Patrick Marques/g1 AM

O lançamento da série documental Amazônia reuniu convidados no Teatro Amazonas, no Centro de Manaus, nesta quarta-feira (28). Com três episódios, a produção apresenta experiências de comunidades que conciliam a conservação da floresta com atividades econômicas sustentáveis, além de abordar os impactos das mudanças climáticas sobre a região.

Apresentada pelo fotógrafo documental Luciano Candisani, a série percorre diferentes territórios amazônicos e acompanha iniciativas relacionadas ao cultivo de cacau nativo, ao extrativismo da castanha-do-brasil e ao manejo sustentável do pirarucu. A produção também reúne pesquisadores, especialistas e representantes de instituições para discutir os desafios ambientais e sociais da Amazônia.

O documentário foi desenvolvido inicialmente para apresentar a importância da Amazônia durante a COP30, realizada em 2025, e relacionar a conservação da floresta às atividades econômicas brasileiras.

Segundo Pedro Saad, representante da Produtora Brasileira, a proposta é mostrar que a preservação ambiental também depende das condições de vida das populações que vivem na região.

“A gente precisa preservar, mas também desenvolver. A gente só consegue preservar se eles estiverem gerando riqueza e conseguindo sobreviver em atividades sustentáveis”, afirmou.

Série aborda cacau, castanha e manejo do pirarucu

Os três episódios apresentam atividades econômicas que dependem dos recursos naturais da Amazônia e mostram como o conhecimento tradicional, a pesquisa científica e a assistência técnica podem contribuir para a conservação da floresta.

Um dos episódios acompanha uma comunidade que trabalha com cacau nativo. A produção mostra etapas como manejo, seleção, fermentação e comercialização do fruto, com foco na agregação de valor ao produto sem substituir a floresta por outras formas de uso do solo.

Outro episódio aborda os efeitos das secas severas sobre a produção de castanha-do-brasil. A redução da safra afeta a renda das famílias extrativistas e o funcionamento das estruturas de beneficiamento, evidenciando a vulnerabilidade da atividade às mudanças climáticas.

A série também apresenta o manejo sustentável do pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. A iniciativa combina o conhecimento dos pescadores com pesquisas científicas. A contagem visual dos peixes permite estabelecer cotas de captura e contribui para a conservação da espécie e a geração de renda nas comunidades.

A produção ainda reúne especialistas como a coordenadora residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Silvia Rucks, e o cientista Carlos Nobre. Entre os temas abordados estão a participação das populações locais nas decisões sobre o futuro da região e os riscos de a floresta atingir um ponto de não retorno diante do desmatamento e do aquecimento global.

Produção quer ampliar acesso à informação

De acordo com Pedro Saad, a proposta é distribuir o documentário gratuitamente para diferentes meios de comunicação e instituições de ensino, ampliando o acesso do público às informações científicas e às histórias das comunidades amazônicas.

“O nosso esforço é produzir e doar. Então, a gente doa para TVs abertas, fechadas, comunitárias, universitárias e também para escolas”, disse.

Para o representante da produtora, o desafio é fazer com que os conteúdos sobre a Amazônia cheguem a diferentes públicos e sejam apresentados de forma acessível.

“Então, o desafio é: a informação tem que estar em todo lugar que a pessoa gostaria de consumir. E esse é o desafio do comunicador. Fazer chegar e fazer chegar de uma forma fácil”, afirmou.

A primeira temporada tem três episódios, com 26 minutos cada. A produção é da Produtora Brasileira, parceira da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e do Amazon Sat.

Yamaha destaca relação entre indústria e conservação

A série tem patrocínio da Yamaha, por meio de recursos de incentivo fiscal da Lei do Audiovisual, com aprovação da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O gerente de relações institucionais do grupo Yamaha, Rafael Lourenço, afirmou que a produção também busca mostrar como as atividades econômicas podem contribuir para a manutenção da floresta.

“A melhor maneira de cuidar da floresta é cuidando de quem vive na floresta”, declarou.

Lourenço também citou a Zona Franca de Manaus como uma alternativa econômica para a população e defendeu a complementaridade entre a atividade industrial e a bioeconomia.

“A produção industrial, a atividade industrial, ela não conflita com os saberes tradicionais, com a bioeconomia. Na verdade, é tudo complementar, e é isso que a gente tenta mostrar no documentário”, afirmou.

CIEAM destaca modelo industrial do Amazonas

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), que participa da realização do lançamento, também está representado na produção.

Durante o evento, o presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, afirmou que a participação do setor industrial busca apresentar a outros públicos a relação entre a atividade econômica, a sustentabilidade e a geração de empregos no estado.

“Eu digo que o Brasil não conhece o Brasil. É necessário, e o Centro da Indústria faz isso regularmente”, declarou.

O dirigente também destacou a participação de empresas e instituições na discussão sobre biodiversidade e conservação ambiental.

A série busca apresentar diferentes perspectivas sobre a Amazônia, relacionando a preservação dos recursos naturais às condições de vida das comunidades e às atividades econômicas desenvolvidas na região.

Lançamento teve apresentação musical

A programação no Teatro Amazonas incluiu a exibição de um dos episódios e uma apresentação do Grupo Gaponga, que trabalha com composições autorais, poesia e bioinstrumentos para valorizar a identidade musical amazônica.

O lançamento foi realizado pela Produtora Brasileira, pela Yamaha e pelo CIEAM.