NAÇÕES UNIDAS, 28 Out (Reuters) – A Assembleia ⁠Geral da ONU pediu, por esmagadora maioria, pelo fim do ⁠embargo econômico imposto há décadas pelos Estados Unidos a Cuba, mas uma campanha de ‌pressão dos EUA levou vários países a se oporem à resolução nesta quarta-feira ou a se absterem pela primeira vez em anos.

Os resultados mostraram que 130 nações votaram a favor ‌da resolução, 25 se abstiveram e 17 países, incluindo os EUA e Israel, votaram contra. No ano passado, a votação havia sido de 165 a 7, com 12 abstenções. Vários países ocidentais, incluindo Alemanha e Itália, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos.

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A votação da ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra ⁠Fria. ‌A Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, vem adotando a resolução anualmente há ⁠mais de três décadas — exceto em 2020, durante a pandemia da Covid.

“Estou satisfeito por tantos países agora, incluindo grandes economias como a Coreia, a Alemanha e outros, terem mudado sua posição”, disse o enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, aos repórteres após a votação.

“A diplomacia leva tempo, mas agora que o número de países que mudaram de ​posição triplicou, esperamos que isso só continue a crescer”, disse ele.

As tensões entre as duas nações na ONU se intensificaram antes da votação, incluindo discussões acaloradas entre diplomatas cubanos ​e norte-americanos na ONU na semana passada, bem como gritos e empurrões no plenário da Assembleia Geral na terça-feira.

Nesta quarta-feira, Waltz acusou um diplomata cubano de “agredir um diplomata norte-americano” durante as discussões de terça-feira, acrescentando que Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da missão de Cuba na ONU, será expulso dos EUA.

“Esse primeiro secretário cubano estará hoje em um avião ‌saindo do país de volta a Havana”, disse Waltz a repórteres ​na ONU.

A missão de Cuba na ONU não respondeu imediatamente às perguntas sobre a expulsão.

Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a ⁠pressão, após ter recorrido às Forças ​Armadas em janeiro para destituir ​o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou no X, após a votação, ⁠que “o governo dos EUA está mais uma vez isolado ​em sua tentativa de continuar sufocando o povo cubano e submetendo-o a um ato de punição coletiva e genocídio”.

“Nem seus pretextos mais insanos, nem suas pressões, nem o circo midiático prevalecerão sobre a força ​dos fatos e da verdade”, disse ele.

Os Estados Unidos têm votado contra as resoluções da ONU desde 1992, mas se abstiveram pela primeira vez em 2016, ​durante o governo do ex-presidente ⁠Barack Obama, quando Washington e Havana estreitaram suas relações.

Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se ⁠encontra atolado, a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.

No mês passado, Trump afirmou na ONU que Cuba era um Estado falido e que a liberdade chegaria à nação insular.

A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total no mês passado, mergulhando a ilha na escuridão e deixando milhões de pessoas sem energia elétrica.

(Reportagem de Antoni ​Slodkowski)

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