Um personal trainer foi preso no bairro Jardim Atlântico, em Itaipuaçu, distrito de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, suspeito de envolvimento com uma rede de exploração sexual de adolescentes.

Segundo as investigações, João Lucas Perrenoud pressionava uma jovem por meio de mensagens para que ela se encontrasse com dez homens. Ainda de acordo com a polícia, ele também buscava a adolescente nas proximidades da escola e a levava para o local onde os abusos sexuais ocorriam.

O g1 não conseguiu contato com a defesa de João Lucas até a última atualização desta reportagem.

A ação investiga um esquema de produção de vídeos de violência sexual contra menores de idade, com relatos de estupros coletivos, tortura, ameaças e chantagens. Um policial militar também está entre os investigados.

Ao todo, foram expedidos mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão também nas cidades de Niterói e São Gonçalo, com oito prisões, sendo sete nesta quarta-feira.

Polícia mira rede de exploração sexual de menores no RJ; criminosos se chamavam de 'senhores' e vítimas de 'escravas'

A Operação NXIVM foi realizada pela 74ª DP (Alcântara), com apoio de outras unidades policiais e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

O caso chegou à 74ª DP após uma das adolescentes procurar a delegacia acompanhada dos pais para denunciar as violências sofridas.

Documentos da investigação mencionam um policial militar, que não teve o nome divulgado, com endereço residencial em Maricá e apontam a realização de diligências para localizar conversas e outros registros que possam contribuir para o esclarecimento de sua possível participação no caso.

Nota da defesa do policial militar

Em nota, a defesa do policial militar investigado afirmou que repudia qualquer tipo de violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes. Segundo o posicionamento, o agente foi afastado da função e caberá à polícia conduzir as investigações e à Justiça definir eventual responsabilização com base nos fatos apurados.

"Não aceito e repudio veementemente qualquer tipo de violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes. É inadmissível. O segurança já foi afastado da função. Cabe à polícia seguir com as investigações e à Justiça determinar a punição cabível, de acordo com os fatos apurados." afirma a defesa do PM.

A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral da corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (4ª DPJM), cumpriu um mandado de prisão contra o agente. A corporação também informou que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas cabíveis.

"A SEPM reitera que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes e que adota as medidas administrativas e disciplinares previstas, com o devido rigor, sempre que as irregularidades são devidamente constatadas", diz a nota.

Início da investigação

A investigação começou em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, assessor parlamentar que atuava no gabinete do vereador Professor Túlio (PSOL), na Câmara Municipal de Niterói.

Os investigadores apontam que os envolvidos produziam vídeos de violência sexual contra adolescentes e utilizavam as gravações para ameaçar as vítimas de divulgação das imagens. Segundo a polícia, as ameaças e agressões eram usadas para manter as adolescentes sob controle e submetê-las a novos abusos.

De acordo com a investigação, os integrantes da rede se autodenominavam “senhores” e tratavam as vítimas como “escravas”.

A Polícia Civil informou que a operação tem como objetivo aprofundar a análise das provas, esclarecer a atuação dos investigados e identificar outras possíveis vítimas.

O g1 tenta contato com defesa dos citados no texto.