# MPT recebe mais de 1.140 relatos de assédio após eleição

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/mpt-recebe-mais-de-1-140-relatos-de-assedio-apos-eleicao/)
- Publicado em: 2026-10-28T22:57:47.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1408842-mpt-recebe-mais-de-1-140-relatos-de-assedio-apos-eleicao

> O Ministério Público do Trabalho recebeu mais de 1.140 relatos de assédio eleitoral nos 3 dias seguintes ao 2º turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25.out). O número foi divulgado nesta 4ª feira (28.out.2026),…

Segundo o procurador do Trabalho Maurício Coentro Paes de Mello, o órgão contabilizava aproximadamente 3.080 relatos relacionados ao processo eleitoral deste ano. Os registros feitos depois da votação representam mais de um terço desse total.

O crescimento ocorre depois de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciarem uma campanha nas redes sociais para incentivar a demissão de trabalhadores e o boicote a empresários e prestadores de serviço identificados como eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula foi reeleito para seu 4º mandato depois de derrotar Flávio no 2º turno.

O movimento inclui chamados à demissão de empregados, à recusa de contratação de profissionais e ao boicote a pequenos empresários e empreendedores autônomos associados a eleitores petistas.

Listas com nomes de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço identificados como apoiadores de Lula estão sendo distribuídas em grupos de WhatsApp em diferentes cidades.

O MPT acompanha relatos de ameaças, demissões, recusas de contratação e outras formas de retaliação motivadas por posicionamento político.

Ameaças de demissão, dispensas efetivas e discriminação na contratação podem configurar irregularidades quando motivadas pela escolha eleitoral do trabalhador.

O QUE É ASSÉDIO ELEITORAL

De acordo com o TST (Tribunal Superior do Trabalho), o assédio eleitoral configura-se por qualquer ação que limite, pressione, direcione, discrimine ou puna um trabalhador por conta de suas posições ou direitos políticos.

Essa violência não depende obrigatoriamente de uma intimidação verbalizada ou evidente. A constatação do ato envolve analisar o cenário como um todo, o clima de trabalho e a diferença de poder existente entre o autor da conduta e a vítima.

O assédio eleitoral divide-se em 4 tipos:

vertical: caracteriza-se pela coerção exercida por patrões, chefes ou líderes, que usam seu cargo para direcionar o voto ou punir subordinados. Um exemplo é o uso de ameaças de demissão ou a oferta de subida na carreira como moeda de troca por apoio político;

horizontal: ocorre entre profissionais do mesmo patamar hierárquico, por meio de hostilidades, perseguições e pela exclusão do funcionário;

misto: quando a liderança e equipe agem em conjunto;

institucional: deriva da própria estrutura corporativa, quando as normas, costumes, diretrizes ou a omissão da empresa aceitam, fomentam ou institucionalizam a interferência política no ambiente de trabalho.

O QUE FAZER

Caso sofra assédio eleitoral, o cidadão deve registrar uma denúncia no MPT (Ministério Público do Trabalho), na Justiça Eleitoral ou do Trabalho ou nos Tribunais Regionais do Trabalho, inclusive pela internet, por esse link .

CRESCIMENTO DOS RELATOS

Maurício Coentro Paes de Mello afirmou que o crescimento dos registros depois da votação preocupa a instituição.

Segundo ele, em eleições anteriores, os relatos de assédio eleitoral se concentravam principalmente antes do pleito ou entre os 2 turnos.

Em 2026, porém, o órgão identificou um aumento expressivo depois da divulgação do resultado.

O procurador ressaltou que os dados são dinâmicos e podem mudar conforme novos registros são recebidos e contabilizados.

Também afirmou que ainda não é possível identificar com precisão quais modalidades de assédio predominam nos relatos mais recentes.

Questionado sobre as razões do crescimento, disse que o MPT ainda analisava as informações.

“Entender o porquê isso aconteceu no momento pós-eleitoral é um pouco difícil neste momento” , declarou.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou uma força-tarefa nacional para apurar os relatos de assédio eleitoral.

Segundo ele, auditores-fiscais do Trabalho deverão dar prioridade à fiscalização dos casos em todo o país.

“Nós vamos proteger os trabalhadores dessa violência de ameaça de demissão pela opção que ele teve em relação ao voto” , afirmou.

O Ministério do Trabalho também pretende convocar empresas citadas nos relatos para reuniões com representantes dos trabalhadores e sindicatos.

A proposta é buscar soluções para eventuais irregularidades, incluindo a reintegração de empregados demitidos por motivação política ou o pagamento de indenizações, conforme as circunstâncias de cada caso.

“Se demitiu, tem que reintegrar. Se não reintegrar, tem que indenizar” , disse Marinho.

Quando forem identificados indícios de infrações, os órgãos poderão adotar medidas administrativas e encaminhar informações ao MPT para eventual responsabilização judicial.

EMPRESAS PODEM PERDER CRÉDITO

O ministro também anunciou que o governo estuda criar uma lista pública de empresas que tenham cometido assédio eleitoral comprovadamente.

A medida ainda está em análise e não foi formalmente instituída.

Segundo representantes do Ministério do Trabalho, a legislação já prevê sanções para práticas discriminatórias nas relações de emprego, incluindo restrições à obtenção de empréstimos e financiamentos em instituições financeiras oficiais.

A referência é a Lei nº 9.029, de 1995, que proíbe práticas discriminatórias para acesso ou manutenção do emprego.

O secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Henrique Ramos Lopes, explicou que auditores poderão lavrar autos de infração quando constatarem irregularidades e encaminhar informações aos órgãos competentes.

JUSTIÇA TERÁ PRIORIDADE

O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que processos relacionados ao assédio eleitoral terão tramitação prioritária.

Segundo ele, magistrados trabalhistas estão em regime de plantão desde 1º de agosto e deverão permanecer mobilizados até o fim do ano, com possibilidade de continuidade em 2027.

O objetivo é permitir respostas mais rápidas a situações de ameaça, constrangimento e discriminação política.

“A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida” , declarou.

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/mpt-recebe-mais-de-1-140-relatos-de-assedio-apos-eleicao/

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