A situação é relatada por moradores de diferentes bairros da cidade, que cobram melhorias nas condições das vias. Com as chuvas, a deterioração do asfalto tende a se agravar, ampliando as erosões e a formação de buracos. A água também pode encobrir as irregularidades, dificultando a identificação pelos motoristas e aumentando o risco de danos aos veículos, especialmente aos pneus.
Reclamação de buracos é recorrente
O administrador de empresas e presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Cambuí, Eduardo Cruz, publicou vídeos recentes nas redes sociais mostrando os problemas no asfalto da região e os transtornos provocados pelos buracos. Segundo ele, as falhas no pavimento fazem parte da rotina de quem vive no bairro, e a demora da Prefeitura para solucionar os problemas é motivo de reclamação.
“Havia um buraco no cruzamento da Rua Doutor Vieira Bueno com a Rua Santos Dumont que demorou três semanas para ser resolvido. Só depois que eu repercuti o caso nas redes sociais, aí sim a Prefeitura arrumou”, relata.
Cruz também cita um buraco que permanece aberto na Rua Santa Cruz, a duas quadras do cruzamento mencionado anteriormente.
“Esse buraco na Rua Santa Cruz também está aberto há algumas semanas. Então, o que a gente percebe é que muitas vezes a Prefeitura precisa ser acionada para fazer o serviço, sendo que deveria haver uma programação para não chegar nessa situação”, afirmou.
No local mencionado pelo administrador, é possível observar que, apesar da sinalização, o buraco fica no meio da rua, dificultando a passagem dos veículos.
A publicação de Cruz no Instagram também motivou reclamações de moradores de outros bairros de Campinas.
“Não é só no Cambuí, não! Campinas virou um grande buraco com uns pedaços de asfalto no meio! Joguei fora três pneus em um ano por causa de buracos. O entorno da Lagoa do Taquaral não tem mais onde remendar! Mexeram no acesso para a Almeida Garrett e nem deu uma semana da liberação do acesso e já está cheia de buracos”, comentou um morador.
Outro ponto com problemas no pavimento fica nas regiões das Mansões Santo Antônio, da Chácara Primavera e do distrito de Barão Geraldo. Nesses locais, moradores chegaram a contornar buracos com tinta branca para alertar os motoristas e facilitar a identificação das irregularidades, principalmente à noite.
Buracos causam prejuízos e dificultam o trânsito
Para quem dirige, as condições do asfalto representam uma preocupação constante. Os motoristas precisam reduzir a velocidade e, em alguns casos, desviar dos buracos, o que pode dificultar a circulação e provocar situações de risco.
O motorista e assistente judiciário Roberto Spadaccia Júnior afirma que encontra diversos buracos durante os deslocamentos diários para o trabalho em Campinas.
“Há diversos buracos que me obrigam a desviar com o carro da faixa em que estou, o que é muito perigoso. Às vezes, você não tem o que fazer e precisa passar por cima, o que pode causar algum problema no veículo”, relata.
O educador físico Marcio Andrade conta que precisou levar o veículo à borracharia três vezes em menos de 15 dias para consertar pneus furados por pregos e outros objetos.
“Quando chove, essa sujeira sobe e entra nos pneus. Foram parafusos e pregos que furaram os pneus”, afirmou.
Segundo ele, a esposa, que é enfermeira, também caiu em um buraco e teve um pneu danificado. “Tive que gastar para trocar os dois da frente porque destruiu”, contou.
Quem trabalha em borracharias também percebe o movimento de motoristas que procuram consertar pneus danificados por pregos, parafusos e buracos.
Lucas Simionato, que trabalha em uma borracharia na região do Jardim Chapadão, relata que, após um fim de semana chuvoso, recebeu vários veículos para reparos.
“Teve um final de semana que choveu, eu estava sozinho e, do nada, cinco carros vieram para consertar. Três deles caíram no mesmo buraco”, afirmou.
Prefeitura afirma ter tapado mais de 89 mil buracos
Em nota, a Secretaria de Serviços Públicos de Campinas informou que 89.554 buracos foram tapados entre janeiro e setembro de 2026. A nota informou ainda que as solicitações são atendidas conforme a necessidade, sem uma estimativa fixa para o volume de serviços.
Ainda na nota, a Administração também atribui às chuvas parte da deterioração do asfalto. Segundo a explicação apresentada, a água penetra em fissuras e trincas do pavimento, comprometendo suas camadas e acelerando o desgaste.
Dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) , da Unicamp, citados na nota, mostram que Campinas registrou 804 milímetros de chuva entre janeiro e setembro de 2026. O volume é 29,8% superior aos 619 milímetros registrados no mesmo período de 2025.
Ainda segundo a Secretaria de Serviços Públicos, a localização dos danos é um dos critérios utilizados para definir a prioridade dos reparos. Vias de grande circulação, corredores de ônibus e áreas próximas a estabelecimentos de saúde e educação estão entre os locais priorizados.
Sobre o buraco na Rua Santa Cruz, no Cambuí , citado pelo presidente do Conseg, a administração municipal informou que o reparo está previsto para ocorrer até a próxima terça-feira (3).
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