Sete policiais militares viraram réus pela morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg e pela tentativa de homicídio da esposa dele durante uma operação em janeiro deste ano em Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (28) pelo juiz Régis Adriano Vanzin, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Pelotas, ao receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Agora, tem início a ação penal e a fase de instrução do processo. Nessa etapa, serão produzidas provas e ouvidas as partes envolvidas.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, os sete acusados responderão por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada. As qualificadoras aceitas pelo magistrado são recurso que dificultou a defesa das vítimas e emprego de armas de fogo de uso restrito.

Ao analisar o caso, o juiz entendeu que a denúncia atende aos requisitos legais para prosseguimento da ação penal e que existem indícios suficientes da existência dos crimes e da autoria.

Relembre o caso

O caso aconteceu na madrugada de 15 de janeiro. De acordo com a esposa da vítima, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local.

A Polícia Civil confirmou que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O comandante-geral da Brigada Militar (BM) à época, coronel Cláudio Feoli, admitiu que houve um "grande equívoco" na ação.

O oficial explicou o contexto preliminar que levou à ação na propriedade rural. Segundo Feoli, dois membros do grupo criminoso que era buscado em Pelotas foram presos no Paraná e deram pistas sobre a localização dos outros suspeitos. A indicação, porém, teria induzido os PMs ao erro.

Na semana passada, o Ministério Público denunciou os sete policiais militares envolvidos na operação. Conforme o órgão, três deles participaram da identificação do endereço onde a ação seria realizada e outros quatro atuaram diretamente na operação que terminou com os disparos.

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público também pediu que os denunciados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, percam os cargos públicos e paguem indenização aos familiares da vítima.

Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas

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