# Cortes de geração renovável crescem 52% e prejuízo acumula R$ 15 bi

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-energia/cortes-de-geracao-renovavel-crescem-52-e-prejuizo-acumula-r-15-bi/)
- Publicado em: 2026-10-28T15:57:54.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1403295-cortes-de-geracao-renovavel-crescem-52-e-prejuizo-acumula-r-15-bi

> Os cortes de geração renovável no Brasil por sobra de energia na rede elétrica atingiram 18 TWh (terawatt-hora) no período de janeiro a setembro de 2026, alta de 52,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume corresponde a 99%…

Os dados, antecipados ao Poder360 , são de estudo da Volt Robotics , consultoria focada no setor elétrico, e serão apresentados nesta 5ª feira (29.out.2026) durante o Brazil Windpower 2026, maior encontro de energia eólica e fontes renováveis da América Latina. Leia a íntegra (PDF- 795 kB).

No Brasil, os cortes de energia renovável, conhecidos como curtailment , são executados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para evitar desequilíbrios na rede elétrica quando há mais oferta do que capacidade de consumo ou escoamento pelo sistema.

Esses cortes resultam em desperdício de energia limpa e prejuízos bilionários para o segmento de renováveis, que, com cada vez mais frequência, é obrigado a “jogar fora” parte considerável da produção.

O levantamento considera apenas os cortes ligados à chamada ENE (Razão Energética), quando há desequilíbrio momentâneo entre a oferta e a carga, concentrado em períodos de baixa demanda e alta produção renovável.

O ONS tem ainda outras duas categorias oficiais para justificar as restrições: a REL (Razão Elétrica), que decorre de gargalos de transmissão ou limitações físicas na rede que impedem o escoamento da energia limpa, e a CNF (Confiabilidade), que considera limites operativos necessários para preservar a estabilidade e a inércia do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Além das classificações formais, o estudo cita o que classifica como “fatores agravantes” que também entram no cálculo que leva aos cortes de renováveis: a inflexibilidade de usinas termelétricas, mantidas ligadas por razões operacionais ou contratuais, e o avanço da chamada MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), que responde por 52,43% do excedente sistêmico e injeta energia na rede elétrica sem contar com mecanismos de corte remoto pelo ONS.

O segmento de MMGD, composto principalmente por painéis geradores nos telhados de residências e pequenos consumidores, já supera a capacidade instalada de 50 GW (gigawatts), o equivalente a quase 20% de toda a capacidade de geração de energia no país. Atualmente, parte dos agentes do setor elétrico considera a expansão desenfreada desse tipo de empreendimento como uma ameaça e uma das principais causas do curtailment .

O aumento dessa oferta, especialmente em horários de baixa demanda, pode sobrecarregar o sistema elétrico nacional e levar a riscos de colapso .

PARADOXO DAS TÉRMICAS

O estudo aponta fragilidade metodológica na classificação feita pelo ONS para os eventos que levam aos cortes. Segundo o levantamento, o Operador restringe usinas eólicas e solares por Razão Energética (sobra de energia) em horários nos quais o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) –que define o valor da energia a curto prazo– está elevado e usinas termelétricas a gás ou carvão, que custam bem mais para gerar, continuam ligadas.

Na avaliação do CEO da Volt, , se o mercado sinaliza que a energia está cara e o sistema precisa manter termelétricas ligadas, não faz sentido dizer que a energia eólica e solar foi cortada por &#8220;sobreoferta energética&#8221;.

&#8220;Não se pode chamar de sobreoferta energética um corte que ocorre em momentos de PLD elevado e com usinas termelétricas ligadas. Se há térmicas em operação, o sistema está respondendo a uma necessidade de flexibilidade ou a restrições de transmissão, e não a uma abundância pura de energia. Tratar isso como excesso de geração dificulta a identificação da causa raiz e a identificação de uma solução consistente&#8221; , afirma o CEO da Volt.

Uma das discussões mais sensíveis em andamento no setor é a do rateio dos prejuízos ligados aos cortes. Em 6 de outubro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou novas regras que incluem usinas eólicas, solares e hidrelétricas na divisão dos custos nos casos de cortes por razão energética. A agência, no entanto, definiu um período de testes e preparação para o novo modelo.

A Volt avalia que agrupar as fontes em um rateio direto e igualitário é uma simplificação inadequada que gera transferência indevida de custos entre os agentes. Geradores eólicos e solares, por exemplo, “perdem” definitivamente o vento e o sol, enquanto as hidrelétricas contam com gestão de reservatórios e instrumentos de mitigação e proteção como Mecanismo de Realocação de Energia e Tarifa de Energia de Otimização.

“Essa transferência é particularmente sensível para a fonte eólica, pois os cortes reduzem diretamente a geração vendável, afetam a exposição contratual e alteram a percepção de risco dos projetos. A regulação do curtailment deve, portanto, evitar soluções simplificadoras que tratem fontes distintas como se fossem homogêneas” , diz o estudo.

Para solucionar essa assimetria, a consultoria propõe um &#8220;passo zero&#8221; regulatório antes de definir a fórmula de rateio financeiro, com o desenvolvimento de uma metodologia pública, transparente e auditável para classificar com precisão a causa de cada corte, além de considerar a contribuição da geração distribuída no excedente do sistema na alocação das responsabilidades.

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-energia/cortes-de-geracao-renovavel-crescem-52-e-prejuizo-acumula-r-15-bi/

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