a hipótese de que autoridades americanas teriam participado de uma operação para proteger o senador. A alegação não foi confirmada de forma independente no material reunido.
"A coluna chama de fuga, mas a verdade, gente, é que no contexto atual de perseguição judicial no Brasil e especialmente na América Latina, isso aqui tem um outro nome, é exílio político", declarou.
Dallagnol também criticou a rapidez da decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes e sugeriu que a investigação poderia ser usada como instrumento de pressão política.
"Moraes ia usar uma prisão, uma perseguição, uma investigação contra o Flávio Bolsonaro como uma arma, como uma moeda de troca, como refém para que não sofresse o processo de impeachment", afirmou.
O senador eleito comparou ainda a situação de Flávio à do opositor venezuelano Edmundo González, que deixou a Venezuela após receber uma ordem de prisão em 2024.
"Quando o principal líder da oposição deixa o próprio país antes de uma prisão que os aliados esperavam a qualquer momento, isso sinaliza uma ditadura plena no Brasil."
Ao final do vídeo, Dallagnol pediu orações pela família Bolsonaro e questionou seus seguidores sobre a possibilidade de Trump conceder asilo político a Flávio.
Lucas Pavanato (PL-SP) (8)
O deputado federal eleito criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar a apreensão dos passaportes de Flávio e acusou integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política.
"Nós não vivemos em um período de normalidade democrática. Basicamente, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal usam a justiça para perseguir pessoas, deturpam o papel constitucional para perseguir seus inimigos políticos e o Flávio Bolsonaro agora vai ser perseguido também por conta disso", afirmou.
Também orientou apoiadores a evitarem manifestações sem convocação prévia e a terem cautela com publicações nas redes sociais.
O parlamentar afirmou ainda que pretende pedir a anulação da eleição, sob alegações de abuso de poder econômico e compra de votos.
Luciano Zucco (PL-RS) (9)
O governador eleito do Rio Grande do Sul afirmou, durante entrevista coletiva, que não havia conversado com Flávio e que não tinha informações sobre sua saída do país.
Também questionou a decisão de determinar a entrega dos passaportes do senador logo após a derrota eleitoral.
"Também achei estranho um dia após [...] as eleições quererem tirar o passaporte dele. [...] Fariam o mesmo se ele tivesse ganho?", questionou.
Pablo Marçal (12)
O influenciador e empresário agradeceu a Flávio pela campanha presidencial e demonstrou apoio ao senador em uma publicação nas redes sociais.
"Obrigado por nos fazer acreditar num Brasil diferente. Continue lutando por nós", escreveu.
Também agradeceu aos eleitores que apoiaram o candidato.
Marcel van Hattem (Novo-RS) (13)
O senador publicou mensagens em inglês nas redes sociais em que acusou o governo Lula de perseguição política e questionou a rapidez do pedido de apreensão dos passaportes de Flávio.
Em uma das publicações, mencionou uma fala de Lula durante debate presidencial, na qual o petista teria advertido o adversário sobre a perda da imunidade parlamentar.
"Vocês entendem agora por que, apenas sete minutos depois de a Justiça Eleitoral declarar Lula vencedor, a Polícia Federal, sob seu governo, solicitou a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro?", escreveu, em tradução livre.
Em outra publicação, afirmou que o Brasil vive uma ditadura e citou uma declaração atribuída a um deputado petista sobre possíveis prisões de apoiadores de Bolsonaro.
"Ditadura a todo vapor no Brasil!", escreveu, também em tradução livre.
José Medeiros (PL-MT)
O senador eleito afirmou que o que importa é Flávio e sua família estarem em segurança.
"Líderes presos e incomunicáveis nada podem fazer", disse.
O deputado federal eleito Alfredo Gaspar (PL) (1), vice na chapa presidencial, a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques (4), o senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP) (6), o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) (10), o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) (11) e o advogado Frederick Wassef (14), ainda não se manifestaram nas redes sociais sobre a saída do senador do Brasil.
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O que disseram os aliados de Lula
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André Janones (Rede-MG) (1)
O deputado afirmou esperar que Flávio não tenha a prisão decretada. Na avaliação dele, uma eventual ordem de prisão poderia ajudar a mobilizar novamente os apoiadores do senador.
"Espero que Flávio não tenha sua prisão decretada, pois todo esse teatro é para construir uma narrativa! Ao contrário de quando perderam em 2022, agora eles não estão conseguindo se manter unidos e nem mobilizados após a derrota", escreveu.
Janones argumentou ainda que a prisão poderia alimentar um discurso de perseguição política.
"A única coisa que pode mudar isso é um fato que consiga uni-los novamente, algo pintado como uma injustiça e que mantenha viva a figura do inimigo em comum. A única coisa no momento que tem esse potencial é um mandado de prisão contra Flávio."
Guilherme Boulos (PSOL) (2)
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência (PSOL) criticou a saída de Flávio do Brasil e afirmou que o senador abandonou os eleitores que confiaram nele.
"Flávio fugiu porque deve. Ele fugiu porque é covarde. Porque pela primeira vez em 20 anos ele não tem um cargo público para se blindar dos seus crimes", declarou.
Boulos também disse esperar que os eleitores de Flávio repensem o apoio à família Bolsonaro.
