Pesquisadores do Projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), começaram a testar, em Fernando de Noronha, um equipamento que promete afastar tubarões (veja vídeo acima). Chamado Freedom, o dispositivo já foi usado na Austrália e nos Estados Unidos. Na ilha, os testes são realizados com guarda-vidas e embarcações de pesca.
O equipamento emite sinais que buscam interferir na capacidade sensorial dos tubarões. Segundo a pesquisadora da UFRPE Mariana Rêgo, o dispositivo atua sobre um sistema sensorial desses animais conhecido como ampolas de Lorenzini.
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Salva-vidas fazem testes com o repelente em Noronha
Mariana Rêgo explicou que as ampolas de Lorenzini são órgãos sensoriais que permitem aos tubarões detectar campos elétricos na água. Essa capacidade ajuda os animais a localizar outros seres vivos.
Segundo a pesquisadora, o equipamento cria um campo que tem o objetivo de afastar os tubarões.
“O princípio desse equipamento é fazer um campo, num raio de seis metros, que repele o tubarão”, detalhou Mariana Rêgo.
Os pesquisadores do Projeto Ecotuba foram procurados pelos fabricantes do equipamento para realizar testes no Brasil. A equipe aceitou a proposta para avaliar o funcionamento do dispositivo nas condições encontradas no país.
“O equipamento tem sido muito usado na Austrália e também nos Estados Unidos. Nós fomos contatados pelos fabricantes e solicitamos fazer testes no Brasil porque temos diferenças de salinidade, temperatura da água e espécies existentes”, explicou Mariana Rêgo.
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Pesquisa de tubarões em Pernambuco
Pesquisadores da UFRPE estudam e monitoram tubarões em Fernando de Noronha há 12 anos. Em setembro, a equipe também retomou as pesquisas sobre esses animais na Região Metropolitana do Recife, após uma pausa de 11 anos.
Os testes em Noronha também devem contribuir para as pesquisas e as ações de segurança no continente, onde são registrados ataques de tubarões a pessoas, alguns deles com consequências graves.
Desde 1992, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) registrou em Pernambuco 84 incidentes com tubarões: 70 no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. O levantamento estadual contabiliza 27 mortes (nenhuma em Noronha) e 57 sobreviventes.
Uso por guarda-vidas
O coordenador do Projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, explicou que o equipamento poderá ajudar a aumentar a segurança dos guarda-vidas durante os salvamentos no mar.
“A utilidade prática desse trabalho é possibilitar uma segurança maior para os bombeiros. Os salva-vidas entram na água para fazer salvamentos e podem se deparar com um tubarão. Com esse equipamento, existe a possibilidade de diminuir a chance de o animal avançar contra o bombeiro", afirmou.
Se os testes confirmarem a eficácia do equipamento, os pesquisadores deverão recomendar ao governo de Pernambuco a compra dos dispositivos para uso em Fernando de Noronha e na Região Metropolitana do Recife.
Pescadores de Fernando de Noronha relatam dificuldades com a queda na produção. Segundo eles, os tubarões comem os peixes capturados antes que os animais sejam retirados da água e colocados nas embarcações.
O equipamento também será testado em embarcações de pesca. Segundo Paulo Oliveira, os pesquisadores vão adaptar o dispositivo para tentar evitar que os tubarões se aproximem dos barcos e comam os peixes capturados.
“Nós vamos fazer uma adaptação do equipamento para diminuir a depredação. Vamos colocar o equipamento na água para que os tubarões não se aproximem quando os pescadores estiverem em atividade”, explicou o coordenador do Projeto Ecotuba.
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