Leia a íntegra da 1ª versão, na qual diz ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” (PDF – 962 kB).

Leia a íntegra da mudança, na qual diz ser o “líder do Brasil” (PDF – 496 kB).

O trecho alterado aparece logo na abertura do documento. Primeiro, Flávio afirmava: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil ”. Depois, a frase foi substituída por: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil” .

O Poder360 comparou as versões e identificou outra alteração na 2ª página. O trecho em que o senador dizia “eu sou o presidente eleito” foi modificado para “eu sou o líder” .

Apesar das mudanças, Flávio manteve a alegação de que houve fraude no 2º turno das eleições, do qual saiu derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador não apresentou provas que sustentem sua versão.

O principal argumento usado pelo candidato derrotado é sobre a prorrogação do horário de votação no domingo (25.out.2026). A determinação partiu do ministro do STF Cristiano Zanin e estendeu o horário das 17h até as 19h por causa de problemas de transporte e chuvas.

Apesar de a decisão ter sido uma resposta ao pedido do PT, a própria campanha de Flávio Bolsonaro também pediu a extensão. Leia mais detalhes nesta reportagem . Depois das 17h, houve só 34.808 votos no 2º turno da eleição.

Inicialmente, antes da mudança de “presidente eleito” para “líder” , foram compartilhadas duas versões por Paulo Figueiredo, ambas com o Brasão de Armas do Brasil:

O documento enviado às 16h43 continha o Brasão escrito com a grafia “Brazil”, com “Z”, como usada na língua inglesa. A versão, que leva a frase “Estados Unidos do Brazil” é de 1889 e foi usada até 1931, quando o país passou a adotar oficialmente a grafia “Brasil” com “S”. Em 1968, a frase no Brasão foi trocada para “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 962 kB).

Na 2ª versão, também enviada a jornalistas por Paulo Figueiredo, às 16h56, o Brasão foi mudado para a versão atual, com a frase “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 1 MB).

A 3ª versão é aquela compartilhada por Flávio nas redes sociais, às 17h51, na qual não se apresenta mais como “presidente eleito” e sim como “líder”. Nela, é mantido o Brasão com a frase “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 496 kB).

FUGA PARA OS EUA

Flávio Bolsonaro , sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil na noite de 3ª feira (27.out). Cruzaram a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador.

A mando de Moraes, a Polícia Federal intimou o senador a entregar seus passaportes , na 2ª feira (26.out). O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial .

A vitória de Lula foi confirmada pelo TSE às 21h09 –no total, foram 64.256.232 votos (51,79%) do petista contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. A representação da PF foi assinada às 21h16. O magistrado avalizou no mesmo dia o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui .

Segundo o senador, ele não saiu do país como fuga, mas como estratégia política, para evitar o que descreve como perseguição judicial. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece” , declarou.

No comunicado, gradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), por acolhê-lo e afirma que deixou o Brasil por receio de medidas judiciais contra ele. Afrmou também que fará pronunciamentos regulares e apresentará, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores.

Leia os highlight s do comunicado de Flávio:

saudação – “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil” ;

Milei e Trump – elogia o argentino pela “coragem, senso de justiça e legalidade” , e afirma que o norte-americano é um “grande defensor da liberdade de expressão” ;

teoria da conspiração – usa uma tese imprecisa (leia mais aqui ) para sugerir ser impossível uma virada de Lula;

horário prorrogado – afirma que a decisão de estender a votação até 19h permitiu a Lula receber os votos necessários para vencer –no entanto, só 34.808 votos foram registrados das 17h às 19h;

alvo de perseguição – “O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment” ;

nega fuga depois de fugir – “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança” ;

comparações com outras figuras públicas – no manifesto, Flávio se compara a Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina;

ainda é o líder da oposição – “Sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr” .