Candidato derrotado nas eleições presidenciais, Flávio fugiu do Brasil para os Estados Unidos na 3ª feira (27.out), depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal . O magistrado também havia determinado que o senador não deixasse o território brasileiro.

O artigo 32 do Regimento Interno do Senado estabelece a perda do mandato de senadores que deixarem de comparecer a 1/3 das sessões deliberativas ordinárias em cada sessão legislativa anual, salvo licença ou missão autorizada.

Até esta 5ª feira (29.out.2026), o Senado havia realizado 49 sessões de votação. Outras 23 sessões deliberativas estariam previstas até o recesso, que começa em 23 de dezembro. Se o total chegar a 72 sessões, 24 ausências corresponderão a 1/3 do total.

Pelos registros nos Diários do Senado Federal consultados pelo Poder360 , Flávio soma 11 faltas não justificadas em 2026. Esse total já considera a ausência do senador na sessão deliberativa de 4ª feira (28.out), bem como as faltas registradas entre a formalização da candidatura à Presidência no Tribunal Superior Eleitoral e a apuração do resultado eleitoral.

Flávio chegou a Miami , na Flórida (EUA), na manhã de 4ª feira (28.out), acompanhado de sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal.

Se o calendário do Senado for mantido e as ausências futuras não forem justificadas ou autorizadas, o senador poderá atingir o limite constitucional ainda em dezembro.

Nesse caso, a perda de mandato deve ser declarada pela Mesa da Casa, assegurada a ampla defesa. Não é necessária votação em plenário.

Outra possibilidade é Flávio ser alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar. A Mesa Diretora ou um partido com representação no Congresso pode encaminhar o pedido ao Conselho de Ética. Para aprovar a cassação, no entanto, seriam necessários 41 votos, dos 81 senadores.

A deputada Sâmia Bonfim (Psol-SP) anunciou no X na 3ª feira (27.out) que pedirá à Mesa Diretora do Senado a “ perda de mandato e suspensão da remuneração ” de Flávio por abandono do posto.

Flávio, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil na noite de 3ª feira (27.out). Cruzaram a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador. O jato em que viajaram evitou o espaço aéreo brasileiro .

Por determinação de Moraes, a PF intimou o senador a entregar seus passaportes, na 2ª feira (26.out). O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito 7 minutos depois de o TSE ter declarado o resultado da eleição presidencial, que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A medida foi tomada no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz .

A vitória de Lula foi confirmada pelo TSE às 21h09 –no total, foram 64.256.232 votos (51,79%) do petista contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.

A representação da PF foi assinada às 21h16. O magistrado avalizou no mesmo dia o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui.

Na 4ª feira (28.out), Flávio divulgou uma nota em que alegou ser o “líder do Brasil” . Em uma versão anterior do texto, ele se declarava “ verdadeiro presidente eleito ” do país, mas recuou uma hora depois e alterou para o novo termo.

Segundo Flávio, ele não deixou o país em fuga, mas como estratégia política, para evitar o que descreve como perseguição judicial. “ Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece ”, declarou.

Sem apresentar provas, o discurso de Flávio associa a vitória de Lula a um golpe de Estado.