A Polícia Civil de Minas Gerais orientou que as vítimas devem registrar ocorrência, especialmente se estiverem sendo vítimas de ameaças, constrangimento ou outros possíveis crimes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota de repúdio ao episódio. A Procuradoria Regional do Trabalho orienta que as vítimas não interajam com o conteúdo, para evitar ampliar seu alcance.
A publicação pede que as pessoas não comprem de petistas, não os contratem, deixem de procurar profissionais de saúde ligados ao partido, não viajem para a região Nordeste e não façam doações de cestas básicas. Além disso, incentiva que a divulgação de nomes continue.
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A lista reúne estabelecimentos de diversos segmentos, incluindo restaurantes, lojas de roupas, pet shops, supermercados, profissionais autônomos, entre outros.
Empresários se pronunciam
Comerciantes de Itaúna contestaram a inclusão de seus nomes na lista. Um dos empresários, ligado a uma frota de transporte, afirma que soube da publicação e considera a postagem maldosa. Segundo ele, nunca se posicionou nas redes sociais sobre sua escolha política. O empresário disse ainda que tenta descobrir a origem das publicações para tomar as medidas cabíveis.
Uma loja de roupas da cidade também se manifestou por meio de nota. O estabelecimento afirma que respeita a liberdade de expressão e defende que as pessoas sejam respeitadas, independentemente de suas escolhas políticas. A loja lamenta o episódio e disse que a situação gerou interpretações equivocadas sobre seu posicionamento.
Já um empresário do ramo de limpeza afirma que quem incluiu o nome da empresa na lista não sabe em quem ele votou. Ele classifica a publicação como um ataque à liberdade de expressão e disse que pretende investigar quem fez a inclusão para que a pessoa seja responsabilizada.
Vítimas de listas de boicote podem registrar ocorrência
A PCMG orienta que as vítimas procurem uma unidade policial para registrar a ocorrência e apresentar os elementos disponíveis, como mensagens, publicações e outros registros que possam contribuir para a apuração dos fatos.
A nota ainda esclareceu que “eventuais condutas que extrapolem os limites da liberdade de expressão e possam caracterizar infrações penais, como ameaças, perseguição, constrangimento ilegal ou crimes contra a honra, podem ser objeto de apuração, conforme as circunstâncias de cada caso”.
OAB repudia: 'nada justifica a intolerância, a hostilidade ou o desrespeito'
Já a OAB de Itaúna divulgou uma nota na terça-feira (27) em que repudia manifestações que promovam intimidação, ameaças e ofensas ou que tentem impor crenças e interesses pessoais acima da Constituição e das leis.
"A liberdade de pensamento e o direito de escolher nossos representantes são garantias fundamentais. Divergir faz parte da democracia, mas nenhuma diferença política ou ideológica justifica a intolerância, a hostilidade ou o desrespeito. A OAB Itaúna repudiou veementemente qualquer manifestação que promova a intimidação, a ameaça, a ofensa ou que pretenda impor crenças, interesses e vontades pessoais acima da Constituição e das leis."
A entidade ainda ressaltou que trabalhadores, empresários, comerciantes, profissionais liberais e todos os demais cidadãos "são igualmente importantes para o desenvolvimento da sociedade". E que as diferenças de opiniões e interesses não podem transformar pessoas ou grupos em inimigos.
"O debate político é legítimo, necessário e saudável, desde que conduzido com equilíbrio, civilidade e compreensão das escolhas individuais. Ninguém precisa concordar com o outro para respeitar seu direito de pensar e escolher diferente."
Não interagir para não ampliar o alcance
Em entrevista ao g1, a procuradora regional do Trabalho Luciana Marques Coutinho recomenda que as vítimas não interajam com o conteúdo nas redes sociais para não ajudar no alcance da publicação.
"O cidadão não deve comentar, compartilhar. Deve só gravar e printar para fazer denúncia. Quanto mais compartilhamentos, maior o alcance e o prejuízo social."
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