"Você não precisa, por isso, passar a gostar do Lula, da gente, da esquerda, mas sobre uma coisa: quem abandona os seus no meio da estrada não merece a confiança de ninguém."
Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) (5)
A deputada eleita ronizou o fato de Flávio ter deixado o Brasil após afirmar, durante a campanha, que permaneceria no país independentemente do resultado eleitoral.
"Eita como não sustenta a palavra... Passou a campanha dizendo que não sairia do Brasil, mas, depois da derrota eleitoral, tentou ir para os Estados Unidos enquanto a polícia pedia a entrega dos passaportes no âmbito de uma investigação."
A parlamentar também mencionou as investigações que envolvem o senador, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a plataformas de apostas on-line e irregularidades no financiamento do filme Dark Horse.
Guilherme Cortez (PSOL-SP) (6)
O deputado federal eleito ironizou a chegada de Flávio aos Estados Unidos e lembrou a promessa do senador de não deixar o país.
"Depois de receber milhões de um banqueiro corrupto, advogar para o assassino de uma criança, ensaiar uma tentativa de golpe, tomar uma lavada na eleição e dizer que não iria fugir, ele fugiu para a terra do Mickey."
Também afirmou que Flávio deixou para trás "60 milhões de pessoas que por algum motivo confiaram nele".
Randolfe Rodrigues (PT-AP) (8)
O senador comparou a saída de Flávio do Brasil ao discurso feito por Lula quando o petista se entregou à Polícia Federal para cumprir prisão. Na publicação, questionou a conduta do senador.
"Flávio, você fez um juramento ao assumir o mandato de senador. Jurou respeitar a Constituição e defender os interesses do povo brasileiro. Então, eu te pergunto: por que agir contra os interesses da própria nação que você jurou representar?"
Geraldo Alckmin (PSB) (9)
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a fuga de Flávio como "ininteligível" durante conversa com jornalistas no Palácio da Alvorada, na terça-feira (27), após a celebração do aniversário de Lula.
"Nunca vi isso. Quem perde eleições agradece os eleitores, cumprimenta o adversário. E vida que segue, é a democracia. Ininteligível", afirmou.
Marília Arraes (PDT-PE) (11)
A senadora eleita criticou Flávio por deixar o Brasil depois da derrota eleitoral e afirmou que o senador descumpriu a promessa de permanecer no país.
"A valentia de Flávio acabou na intimação: prometeu ficar, desobedeceu à Justiça e fugiu para os EUA. Lula tem razão: é uma vergonha! Usa a bandeira brasileira para pedir voto e a americana para se esconder. Perdeu? Respeite as urnas. O Brasil não se dobra aos Bolsonaro!"
Teresa Leitão (PT-PE) (12)
A senadora afirmou que a saída de Flávio repete um comportamento da família Bolsonaro, que, segundo ela, alega perseguição política para evitar investigações.
"O roteiro da família Bolsonaro se repete: fogem de investigações enquanto alegam perseguição e apostam em uma encenação. Flávio Bolsonaro escolheu, por livre e espontânea vontade, fugir para os Estados Unidos em vez de se colocar à disposição da Justiça brasileira com a seriedade necessária."
A parlamentar também defendeu a continuidade das investigações envolvendo o senador.
"As investigações sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme sobre seu pai e as suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz devem prosseguir, independentemente de onde o senador esteja. O povo brasileiro tem o direito de conhecer a verdade."
Humberto Costa (PT-PE) (13)
O senador O senador Humberto Costa (PT-PE) acusou Flávio de fugir da Justiça e abandonar seus eleitores.
"Fugiu. Mais um Bolsonaro covarde deixa o Brasil pela porta dos fundos, como bandido. Trai aqueles que confiaram nele. Foge não do país, mas da Justiça para não ter que responder pelos crimes de que é acusado."
Costa também relacionou a saída à determinação da Polícia Federal para que Flávio entregasse seus passaportes
"E faz isso um dia depois de ser intimado a devolver os passaportes pela PF e dizer que a medida era absurda. Aí está a prova: tava tudo armado."
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) (14)
A deputada também comparou a fuga de Flávio ao momento em que Lula se entregou para cumprir prisão.
"Senhoras e senhores: o presidente do Brasil. O outro, não passa de criminoso e fugitivo da democracia e da justiça brasileira", escreveu.
Luciana Santos (PCdoB) (15)
A ministra da Ciência e Tecnologia Luciana Santos questionou o compromisso de Flávio com o país diante da decisão de deixar o Brasil.
"O episódio levanta uma questão sobre seu projeto presidencial: qual era o compromisso com o país e qual era o interesse em sua própria proteção diante das investigações? O Brasil merece respostas. Ninguém está acima da lei."
Edinho Silva (PT) e Camilo Santana (PT-CE) (16) e (17)
O presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro Camilo Santana compartilharam um vídeo publicado pelo partido com críticas a Flávio.
"Flávio Bolsonaro não respeita nem o próprio eleitor… Traidor da pátria e covarde, deixou para trás um rastro de crimes sem resposta", afirma a legenda da publicação.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) (3), a primeira-dama Janja da Silva (4), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT) (7), e Lu Alckmin (10), esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda não se manifestaram nas redes sociais sobre a fuga de Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o segundo turno da eleição.
Adriano Machado e Brian Snyder/Reuters

