A informação foi confirmada pelo advogado do diretor, Mostafa Nili , à agência de notícias Emtedad. De acordo com ele, a sentença foi emitida pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã. Panahi teria descoberto que respondia a novos processos depois que suas contas bancárias foram bloqueadas inesperadamente.

O advogado afirmou ainda que ele e o cineasta procuraram o setor responsável pela execução de sentenças do Ministério Público de Cultura e Mídia, onde souberam que Panahi havia sido condenado à revelia em um dos casos. O diretor tem três processos em andamento no país, mas, segundo Nili , não havia sido oficialmente convocado para comparecer às audiências, apesar de estar no Irã.

A nova condenação se soma a uma sentença de um ano de prisão e a uma proibição de viagens por dois anos, impostas em 2025 sob a acusação de realizar atividades de propaganda contra o regime. Panahi voltou ao Irã após a cerimônia do Oscar de 2026, realizada em 15 de março, e permanece no país desde então.

Histórico de perseguição

A relação de Panahi com as autoridades iranianas é marcada por anos de perseguição. Em 2010, o cineasta foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar e viajar por 20 anos. As medidas estavam relacionadas à sua participação no funeral de um estudante morto durante os protestos da Revolução Verde, em 2009, e à tentativa de realizar um longa-metragem ambientado naquele contexto.

Em julho de 2022, o diretor foi preso novamente e passou sete meses na penitenciária de Evin, uma das mais conhecidas do país. Na ocasião, ele havia ido ao local para buscar informações sobre os cineastas Mohammad Rasoulof e Mostafa Al-Ahmad , detidos dias antes após criticarem as autoridades em uma carta aberta. A antiga sentença contra Panahi foi reativada, e ele acabou sendo libertado em fevereiro de 2023, após iniciar uma greve de fome.

Em 2025, o cineasta recebeu autorização para viajar a Cannes pela primeira vez em 15 anos, onde apresentou Foi Apenas um Acidente , filmado clandestinamente no Irã. O longa venceu a Palma de Ouro e, posteriormente, foi indicado ao Oscar de melhor filme internacional como representante da França.

Durante a campanha de premiações, Panahi também condenou publicamente a repressão aos protestos pró-democracia que tomaram o Irã em janeiro de 2026. Segundo relatos citados pela imprensa internacional, dezenas de milhares de pessoas podem ter morrido durante a repressão.

Mesmo diante do risco de novas punições, o diretor havia prometido voltar ao país assim que encerrasse seus compromissos relacionados ao Oscar — promessa que cumpriu. Agora, a nova condenação volta a colocar em evidência a situação do cineasta, cuja trajetória é marcada pela resistência às restrições impostas à liberdade artística no Irã.

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