A Justiça Eleitoral em Alagoas manteve a cassação dos diplomas do prefeito de Passo de Camaragibe, Ellisson Santos da Silva, e do vice-prefeito, Adeildo Petrúcio dos Santos, por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024.
A decisão também mantém a inelegibilidade dos dois por oito anos e a determinação de realização de novas eleições para os cargos no município. Ainda cabe recurso da sentença.
A decisão, de acordo com a Justiça Eleitoral, foi assinada na segunda-feira (26) pelo juiz José Ivan Melo dos Santos, da 12ª Zona Eleitoral, após a análise de recursos apresentados pelas defesas. O magistrado acolheu parcialmente os pedidos para esclarecer fundamentos jurídicos e corrigir erros materiais na sentença original, mas manteve as penalidades.
"O processo trata da distribuição irregular de combustível durante uma carreata eleitoral realizada em setembro de 2024. Segundo a sentença, foram gastos R$ 23.096,48 em abastecimentos, sem controle sobre os veículos beneficiados nem comprovação de que o combustível foi destinado exclusivamente aos participantes do evento", diz trecho da decisao.
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Para o juiz, a distribuição em larga escala e sem identificação dos beneficiários caracterizou abuso de poder econômico.
Na decisão, o magistrado também esclareceu que a aprovação das contas de campanha não impede o reconhecimento desse tipo de irregularidade. Isso porque a prestação de contas verifica a regularidade das receitas e despesas declaradas, enquanto a ação judicial analisa se o uso dos recursos comprometeu a igualdade de condições entre as candidaturas.
O juiz destacou ainda que não é necessário comprovar que a conduta alterou o resultado da eleição para configurar abuso de poder econômico. Segundo a decisão, devem ser considerados a gravidade dos fatos, o valor gasto, a dimensão da distribuição de combustível e a ausência de identificação dos beneficiários.
Com a manutenção da sentença, permanece a determinação de realização de novas eleições para prefeito e vice-prefeito de Passo de Camaragibe.
A execução da cassação, no entanto, depende do esgotamento da instância ordinária, conforme estabelecido na decisão original.

