Comerciantes e profissionais de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, têm sido alvo de publicações em redes sociais e grupos de mensagens que identificam estabelecimentos supostamente ligados a apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e incentivam consumidores a não comprar nesses locais.

A repercussão levou o caso à Câmara de Vereadores e motivou uma representação apresentada ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Além de Teresópolis, a representação cita registros semelhantes em Petrópolis, Três Rios e Cachoeiras de Macacu. Entre os exemplos mencionados estão grupos e publicações intitulados “Estabelecimentos Petista em Três Rios” e “Cachoeiras Consciente (não compre de petista)”.

As listas são acompanhadas de mensagens que incentivam o boicote econômico a comerciantes e profissionais associados a determinado posicionamento político. Entre as expressões identificadas está “Não compre de petista”, utilizada em publicações que expõem nomes de estabelecimentos e seus proprietários.

A representação foi apresentada pelo deputado estadual Yuri Moura e solicita a apuração de possíveis práticas de perseguição e discriminação político-partidária. O documento pede a investigação da origem e da autoria das publicações, além de possíveis ameaças, constrangimentos, discriminação e uso irregular de dados pessoais.

A divulgação das listas levantou questionamentos sobre os limites da manifestação política, o direito à liberdade de opinião e os possíveis prejuízos econômicos e profissionais para as pessoas identificadas.

O episódio ocorre em meio à polarização política após as eleições de 2026. Em Teresópolis, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 62,80% dos votos válidos no primeiro turno e ampliou o percentual no segundo turno. Nesse contexto, a circulação das listas passou a preocupar comerciantes que temem ser prejudicados por posicionamentos políticos atribuídos a eles.

Na representação encaminhada ao MPRJ e ao MPT, Yuri Moura também cita a possibilidade de encaminhamento de informações à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), caso sejam encontrados elementos que justifiquem a atuação dos órgãos.

A representação ressalta que o pedido de investigação não significa que as irregularidades apontadas tenham sido comprovadas. Caberá aos órgãos competentes analisar os registros e apurar eventuais responsabilidades.

O caso também foi debatido na Câmara Municipal de Teresópolis. Durante a discussão, vereadores apontaram preocupação com possíveis impactos sobre a liberdade de opinião, a atividade comercial e a convivência democrática.

A repercussão levou diferentes instituições a se manifestarem. A Prefeitura de Teresópolis, a Câmara de Vereadores e o Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis (Sincomércio) repudiaram as práticas denunciadas.

O Partido dos Trabalhadores orientou pessoas que tenham sido ameaçadas ou coagidas a registrar ocorrência policial. Já o Partido Liberal (PL) informou que estava apurando a situação e que não se manifestaria sobre o caso.

Procurado pelo g1, o Ministério Público do Trabalho informou ter recebido mais de 400 denúncias relacionadas a situações semelhantes em todo o país. Segundo o órgão, todas as denúncias serão investigadas. O MPT também disponibiliza um canal para registro de ocorrências em seu site oficial.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também foi procurado para comentar o caso e informar se havia alguma providência em andamento, mas não havia respondido até a última atualização desta reportagem.

A apuração busca esclarecer a origem das listas, a eventual participação de responsáveis pela divulgação e a existência de ameaças, constrangimentos ou outras condutas que possam gerar responsabilização.

A repercussão levou o caso à Câmara de Vereadores e motivou uma representação apresentada ao MPRJ e ao MPT.

Câmara de Teresópolis